sexta-feira, junho 26, 2009

The "KING" is dead!...

O curso da nossa vida oferece-nos momentos de rara beleza e de invulgar felicidade. Todavia, também nos invade com momentos de dor, tristeza e que jamais poderão ser apagados da nossa memória.
Hoje é um desses dias particularmente difíceis e dolorosos. O mundo, sobretudo o da arte musical, do espectáculo e do talento, perdeu um dos seus grandes intérpretes: MICHAEL JACKSON.
Não sei se chore a perda prematura deste talentoso cantor, músico, compositor, criador, lutador, irreverente ou, no seu inverso, se lamente que o invulgar talento que sempre o acompanhou não lhe tivesse permitido traçar rumos e caminhos bem diferentes ao longo da sua curta mas riquíssima carreira.
Incrédulo e consternado com aquilo que via, apeteceu-me chorar no momento em que tomava conhecimento da sua morte. Afinal, não é por acaso que há pessoas que entram na nossa vida e por lá permanecem.
Michael Jackson abrilhantou muitos momentos: não só na minha juventude como na minha vida adulta. Queria, num pequeno tributo e num eterno agradecimento, homenageá-lo com esta bela canção, com a qual ele se mostrou e deu a conhecer ao meu mundo de criança.
Afinal, na minha história, os Deuses não costumam morrer!...


“One day in your life
You'll remember a place
Someone touching your face
You'll come back and you'll look around, you'll

One day in your life
You'll remember the love you found here
You'll remember me somehow
Though you don't need me now
I will stay in your heart
And when things fall apart
You'll remember one day

One day in your life
When you find that you're always waiting
For a love we used to share
Just call my name, and I'll be there
You'll remember me somehow
Though you don't need me now
I will stay in your heart
And when things fall apart
You'll remember one day

One day in your life
When you find that you're always lonely
For a love we used to share
Just call my name, and I'll be there”.

quinta-feira, abril 09, 2009

Em Roma e não é romano!...

Muitas vezes, nas mais variadas latitudes acontecem fenómenos absolutamente devastadores e catastróficos que marcam os seus habitantes, não apenas naqueles momentos, antes sim, marcam para toda uma vida. Quem não se lembra dos vulcões, dos ciclones ou dos tremores de terra que ciclicamente nos atacam?
Por causa da dimensão e do alcance destas catástrofes, a solidariedade alarga-se à escala global, pois toda a ajuda é necessária e é sempre bem-vinda. Na nossa memória recente, encontra-se retida aquela imagem devastadora do “tsunami” que assolou a costa asiática, provocando centenas de milhar de mortos e desaparecidos, lançando o caos junto daquelas populações moribundas.
Num gesto sem precedentes, o mundo uniu-se movendo um espantoso programa de reconstrução e de auxílio às vítimas. Equipas de especialistas em saúde pública e em outras áreas reuniram-se e atiraram mãos à obra, no sentido de ajudar a sarar algumas feridas, auxiliando na reconstrução de estruturas, tornando-as novamente capazes para dar novo rumo às vidas daqueles que sofrem e choram os seus mortos.
Pelo que se vê, as catástrofes não escolhem lugar, dia nem hora. Há dias, um forte sismo, quase destruiu a velha cidade italiana de Aquilla, causando com a sua fúria cerca de trezentos mortos. A notícia correu mundo e, com certeza, não faltaram palavras e gestos de solidariedade para com tanta gente ferida. Foi confrangedor ver pessoas amontoadas em acampamentos improvisados, à procura de algo que fizesse inverter o sentido da vida.
Mas… apesar de estarmos a viver a época da ressurreição, onde os nossos corações ficam mais sensíveis, abertos e solidários, o chefe do governo italiano, Sílvio Berlusconi, dirigindo-se aos seus concidadãos de Aquilla, os aconselhou a “encarar aquela situação como um acampamento de fim-de-semana”. Para além do mau gosto evidenciado por este político, as vítimas mereciam um maior respeito e uma maior atenção e cuidado com as palavras proferidas.
Moribundos, famintos e destroçados pelo infortúnio de um momento, as vítimas dispensavam muito bem aquele tipo de tiradas, dignas de um governante sem escrúpulos, irresponsável, insensível e sem os princípios fundamentais que regem a conduta humana.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

"A origem do mundo"!...

Esta pintura, conhecida por “A origem do mundo”, datada de finais do século XIX, da autoria do realista Gustave Courbet, encontra-se exposta no Museu D’Orsay, em Paris. É de visita livre, onde o único requisito para qualquer visitante a ela ter acesso é, apenas e só, possuir um bilhete de entrada, comprado anteriormente. A visita ao museu encontra-se totalmente acessível ao público em geral, de qualquer idade e dentro de um horário preestabelecido. Foi, na qualidade de visitante e sem quaisquer entraves, que consegui a fotografia do quadro exibido.
Paris, uma cidade cosmopolita que, graças aos seus museus e às exposições neles contidas, abre as suas portas às mais diversas manifestações artísticas, pouco se importando com a impressão ou falta dela, provocada em alguns sectores mais conservadores dos seus visitantes. Velhos e novos, ricos e pobres, ocidentais e orientais, muçulmanos e católicos, pretos e brancos, nenhum evidencia, nesta diversidade cultural, qualquer desagrado quando confrontado com aquele quadro. Afinal, embora de forma inconsciente, a todos ela é familiar!
Por estes dias, em Braga, cidade igualmente cosmopolita, embora à dimensão nacional, um livreiro decidiu abrir um pequeno certame, onde expunha e vendia livros a preços mais acessíveis. No meio das várias colecções exibidas, destacava-se um livro sobre pintura que, na sua contracapa, reproduzia de forma reduzida, “A origem do mundo” de Courbet.
Alguns pais, presumivelmente muito ofendidos e chocados com a imagem reproduzida no livro, alertaram as autoridades policiais, no sentido de interditarem a sua exibição. Dito e feito. Os agentes da autoridade, denotando uma desproporcionada falta de instrução, depressa confiscaram os livros, acusando o expositor de exibição pornográfica.
Para estes pais e agentes, bastava uma qualquer consulta à popular Wikipédia para se instruírem um pouco mais sobre o tema em questão. Para que servem afinal as "Novas Oportunidades"? Mas assim não foi. A “cultura da ignorância” demonstrada por pais e pelas autoridades ficou mais uma vez a ganhar, esquecendo-se estes, que fazem parte, há já muitos anos, de uma Europa culta e que se quer cada vez mais civilizada. Devia ser proibido ser ignorante, ou então, ainda mais intolerável, ignorar-se que se é!
Braga, uma cidade carregada de beleza, de arte e de uma massa intelectual de reconhecido valor, merecia ser distinguida por outros motivos. A sonoridade dos sinos pode muito bem ser a mesma de há séculos; todavia, a forma como os ouvimos pode ir evoluindo com os tempos e com as mentes mais equilibradas e sãs, bem ao jeito da Grécia Antiga.
Por coincidência ou não, na quadra carnavalesca, em Torres Vedras, censurou-se, com a mesma ligeireza da “Origem do mundo”, um carro alegórico sobre o computador “Magalhães”. Começam a ser tenebrosas e preocupantes estas situações cuja sequência já nos vai habituando! Afinal, Salazar e os seus modos, há muito que partiram. Todavia, os seus métodos, parece que aos poucos se vêm reafirmando, subtraindo cada vez mais, a nossa condição de cidadãos livres!...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Bora lá, "façamos de conta"!...

Desde que comecei a escrever neste espaço, já lá vão quase quatro anos, sempre direccionei os meus objectivos, para além do apaixonante exercício da escrita, para a reflexão pessoal sobre actualidade, lugares, viagens e outros assuntos de relevância quotidiana. Por imperativo pessoal, nunca aqui coloquei cópias de textos que não fossem da minha autoria.
Dadas as circunstâncias especiais, a excelência da análise feita e a distinção do autor, hoje decidi, excepcionalmente, transcrever um artigo da autoria do magnífico jornalista da SIC, Mário Crespo, a propósito da forma de agir de alguns políticos, nos dias que correm. Mário Crespo, no seu melhor:
(1) "Está bem... façamos de conta"
“Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos”.
(1) Texto da autoria de Mário Crespo, retirado do “Caderno de Opinião” do Jornal de Notícias.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

“Nós por cá”!...

Ao longo do século XX, muitos foram os líderes políticos que, socorrendo-se de algumas artimanhas, tentaram projectar no seio da sociedade e junto da generalidade da opinião pública, uma imagem em nada condizente com a realidade então vivida nos seus países. Desenvolviam autênticos crivos que turvavam a verdade e impediam uma visão mais realista e despida de quaisquer desfoques.
À época, aproveitando a atractiva e fascinante arte, o cinema foi utilizado eficazmente por Adolf Hitler como um magnífico veículo de propaganda ideológica que lançou sobre as multidões. Promovida pela figura de Joseph Goebbels, uma super máquina de propaganda desponta, orquestrada em cenários fantasiados, incitando as populações na adesão às suas ideologias. Os mesmos passos foram seguidos por outros ditadores como Mussolini, Franco e Salazar. Todos eles sentiram o apogeu dos seus regimes, muito devido a esta poderosíssima máquina de manipulação de massas e de orquestrações fantasiosas.
Também na Coreia do Norte, Kim Il-Sung engendrou igualmente uma exacerbada campanha patriótica, lançando discursos inflamados contra povos por ele designados de invasores, silenciando a miséria, a pobreza e o medo reinante no interior do seu país.
Quem não se lembrará da figura deplorável exibida por aquele ex ministro iraquiano da Informação (Mohammed Al-Sahhaf), aquando do início da invasão americana do Iraque em que este, de sorriso aberto, afirmava que o Iraque iria destruir o inimigo, ao mesmo tempo que a generalidade da imprensa mundial nos dava conta, através de imagens, da destruição e do apertado cerco em redor de Bagdad?
Pois é, hoje, “nós por cá”, já não temos Salazar e muito menos um qualquer Al-Sahhaf, mas temos o ministro Santos Silva. Na gíria política, o papel reservado a este dirigente é denominado de “testa de ferro”, ou seja, aquele que tudo desmente; baralhando, confundindo e enganando quanto mais pode e sabe. Sobretudo as pessoas mais vulneráveis e com menos formação. A avaliar pelas suas tiradas, denota uma profunda debilidade mental a precisar de um tratamento urgente. No seu discurso, expressões como “poderes ocultos”, “decapitar o PS”, “pessoas crucificados na praça pública”, “tentativa de assassinato político”, “campanha negra” e “malhar na direita”, são frases profundamente indecorosas!
António Ferro, à luz da sua “política do espírito” no tempo do Estado Novo, não fantasiaria melhor! Pegando nas palavras deste “Goebbels à portuguesa”, apetece-me dizer: “malhem” no Santos Silva!

terça-feira, janeiro 06, 2009

Ai se fosse a coser sapatos!...

Na noite da passagem de ano, a estação de televisão TVI presenteou muitos dos telespectadores portugueses com um espectáculo musical insólito, onde o grupo de protagonistas intervenientes nesse mesmo programa era composto por crianças, cuja idade rondava a dezena de anos.
Todos nós sabemos que o objectivo principal daquela gala não se prendia unicamente com a ajuda material ou pecuniária a quem quer que fosse, muito menos, descobrir novos talentos na arte de cantar. Ali, lutava-se arduamente pela ditadura diária das audiências televisivas, desvalorizando ou pouco se interessando com a hora tardia a que aquelas jovens criaturas deveriam repousar para uma boa noite de sono. Afinal de contas, a meia-noite há muito que ficara para trás!
Fui detido, por momentos, a fazer exercícios de imaginação e não consegui vislumbrar uma justificação plausível para tamanho silêncio da generalidade das diferentes instituições sociais e da imensa lista de órgãos de comunicação social portugueses. Questiono-me então: e se, em vez de ser a dita estação de televisão a ocupar àquela hora e a explorar daquela forma aquele grupo de crianças, estas fossem descobertas a laborar numa qualquer fábrica de calçado ou de têxtil, situada preferencialmente no Vale do Ave, à mesma hora e nos mesmo moldes?
O que diriam agora os órgãos de comunicação sobre esta descoberta? Exploração infantil; pais exploram crianças; crianças vítimas de maus-tratos; crianças sem direito a ir à escola e ao descanso!... Estas seriam porventura as parangonas mais escritas, lidas e ouvidas por esta altura! No local, faziam-se directos e mais directos, bem ao “estilo TVI”, envolviam-se inúmeras individualidades ligadas à psicologia e à protecção social. Chamavam-se os mediáticos Hernâni Carvalho ou Moita Flores, procurando-se no imediato, mover processos-crime aos pais e pensar logo na forma como retirar os filhos da sua guarda. Afinal de contas, estas crianças “apenas” estavam a tentar contribuir e a ajudar para o melhoramento da vida do seu agregado familiar!
Não entendo então o porquê de dois pesos e de duas medidas. Se é aproveitamento e exploração infantil o trabalho efectuado em fábricas e em outros locais similares, não será igualmente exploração infantil a forma como alguns pais e alguns órgãos de comunicação se servem das indefesas criancinhas e as lançam na ribalta, sem qualquer tipo de protecção? Será que o tal “share” ou um qualquer capricho paternal não obedecem a regras, tal como existem em outras áreas da nossa sociedade?
Tanto que ouvimos falar em pedo-psiquiatras, em psicologia infantil e comportamental e, afinal, por onde é que estes especialistas andam? Para quando a entrada em acção dos responsáveis deste país, ajudando a por cobro a esta exploração simulada e encapuzada? Quando é que este “trabalho exploratório” marca de vez a agenda diária informativa? Ou apenas interessa falar dos desgraçados, dos desprotegidos e carenciados a quem a vida não bafejou e que são os mais vulneráveis. Não interessa mexer com os poderosos, pelos vistos!
Era interessante saber, daqui a alguns anos, quantas pessoas se lembrarão daquelas crianças exibidas como troféus ao longo da noite ou mesmo, se alguma delas terá pisado mais alguma vez um qualquer palco, ganhando a vida com a arte de “musicar”. Disso ninguém se vai interessar!...

quinta-feira, novembro 06, 2008

Quando o "fenómeno" vira a "flop"!...

Ao fazermos uma retrospectiva pelo século XX vemos que ele foi rico em acontecimentos marcantes. Foram trágicos muitos deles, com problemas sociais, com avassaladoras guerras intestinas e mundiais. Outros acontecimentos acabaram por colocar ao dispor das sociedades um vasto manancial de condições e de meios que alteraram em muito o dia a dia das pessoas, fruto de grandes descobertas, com a aplicação do conhecimento e da ciência.
Os meios de comunicação são, por assim dizer, um dos campos que mais evoluiu. Com os progressos na comunicação, a “aldeia global” aproximou-se e tornou-se mais ampla. Surgiram aos nossos olhos e nos mais variados campos, grandes figuras a quem a humanidade tanto deve: na política, nas ciências e nas humanidades, alimentando-nos com a ideia de um mundo novo, de um mundo mais justo, próspero e verdadeiro.
Todo este enredo traz até nós nomes empreendedores. Quantos não se terão sentido já familiarizados e até concordantes com Einstein, Robert Schuman, Winston Churchill, Charles de Gaulle ou Theodore Roosevelt? Estas são apenas algumas referências que marcaram efectivamente a História das sociedades, dos povos e do mundo em geral.
Mas, a “democratização” da informação trouxe-nos outros ícones cuja marca ficou por provar, apesar da grande notoriedade que ainda hoje muitos lhes dedicam. À cabeça surgem nomes como John Kennedy e Martin Luther King que, fruto de precoces assassinatos, não chegaram a materializar as ideias pelas quais tanto lutaram e tanta exaltação moviam. Líderes houve que, embora quase em final de vida, conseguiram dar um ar da sua graça, deixando um legado de crédito e de confiança. Refiro-me a Nelson Mandela, como será óbvio!
Com o final de século e a mudança de milénio, nova classe de políticos surge: a “classe do ecrã”. Fazendo-se acompanhar de discursos redondos, voltados e ligados às massas, populistas e com uma elevada dose de “irrealismo” e de omissão (mentira, na linguagem corrente), muitos destes ases da arte de “bem falar” usam e abusam das poderosíssimas máquinas de campanha, das câmaras de televisão e de todos os outros meios de comunicação para metralharem os mais incautos, menos instruídos e de maior vulnerabilidade. Compram-se noticias e tempos de antena; silenciam-se os mais incómodos e, ei-los a ganhar eleições folgadamente, graças a hipocrisias e a promessas demagógicas.
É a “paixão” pela educação; é o deficit que vai baixar; são os cento e cinquenta mil empregos que se vão fabricar; é o já enfadonho aumento do nível de vida; é o fim da exclusão social; é a luta contra a fome e a pobreza; são os direitos dos trabalhadores; é o combate ao terrorismo; é a retirada do Iraque… enfim, tanta coisa se disse e tão pouco se vislumbra! Os autores de tudo isto há muito que foram identificados.
Daqui por um século, quem se lembrará da famosa “paixão” de Guterres, do comediante Sócrates, do populista Sarkhozy, do bem-falante Blair, do truculento Chavez ou da hipocrisia pacóvia e iletrada de Lula da Silva? Só espero que o recente “fenómeno Obama” não siga o mesmo caminho e, entre muitas outras promessas e ilusões, que a retirada do Iraque seja mesmo para cumprir, dentro do tempo previsto. O mundo agradece!
Com o virar do século, as sociedades, mais do que palavras bonitas, querem obras, querem acções e, sobretudo, políticos verdadeiros e sinceros. Se tal não acontecer, ao “profeta” Obama resta-lhe apenas e só o epíteto de ter sido o primeiro preto a ser eleito Presidente Americano e, nesse dia, o “fenómeno Obama” dará lugar ao “flop Obama”, inquilino efectivo da “Casa Branca”, expressão de uma sociedade desacreditada e em profunda decadência. Enquanto esse dia não chega, benefício à dúvida!...

quarta-feira, outubro 08, 2008

O "Magalhães" gamou o "Gama"!...

Durante uma vida de adolescente, sempre ouvi dizer pelas salas de aula por onde passei que o acto de copiar, para além de falacioso, era uma acção de grande injustiça perante quem se esforça, se dedica e investe muito do seu tempo ao estudo, à descoberta e à criatividade intelectual.
Mais tarde, já adulto, agora nos bancos da Universidade, via com os meus próprios olhos essa reprovada conduta fraudulenta, censurável e nada recomendada a uma sociedade que se pretende competitiva, justa e igualitária, onde a “meritocracia” se deve sobrepor à mediocridade de uns quantos que tentam ludibriar o sistema instituído.
Na minha visão crente, pensava eu que isto se confinava às escolas e à juventude daquelas crianças, algumas delas já adultas, cujo único objectivo era, usando de um esforço reduzido, ir passando de ano, mostrando ao mundo que a sua esperteza se sobrepunha “saloiamente”, à intelectualidade esforçada de outros!
Mas, depressa esta minha esfera da escola perpassou cá para fora, que é como quem diz, se esticou à dita “sociedade civil”. Sempre ouvi dizer que era feio copiar. Todavia, plagiar seria duplamente feio porque, para além da miserável cópia da criatividade de outrem, definirmo-nos como seus autores soa-me a um verdadeiro roubo; a algo deplorável numa sociedade do conhecimento. Quem não se lembra das ideias e dos artigos publicados em seu nome de uma “académica” (imagine-se!), de nome… qualquer coisa “Pinto Correia” (recuso-me a pronunciar o nome próprio). Afinal, o que andei eu a aprender na Universidade se era tão fácil enganar?
Ao mesmo tempo, tem sido voz corrente que um “intelectual” da nossa canção, dono de um inigualável sucesso no seio da massa popular; figura omnipresente na televisão pública portuguesa e nas comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo, tinha roubado a autoria de algumas das suas canções de sucesso a cantores oriundos da longínqua e pouco divulgada América Latina e Central.
Perante isto, o que hei-de eu pensar sobre a “nossa” mais recente e superiormente famosa invenção – o “Magalhães”? Pelo que alguns órgãos de comunicação social vêm divulgando, o projecto não teve origem em Portugal. Ele já existe desde 2006 e é da responsabilidade da Intel que lhe deu o nome de “Classmate PC”. Apresenta-se como um “laptop” de baixo custo que era destinado ao terceiro mundo e que já é vendido há muito tempo!
A ser visto verdade, tudo terá sido pomposa e cuidadosamente noticiado, numa verdadeira acção de campanha governativa, de forma a dar ideia de que o “Magalhães” é algo de completamente novo e com origem em Portugal. Que governantes tão criativos nós temos!
Nada me move contra o navegador ou contra quem se identifica com este nome, bem pelo contrário! Afinal, aquele Magalhães, “por obras valerosas”, como dizia Camões, mostrou Portugal ao mundo e trouxe o mundo aos Portugueses.
E porque não chamar-lhe “Gama”? Não em homenagem ao eloquente descobridor da Índia, mas sim, como forma de enaltecer os que usurpam a autoria, o pioneirismo e a criatividade deste projecto. Pelo andar da carruagem, temos de estar preparados para a descoberta que aí vem. É algo de verdadeiramente insólito: a roda. Dirão uns: mas ela há muito que foi descoberta! Respondem os promotores: mas a nossa é diferente; é circular; é bonita e é “absolutamente indispensável”!...

segunda-feira, setembro 29, 2008

O meu Porto Covo!...












Por vezes, ao longo da vida, temos o privilégio de aportar a pequenos recantos que nos “enfeitiçam”, nos encantam e nos deliciam a memória. Porto Covo perfila-se, por assim dizer, como um desses fascinantes locais.
A primeira vez que conheci esta bela e pacata aldeia da costa vicentina, já lá vão cerca de duas décadas, alguns anos depois de darem a conhecer ao mundo, que por perto “havia um pessegueiro na ilha” e que este tinha sido “plantado por um Vizir de Odemira” e, imagine-se, até diziam à boca cheia que “por amor se matou novo”, coitado!
Pois é, passada uma longa década desde a última estada, eis-me de regresso a um local que tanta imaginação e tanto fervor me terá suscitado. O primeiro contacto diz-me logo que a aldeia cresceu avassaladora e desordenadamente, esquecendo-se de adicionar a este crescimento, melhores condições para quem a visita.
Inicio o meu roteiro pelo repleto parque de campismo, abarrotado como sempre. No imediato, vou à procura da tão afamada padaria. Meio incrédulo perante o que vejo, chego à praça Marquês de Pombal, o “ex libris” lá do sítio, caiada de um “branco, branco” e pincelada aqui e acolá com tons amarelos e azuis, tipicamente alentejanos. A rua principal encontra-se quase deserta. Os turistas há muito que partiram e a vontade para os trazer de volta não me pareceu muita. Lê-se num expositor de produtos artesanais, de forma bem visível e num bom português: “proibido mexer”! Pergunto-me: eu que tanto gosto de tocar, de sentir o tacto das coisas, como faço então para comprar? Como se diria noutros tempos: “obviamente, não compro”!
Percorro mais uns metros. Sinto vontade de saborear uma refrescante cerveja, acompanhada por um belo pires de azeitonas, de um tentador queijinho de ovelha curado ou outro qualquer petisco alentejano, habitualmente aromáticos e muito deliciosos. Sento-me numa mesa de esplanada, mas… depois de alguma impaciência provocada pela demora, apercebi-me que estava no Alentejo, onde as coisas em vez de correrem… vão correndo! Todavia, com a minha paciência a atingir o limite do desejável, lanço um olhar na direcção da porta de entrada, onde leio: “não temos serviço de mesa”! Ora, pensei para comigo, se não têm serviço de mesa e como não me candidatei a “garçon”, que estou aqui a fazer? Levantei-me e procurei outro espaço.
É ridículo como em todos os espaços a porta parecia a mesma, pelo menos na mensagem: “não temos serviço de mesa”. Ao fim de um saturado tempo de luta, lá tive de me “aculturar” e exercer a função de “auto garçon”. O caricato de tudo isto é que, apesar de não haver serviço de mesa era necessário tirar um “ticket” para ser atendido. Mas… o pior ainda estava para vir. Na hora de pagar, cobravam mais do que nos bons locais, naqueles onde somos servidos à mesa, a tempo e tratados simpaticamente!
Procuro alojamento. Recuso-me ir para o parque de campismo cujos níveis sazonais eu nunca tinha visto antes: época baixa; época média; época alta e época especial. Meu Deus, pensei para mim, aqui as épocas deveriam ser por dias: preço para a segunda-feira, para a terça e por aí adiante, até chegar aos fins-de-semana! Que é isto?
O hotel cuja qualidade deixava muito a desejar, há muito que estava lotado. Procurei um apartamento. O exterior das casas animava-me e os valores pedidos não diziam o contrário. Sentia-me finalmente feliz. Todavia, depois de bater a algumas portas, a oferta era quase sempre a mesma: branca e asseada por fora; velha, decadente e labiríntica por dentro. Pensei, este já não é o meu Porto Covo!
A bela e pacata aldeia de outrora cresceu. Transformou-se num incontornável local de veraneio mas, seria importante que as pessoas responsáveis a dotassem das condições mínimas necessárias, de forma a melhor satisfazer as pessoas que por lá fazem férias.
Mas… nem tudo foram choques negativos. O Alentejo é mesmo encantador e, não seria justo nesta viagem, não elogiar as lindas paisagens onde pontificam as pequenas, recatadas e belas praias, o lindo pôr-do-sol e o encantador azul do mar.
O bar da praia era calmo e convidativo a um saboroso banho de sol entremeado com dois dedos de conversa. Aqui, a simpatia imperava. Ao final da tarde, a cervejaria Marquês maravilhava, servindo entre outras iguarias, uma bela “açorda de marisco”, repleta de coentros e outras plantas aromáticas. Aqui, o serviço à mesa era eficiente, delicado e de grande simpatia.
Afinal, numa aldeia tão pequena mas tão bela, não foi difícil recolher uma diversidade de sentimentos distintos. Se por um lado me apeteceu não mais lá voltar, por outro, senti um forte apelo a uma nova oportunidade, quem sabe, dando a possibilidade ao tal “Vizir de Odemira” de ter uma vida mais longa e com mais amor!....

terça-feira, agosto 19, 2008

Olimpíadas ou "Olim Piadas"?...

Para tecer algumas considerações e fazer uma análise mais ajustada e equilibrada sobre a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Beijing, aguardei pelo desenrolar das provas iniciais para poder fundamentar algumas da minhas reflexões aqui deixadas.
As “olimpíadas”, nome dado ao certame, são originárias da clássica cidade grega de Olímpia, local onde se realizaram os primeiros jogos. A proveniência do nome continua actual mas, olhando ao que se passou (ou não!) nestes jogos, no seio da representação nacional, até que nem ficava nada mal se o rebaptizassem de “Olim Piadas”.
Os atletas tiveram tudo a seus pés: sempre envoltos em grande alarido; as boas vindas da Presidência da República; um chefe de governo desejoso em se alistar na prova da maratona (não fosse o lançamento de mais 1500 postos de trabalho) e um país inteiro a torcer por aquelas almas, trajadas com um rigor desmesurado e, logo ali, endeusadas num fantasioso Olimpo.
Era o cenário perfeito para uma participação sem paralelo na história das olimpíadas nacionais. Sobretudo porque, depois de seguir atentamente campeões a sério, com raça, com garra e com uma inesgotável vontade de vencer, provenientes de países como o Vietname, Eritreia, Etiópia ou Quénia, onde a subnutrição se evidencia e a cor dos ténis nem sempre condiz com a cor do pé do lado, esperava uma atitude lusitana muito além.
Afinal, os nossos “campeõezinhos” preferiram correr de “saltos altos”. Estava-se mesmo a ver que aquele “calçado” não era o mais adequado para o evento em que se propunham participar. Perdedores, lá se iam justificando com a habitual e enfadada “falta de condições”! Imagine-se o que diriam então aquelas criaturas com ar sub nutrido que atrás mencionei!
Para além de perderem, foi duplamente vergonhoso não saberem perder e a forma como o justificaram. Verdadeiros momentos hilariantes, muitos deles, candidatos a piada do século. Sim, porque vitórias… nem vê-las!
Para não soar a falso, refiro-me e transcrevo apenas algumas das desculpas dadas: Arnaldo Abrantes, que nos presenteou com o 52º lugar nos 200m, justifica-se dizendo que “entrar neste estádio cheio, bloqueou-me um pouco” e que “só tinha entrado num estádio assim para ir ao futebol”. Isto de férias pagas e ainda por cima, com o bónus acrescido de um espectáculo futebolístico ao vivo e a cores, tem que se lhe diga! É caso para dizer, “leve dois e não pague nenhum”!
Marco Fortes, justifica a sua deplorável prestação no lançamento do peso com o prematuro acordar cedo. Para ele, “de manhã só é bom é para estar na caminha, pelo menos para mim”. Este esqueceu-se que é a terra que gira à volta do sol e, como tal, há fusos horários! Ah, e horários!...
O cavaleiro Miguel Ralão Duarte foi forçado a desistir porque a sua égua “entrou em histeria, assustando-se ao ver os ecrãs electrónicos”. Juro que não sei ao certo quem terá entrado em histeria ou então, qual dos dois era o quadrúpede?
A judoca Telma Monteiro, após ter apanhado de quase toda a gente, desculpou-se, queixando-se do árbitro e das adversárias “que parece que só andaram a estudar para lhe ganhar”. Deve ter sido o cabelo ou o penteado os causadores e que não a deixaram ver mais além! Além disso, a Telma devia saber que estudar eleva a inteligência de qualquer um e… a educação também!...
Ainda no judo, Pedro Dias, para além do “brilhante” 9º lugar, conseguiu uma outra proeza: resolveu uma questão passional. Foi-se às trombas do seu opositor brasileiro “que, em tempos lhe havia roubado a namorada”. Podia ter resolvido o problema mais perto, em Portugal, por exemplo! Não fosse a coisa correr mal e sempre teria os amigos por perto!
No lançamento do martelo, Vânia Silva ficou em 46º, entre meia centena de concorrentes, desculpando-se com um “não sou muito dada a este tipo de competições!”. Oh meu Deus, podia antes ter concorrido a cozinheira ou intérprete da comitiva nacional. Como diria o “velho” José Cid, “quem te manda a ti sapateiro [Vânia Silva], tocar o meu rabecão”!...
Já agora, o canal público de televisão escusava de ter esbanjado tanto dinheiro com resmas de gente e meios. Coisa desmesurada! Para cada competição, seu repórter. E depois, onde estavam os telespectadores, se as provas decorriam de madrugada? Ai o “Serviço Público”!
Acho também que o bom jornalismo, capaz e imparcial, deveria ter marcado presença. Se uma atleta (Telma Monteiro), quando representa as cores nacionais perde e o repórter a apresenta dizendo que ela é do Benfica, então, dever-se-ia seguir a mesma lógica quando fala de alguém que acaba de ganhar uma medalha (Vanessa Fernandes) e é do mesmo clube! Ficava bem senhor Hugo Gilberto (RTP)!... É nos detalhes que se vê o bom e o mau jornalismo.
Mas, como nem só de piadas vive o homem, nota de destaque para a nobreza e para a humildade sentidas nas palavras de Francis Obikwelo, depois do seu afastamento da final dos 100m e do consequente abandono da alta competição. Sem grande alarido, pois era já esperada, nota de relevo para a medalha de prata da sempre esforçada e exigente Vanessa Fernandes. Esta não engana!
O dinheiro investido para levar muita desta gentinha até Beijing, dava para alimentar resmas de promissores atletas africanos, oriundos daqueles países onde não há bolsas, onde as fisionomias e rostos evidenciam um crescimento envolto em dificuldades e onde, para além de treinarem sem grandes condições e sozinhos, as “bestas” não se amedrontam com os ecrãs electrónicos porque os desconhecem! Ah, com um “se não”: estes esforçam-se e sentem orgulho na sua pátria e, como consequência, ganham medalhas!
Afinal, depois destas “Olim Piadas”, perdão, “Olimpíadas, alguém me saberá dizer o que é o espírito olímpico? Continuo que, o Homem sempre gostou mais de obras do que de palavras!...

terça-feira, julho 08, 2008

O (des)regrado exercício físico!...

Fruto de grandes mudanças surgidas nos últimos tempos, as sociedades actuais coabitam envoltas num profundo e muito pouco saudável sedentarismo diário. É o automóvel que nos leva quase sempre até à porta do local de trabalho; é o computador que tudo nos oferece, mantendo-nos especados e imóveis, em poses de verdadeira histeria, durante horas a fio.
Pois é, mas o mundo é muito mais que isto. Lá fora, a vida germina, os campos mudam o seu colorido, com a proximidade da nova estação. Apercebendo-se desta metamorfose, existem pessoas que tentam contrariar aquele sedentarismo com algum exercício físico diário. Uns, os mais preguiçosos, exercitam-no à mesa, degustando belos e fartos manjares, exibindo aí poses de grande heroicidade. Outros, com receio de mostrar o seu “pneuzinho” na época balnear, a muito custo lá vão exercitando com ar enfadado e aborrecido, algumas velozes e suadas caminhadas. Outros há que, estoicamente, vão dando uso às condições que a edilidade oferece e reservam algum do seu tempo para o exercício físico diário.
Muitas cidades, numa clara tentativa de resposta às novas exigências, conceberam amplos espaços de entretenimento, destinados à prática do exercício físico, com percursos pedonais, ciclovias e zonas de lazer, vulgarmente conhecidas por “parques da cidade”. Em algumas outras urbes, não foram acompanhadas estas carências e, tentando reproduzir aqueles saudáveis hábitos, é frequente assistirmos a verdadeiras correrias de ciclistas, a circular em cima dos passeios, pondo muitas vezes em perigo a segurança e a integridade física, atitudes de claro egoísmo e falta de respeito para com os peões que por ali caminham.
É também habitual circularmos na rua, ao volante de um automóvel e depararmo-nos com ciclistas a atravessarem passadeiras com um à vontade como de peões se tratasse! Ora, quem quer exercitar a prática velocipédica, deve fazê-lo, obedecendo às regras existentes para o efeito: ou circular em pistas apropriadas; ou nas faixas de rodagem, respeitando sempre a direcção e a sinalética convencional existente.
O exercício físico é saudável, é aconselhado e é importante mas, praticado em locais adequados. Não imagino as sequelas gravosas e a consequente falta de responsabilização, num possível acidente. É que, a meu ver, é tão grave um automobilista esbarrar num peão em cima de uma passadeira, como um ciclista abalroar um peão em cima do passeio.
Ser cidadão não envolve apenas um número e uma identidade. Connosco e com a nossa envolvente, convivem direitos e deveres dos quais nunca devemos renunciar. Contudo, no dia em que nos demitirmos desta dicotomia e das nossas responsabilidades, jamais teremos decoro para argumentar com o que quer que seja!...

quinta-feira, junho 19, 2008

A perder o gás!...

Por estes dias, perdi o gás com que assiduamente aqui deixava algumas reflexões. Muitos foram os motivos: logo à cabeça, as doses excessivas de trabalho que me impediram de dar seguimento ao projecto que vinha desenvolvendo. Estes excessos foram secundados pela falta de crença em algumas particularidades que envolvem o dia a dia e, sobretudo, pelos aumentos dos combustíveis. É certo que… motivos para reflexão não faltam. Há-os até em excesso, infelizmente. Simplesmente, a vontade em reflectir sobre eles já não tem o vigor de outrora.
Atravessamos um “período futeboleiro” onde tudo serve para apelar à exaltação nacional, pondo meio mundo, leia-se a nação portuguesa, atrás de meia dúzia de “primas dona”, na figura de meninos mimados e birrentos. Lá dos seus saltos altos, olham de soslaio para o cidadão comum que tanto esforço faz e tanto caminho calcorreia para estar naquele lugar e naquela hora, precisamente para destas “primas dona” obter um simples sorriso, aceno ou, na melhor das hipóteses, um “sarrabisco” entendido como autografo. Digo “sarrabisco” porque, muitas dessas figuras inacessíveis, mal sabem ler ou escrever e, quando abrem a boca, ou é para falar de novos contratos milionários, ou então, não conseguem materializar em palavras aquilo que lhes vai na mente.
Não deixa de ter algum fatalismo irónico, ver, num “spot” publicitário, algumas centenas de crentes, vestindo a figura de servis campónios, a empurrar um autocarro que transporta no seu interior as tais “primas dona”, refasteladas com a mais que provável última versão de “um qualquer ipod”, inacessíveis e com ar superior para com a plebe que os arrasta e endeusa. Esta imagem é duplamente caricata, sobretudo, porque vivemos um período de forte recessão petrolífera, com a Galp a invadir-nos os bolsos a todo o instante, com um invulgar aumento dos combustíveis. Vejo naquela representação uma grande dose de estoicismo apalermado. Sofre-se, paga-se, assaltam-nos o bolso, mas somos felizes! É a mensagem que retenho. Será isso que querem fazer de nós?
Tanto quanto sei, as concentrações para os jogos são de extrema importância. Ora, se o são, porque é que os jogadores as abandonam, deslocando-se para lugares longínquos, rubricando chorudos contratos de trabalho a meio de uma competição com a importância do Campeonato Europeu? Porque é que nas conferências de imprensa não nos atiram com aquela enfadonha frase “nós somos profissionais” em vez de nos alimentarem com o argumento da defesa das cores nacionais? A cor do dinheiro é que prevalece e é mesmo muito bonita! E atractiva também!
Até o timoneiro da nau lusitana não resistiu ao apelo lançado pelo “vírus” monetário, assinando um gordo contrato, no calor da exaltação portuguesa, semeando alguma descrença, desconforto e, sobretudo alguma falta de ética profissional. Tudo isto leva-me a perder o gás e a não acreditar na tal equipa de “todos nós”, independentemente dos resultados que possam vir a ser alcançados. Na realidade a equipa nacional deve ser mesmo a de “todos eles”.
Já não me bastavam as excessivas doses de trabalho, a sobranceria com que estes tipinhos birrentos tratam os seus “súbditos”, senão também ter de vibrar com a Galp e o seu autocarro a meter a mão no meu bolso. Pela maior boa vontade, maior patriotismo ou maior compreensão, tudo isto me faz mesmo perder o gás!...

quarta-feira, abril 02, 2008

"Calem-se os chinos, cantem os monges!..."

Nunca me considerei um fervoroso partidário dos separatismos territoriais, sobretudo quando em causa estão pequenos enclaves cujas áreas se afiguram muito pouco expressivas, com elevada escassez de recursos naturais, gerando economias débeis, provocando vulnerabilidade nas suas populações, mal estar social, miséria e uma enorme dependência externa.
Apesar de tudo isto, existem muitas vezes engenhosas e poderosíssimas acções de marketing convidando o cidadão comum a aderir a causas que, em condições normais não fariam nem teriam qualquer sentido. A este propósito, lembro-me da recente independência de Timor-leste e dos problemas posteriores vividos pelas suas populações. A ausência de organização, de estruturas e a inexistência de um verdadeiro sentido de Estado levaram a escaramuças, chacinas e a uma forte instabilidade político-social.
Poderíamos pensar que estas ocorrências apenas teriam lugar lá longe, na Ásia, lugares sem tradições democráticas mas, afinal, tal não é verdade. Ainda há bem pouco tempo, a Europa e muitos europeus acabaram por dar um tiro no seu “umbigo” ao reconhecerem o Kosovo, antiga província Sérvia, como país independente.
Não percebo como isto terá sido possível sobretudo se pensarmos que este território é composto apenas por cerca de onze mil quilómetros quadrados e com uma população estimada em dois milhões e meio de habitantes. Dito assim, até nem soa muito mal se compararmos este território com outros da sua dimensão. O pior é quando nos apercebemos que a subsistência da generalidade destas populações depende da omnipresente ajuda externa e da generosidade internacional.
Nunca entendi como terá sido possível gerar tamanha mobilização internacional em torno destes dois “minúsculos países”. Será que a tal comunidade internacional desejava para estes dois territórios apenas e só o direito à sua autodeterminação, convertendo-os em países autónomos e livres? Não creio, senão vejamos: Porque viraram as costas estes arautos da liberdade e da autodeterminação à emergente repressão vivida no Tibete, território que o regime comunista chinês invadiu e anexou há mais de meio século, oprimindo brutalmente as suas populações, promovendo bárbaras chacinas, num claro desrespeito pelos direitos humanos?
Perante esta área geográfica (semelhante à da Inglaterra); a densidade populacional e o forte desejo de autodeterminação, parece-me que o Tibete em nada fica atrás dos casos anteriores, bem pelo contrário. Aquilo que me parece evidente é que a vida de um monge vale menos do que a próspera economia chinesa, tão importante no Ocidente; do que o petróleo de Timor-leste ou do que o interesse estratégico americano no tal “umbigo” da Europa.
Por onde andam os lençóis brancos suspensos nas janelas das casas ou pendurados nos carros. Onde estão as longas vigílias à porta das embaixadas? Para quando um minuto de silêncio como forma de despertar para este problema? Porque não tivemos coragem de receber o Dalai Lama, aquando da sua recente visita, na Assembleia da República, “sala de visitas” da nossa liberdade? Porque não se encontrou o Presidente da República Portuguesa com o máximo representante do povo tibetano? Porque não fizeram todo aquele alarido como o haviam feito com Ramos Horta e Xanana Gusmão? Porque não se boicotam os Jogos Olímpicos de Pequim? Talvez porque os monges e a sua cultura não marquem a agenda internacional. Só desejo que um dia se possa cantar bem alto: “Ai Tibete, calem-se os chinos, cantem os monges!...”

quinta-feira, março 27, 2008

"Ménage à trois"!...

Por estes dias, a Direcção Geral das Contribuições e Impostos (DGCI) lançou o pânico no “universo casamenteiro”, ao remeter um pedido em tom de ameaça aos recém-casados, pedindo-lhes para que respondessem a um questionário, proporcionando assim à máquina fiscal, um extenso conjunto de informações e detalhes relacionadas com a cerimónia matrimonial que cada um realizou. Astutamente e para isso, a administração fiscal alegou o “dever de colaboração” nesta verdadeira devassa e desrespeito pela privacidade de cada um, ameaçando com o pagamento de coimas e a consequente instauração de processos a quem não respondesse e em tempo oportuno ao dito questionário.
Bom, eu lembro-me de uma prática muito apreciada e muito parecida com esta no tempo da ditadura fascista, quando à época, o regime, a seu belo prazer, dispunha do sagaz papel do “informador”, vulgarmente conhecido por “bufo”.
Como é que, depois da viragem do século e passadas já várias décadas, nos exijam, com esta prática, que voltemos aquele passado cinzento e temeroso que então vivíamos? Que antifascistas foram ou se intitulam agora estes?
O ridículo de tudo isto tem a ver com o teor das questões colocadas! Entre muitas, questiona-se se existiu ou não outro casamento ou outro qualquer evento no mesmo dia e no mesmo lugar; qual o número de convidados adultos e crianças; quanto foi o valor cobrado por cada um deles; se o vestido de noiva, tinha sido oferecido e, se afirmativo, por quem e quanto pagou o oferente; como foram pagos os diversos serviços prestados, como o “copo-d’água”. Se tiver sido por cheque, qual a data do mesmo, o banco e o seu número. Questiona-se mesmo se o pagamento terá sido feito, por exemplo, de forma parcelar e com cheques pré-datados. É ainda dever dos “pombinhos” identificar cada um dos cheques e, se possível, enviar fotocópias dos mesmos. Ora, aqui está um “serviço cinco estrelas” e a custo zero!
Para quando adoptar semelhantes inquéritos aos serviços que as “off shores” prestaram aos bancos? Para quando estas inquirições à generalidade dos profissionais liberais; aos donos de Ferraris que mal sabem conjugar sujeito com predicado; às grandes casas de advogados; aos médicos; aos arquitectos, sem esquecer os engenheiros? Quando é que o governo, numa verdadeira medida reformista, obriga à emissão de factura para tudo o que for transacção? Porquê tanta importância aos negócios nas tais quintas e não se investigam as transacções diárias efectuadas na generalidade dos restaurantes?
Se este inquérito ganha forma, e com perguntas cada vez mais apelativas e criativas, um dia destes ainda me vão perguntar qual a cor da cuequinha que a minha noiva usou nesse dia, se ela era virgem, se tem implantes, ou se eu já ia com a “rodagem” feita. Apetece-me lembrar aquela velha canção que dizia que “mais do que dois, nestas coisas do amor, já é muita gente” e eu, não estou a ver muito bem, onde terminará este “ménage à trois”!...

terça-feira, março 04, 2008

Quem me leva os meus fantasmas?...

Passa hoje, 4 de Março, o sétimo aniversário sobre a queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, que arrastou para águas turvas e profundas um autocarro e três outros automóveis ligeiros, causando a morte a 59 pessoas. Uma verdadeira tragédia que catapultou o nosso país para as primeiras páginas da generalidade da imprensa mundial, sendo mesmo o tema central de abertura dos telejornais das principais cadeias de televisão no mundo.
Nessa noite, perante tão horrendo acontecimento, senti uma imensa raiva pela impotência humana. Mais fúria senti, por essa mesma tragédia ter lugar no meu país. A cólera e a vergonha subiram de tom, quando soube que aquele local e as populações nele envolvidas, há muito que eram esquecidas e atiradas ao abandono pela poderosíssima máquina do poder político. Como me lembro do sofrimento daquelas gentes!...
Nessa monstruosa noite, não faltaram “abutres”, “corujas” e outras “aves de rapina” perfiladas e prontas a devorar aqueles cadáveres, sem qualquer respeito pela vida humana! Meu Deus, como é isto possível, interrogava-me eu? Como ali eram bem patentes as ideias deixadas pelo Padre António Vieira, nos seus “Sermões aos peixes”! Muitos ainda não tinham perecido e já os estavam a devorar!
Como pode a culpa ser de um incauto ministro, se ele hoje permanece à solta? Como pode a responsabilidade ser das empresas de extracção de areias, se o seu responsável esgrime tantos e tão tontos argumentos? Afinal, questiono-me eu: será que a culpa terá sido das pessoas que foram apanhadas desprevenidas naquela trágica “cilada”?
Quem tiver a oportunidade e a coragem de fazer uma viagem de barco, Douro acima, terá a possibilidade de ver, na primeira pessoa, todo aquele cenário dantesco que arrastou tamanha desgraça e, ao mesmo tempo, a forma digna, franca e piedosa de como familiares, amigos e pessoas anónimas, tentaram contornar a imensa dor pelos seus entes queridos, mostrando e perpetuando as suas memórias. É algo que se afigura espantosamente chocante e de um simbolismo inacreditável!
Passado o período de “nojo”, o poder político virou-lhes novamente as costas, a troco de meia dúzia de quilómetros de alcatrão. Que imagem do seu país terá estas famílias enlutadas, com vidas destroçadas e atiradas ao abandono? Diante desta negligência evidente, os familiares das 59 vítimas mortais da tragédia deixaram de acreditar na justiça do seu país, uma vez que esta, não conseguiu, em sete anos, atribuir quaisquer responsabilidades pelo colapso da ponte, desistindo da intenção de pedir ao Estado as devidas indemnizações. Pelos vistos, a justiça do Homem vence-se pelo cansaço, imagine-se!
Este facto, mais parece um daqueles contos de que já ouvimos falar, mas lá longe, no terceiro ou no quarto mundos. Por onde andam aqueles que tanto choravam naquela noite e que não tinham mãos a medir desdobrando-se em entrevistas e mais entrevistas? Que é feito daquele Senhor Presidente da Câmara que o vi lacrimejar copiosamente e que não mais o avistei a esforçar-se sobre este caso? Um tal Jorge Coelho, ministro da Administração Interna da altura, há muito que se esqueceu da sua “responsabilidade política” pela queda da ponte e ganha hoje a vida dando “faladura” e manipulando massas, num desses programas televisivos, onde a retórica e a demagogia são o prato forte.
Pelos vistos, todos mudaram excepto a dor presente e que se arrasta no dia a dia dos familiares e dos amigos. O coração, esse permanece dilacerado e à espera que o Estado lhes minimize o sofrimento e faça a devida justiça, indemnizando quem de direito. Ou será que ainda esperamos pelos ditos “chorões”? Quem me leva estes meus fantasmas? Mas para bem longe!...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Portanto, de resto, evidentemente!...

Desde que comecei a marcar presença nos bancos da escola secundária que fui sentindo a maior ou menor facilidade de expressão das pessoas com quem partilhava aqueles espaços. Desde muito cedo que me fui apercebendo do discurso mais cuidado, fluído e fácil de uns e, em contraponto, outros que, escondendo-se ao fundo das salas, patenteavam aquela cor corada de vergonha quando interpelados pelo professor.
Assim foi, embora também me tenha apercebido que, muitos dos tais do discurso cuidado, fácil e fluído usavam de muitos amuletos, acabando por não dizer quase nada. Os “portantos” entravam em quase tudo o que fosse discurso de improviso. Era “portanto” no início de um raciocínio, era “portanto” no meio ou no fim desse mesmo discurso e, muitas vezes, eram tantos os “portantos” que me apetecia dizer “portanto, cala-te”.
Passada a era dos “portantos”, os comunicadores do presente cá da nossa praça arranjaram um outro amuleto, porventura mais pomposo e a dar mais nas vistas. Não deixa de ser engraçado que, ao assistir a um qualquer telejornal e, quando o “pivot” resolve passar a emissão para o exterior questionando o repórter de serviço no local, este começa de imediato com as previsíveis e pouco esclarecedoras entradas: “boa noite, José, assim é como dizes. De facto, como afirmaste há umas horas atrás, tudo foi confirmado. De resto, as pessoas que aqui se encontravam já desmobilizaram…” e o discurso evasivo continua. Conclusões? Zero! Informação adicional, nada!
Estes profissionais deveriam saber que, quando se referem ao passado utilizando o “há umas horas”, o termo “atrás” é utilizado de forma errónea, para além de redundante. Lembra quase o “subir para cima”! Os mesmos profissionais também deveriam saber que o termo “de resto” utiliza-se como remate de um raciocínio ou como um fecho de reportagem e não no princípio, no meio, no fim, ou tipo salada mista, entrando sempre que a muleta se afigure indispensável.
Há ainda outros personagens que, quando querem redundar um assunto, quando não o pretendem abordar ou quando não o dominam, usam o logicamente, naturalmente certamente, simplesmente, seguramente, evidentemente e outros “mentes” nada brilhantes.
Será que esta gentinha nunca ouviu a Dra. Edite Estrela ou aquela rubrica “E assim se fala em bom Português”? É que ambos os programas passaram na televisão e em horário nobre!...

terça-feira, fevereiro 19, 2008

No país das maravilhas!...

Nunca achei possível existirem dois países com o mesmo nome, situados no mesmo espaço geográfico, com as mesmas gentes, com a mesma cultura e, consequentemente, com o mesmo passado histórico. Todavia, estes dois países têm uma grande diferença: um, o Portugal real é um país onde os salários são baixos; o desemprego sobe em catadupa; os cidadãos morrem por falta de eficácia na assistência médica primária; os partos são feitos por bombeiros no interior de ambulâncias a caminho de um longínquo hospital; onde no ensino se instruem os estudantes sobre como obter um certificado de capacitação sem nada terem feito para o conseguir; onde os professores são avaliados em função da taxa de aprovação dos seus alunos; onde alguns funcionários da administração pública são obrigados a ser excelentes e outros são impedidos de o alcançar. Um país onde o mal-estar social é por demais evidente, vivendo-se num verdadeiro clima de medo, de incerteza e, sobretudo de descrença e de desmotivação.
No contraponto a este, existe o Portugal maravilhoso – o de Sócrates, o Portugal da fantasia, da ficção e também o da mentira! Pude constatar esta realidade ontem, quando perante a televisão, assisti a uma entrevista dada pelo líder do governo que, pensava eu, ser o do meu país mas, afinal, pelo que ouvi, pareceu-me ser de um outro. Nessa longa e livre conversa, o político aproveitou a sua exímia capacidade manipuladora, presenteando os seus concidadãos com dados e com elementos absolutamente fantasiosos, invertendo totalmente o rumo que o país está a tomar.
Sócrates e Mecenas foram duas figuras marcantes nas longínquas, Grécia e Roma. Agora, Portugal tem esses dois colossos num só! O ponto máximo do ridículo daquela entrevista foi atingido com os dados sobre o desemprego. Toda a gente sabe que vivemos numa época de forte recessão, patenteada num crescente desemprego. No entanto, o “Mecenas lusitano” afirmou mais do que uma vez que em três anos criou cerca de cem mil empregos! Bom, num total de quinhentos mil, este ilusório decréscimo faria com que baixássemos dos actuais oito por cento para uma percentagem muito inferior. Para comprovar esta evidência, “é só fazer as contas”, como diria outrora um famoso político da mesma cor!
Como estou farto de viver neste maravilhoso país! Eu, que estava habituado a lutar diariamente, vivendo de algumas privações e de alguns sacrifícios normais para o dia a dia, vejo-me agora a viver nesta utopia do consolo, do refastelo e do oásis, numa nação despida de pobreza, de desemprego e sem qualquer agitação social – o país das maravilhas!
Quero de volta o meu país, aquele onde os carros e as pessoas são arrastadas e afogadas nas sarjetas entulhadas, ao mínimo sinal de catástrofe. Aquele onde os processos judiciais sobre pedofilia e corrupção se arrastam “vitaliciamente” e onde os diplomas se arranjam ao quilo e nada se faz com eles.
Ah, e onde os políticos também dizem o que querem e nada lhes acontece. Quem não se lembra da responsabilização e auto demissão de um então ministro aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios naquela fatídica e horrenda noite de Março de 2001! E hoje, vemo-lo como um assíduo comentador político, ideólogo do programa do governo e grande agitador de massas. Que bela viagem eu fiz e que bom foi este regresso! Quero o meu país de volta mas antes, fiquem com estas "Alices"!...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Os Savimbis, os Manés e os Reinados!...

Desde longa data que me habituei a admirar a forma como algumas figuras mundiais executavam e propagavam as ideologias político-sociais em que cegamente acreditavam. Não quero dizer com isto que fosse um fervoroso partidário de muitas delas, muito pelo contrário mas, aquilo que mais me enlevava, era a forma como essas mesmas individualidades acreditavam nelas próprias e naquilo que defendiam, pensando, porventura, serem os donos da verdade absoluta ou os maiores benfeitores a viver à face da terra.
Todos na sua esfera e, sem querer meter tudo no mesmo saco, não é esse o propósito, muitas vezes me interroguei e interrogo sobre como foi possível a Humanidade gerar homens como Estaline (URSS); Hitler (Alemanha); Idi Amin (Uganda); Ceausescu (Roménia) e, mais recentemente, Saddam Hussein (Iraque); Fidel Castro (Cuba) ou Robert Mugabe (Zimbabué)? A meu ver, aquilo que fazia mover todas estas personalidades era suportado por uma vincada ideologia política, carregada de um forte dogmatismo pragmático. Esta será, a razão primeira para a existência de tamanhas individualidades.
Afinal, e perante a anterior justificação, o que terá movido então Jonas Savimbi (Angola); Ansumane Mané (Guiné) ou, ultimamente, Alfredo Reinado (Timor Leste), cujas únicas ideologias que se lhes reconheceram, eram sustentadas pelo disparar das armas, arremessando balas causando carnificinas sem paralelo, conduzindo à destruição das estruturas de Estados que se querem livres, soberanos e de direito?
Nunca as ideologias terão rimado tanto com usurpação, com destruição e com morte. O Homem, ao longo da sua evolução histórica, projectou para si um mundo de diálogo e de respeito mútuos. Ninguém se arrogará no direito de aniquilar quem quer que seja. Viver em sociedade acarreta direitos mas, quem os argumenta, nunca poderá esquecer os consequentes deveres. No dia em que ambos não caminharem lado a lado, voltaremos a ouvir falar de novos Savimbis, Manés e Reinados. Por mim, era preferível que não existissem mas, teimosamente, lá se vão multiplicando, para mal da Humanidade!...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Maçaricos? Só na tropa!...

Andam para aí meia dúzia de aproveitadores baratos a emitir opiniões, despidas de argumentos suficientemente válidos e credíveis, a favor ou contra a localização do futuro aeroporto de Lisboa, perdão de Alcochete; desculpem, para ser preciso, de Benavente.
É por demais evidente que, quem é a favor da Ota é porque por lá tem grandes interesses. Quem é contra, é porque dessa localização, não retira quaisquer proveitos, apenas e só o incomodativo ruído produzido, associado à perda da tão desejada tranquilidade. Por outro lado, quem defende ou se posiciona contra Alcochete, fá-lo à luz da mesma dicotomia anteriormente traçada.
Outros há que, escondidos por detrás do manto dos problemas ambientais, sempre em moda, argumentam com os malefícios que irão sofrer os vastos habitats que aí se desenvolvem. Entre muitas outras coisas, fala-se muito na importantíssima e vital comunidade de “maçaricos-de-bico-direito” que irá ser despojada das suas habitações e dos malefícios que esta gigantesca obra lhes possa vir a causar.
Ao mesmo tempo, dá-se também grande ênfase a meia dúzia de sobreiros que, consequentemente, serão abatidos, sobreiros esses que apresentam um ar cansado e amarelado, cujos dias parecem há muito contados.
Perante tamanhos e tão eloquentes argumentos, julgo que haverá muito quem queira “sol na eira e chuva no naval” mas, pelo mais que as condições climatéricas mudem, com o frenético aquecimento global, esta máxima permanece fiel à sua essência.
Se repararmos na coerência e na motivação das contestações, é bem visível a forma diferenciada com que o fazemos e a importância que elas geram junto dos órgãos de decisão nacional. Neste sentido, o actual governo, copiando uma ideia implementada em Portugal nos idos anos cinquenta, acaba de lançar um conjunto de projectos hidroeléctricos, dispersos pelo país, mais sentidos na região do Alto Douro. Até aqui tudo seria pacato, ordeiro e de uma grande oportunidade, não fosse a localização de alguns destes mesmos empreendimentos.
Não sei quantos governantes terão tido o feliz prazer, tal como eu tive, de conhecer o rio Sabor. Este afluente da margem direita do Douro tem um caudal único no mundo: é um rio que percorre montes e vales e, em praticamente todo o seu percurso, não é notada a influência da mão humana. É, por assim dizer, um rio selvagem cujo arvoredo que o rodeia esconde uma grande diversidade de habitats de fauna e de flora que, porventura, não encontraremos em mais lado nenhum do mundo. O “barulho silencioso” provocado à passagem das águas límpidas e cristalinas, convida-nos a um mergulho e a abafar a nossa sede, ali mesmo, sem copo nem caneca.
Este ruído fluvial contrasta harmonicamente com os incautos sons provenientes do chilrear dos pássaros e o aspecto verdejante desta deslumbrante paisagem “vangoghiana”. Todavia, aqui não há os tais maçaricos, importantes para o vitalismo de uma qualquer manifestação e, como tal, este fascinante e sedutor cenário, por si só não é suficiente para fazer parar a construção de uma barragem.
Como a memória é curta! Ainda há bem pouco tempo, um alto governante português, do cimo da sua poltrona, bradando em tom irónico, satirizando com a submersão das figuras paleolíticas do Côa, ia dizendo que “as gravuras não sabiam nadar”! Como agora, mais do que nunca, compreendo Eça de Queirós! Afinal, “Lisboa é a capital e o resto é paisagem”!...

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Festas felizes!...

Este é o tipo de mensagens que anualmente, por esta altura, todos gostamos de receber, sobretudo quando enviadas por pessoas que nos querem bem.
Assim, cá estou eu a desejar-vos um feliz Natal, com muita saúde, alegria e também com algumas prendinhas no sapatinho.
Que o Novo Ano que aí vem, vos proporcione a realização dos muitos sonhos que habitualmente povoam o imaginário de cada um.
A todos, desejo umas festas felizes.

terça-feira, dezembro 11, 2007

A fazer de conta!...

Os meus dias andam marcados por uma roda-viva de contentamento e felicidade. Vivo num país onde, graças a um “exemplar” e profícuo programa escolar designado de “Novas Oportunidades”, conseguimos finalmente pertencer ao pelotão da frente a nível europeu em questões de alfabetismo! Que radiante me sinto!...
Hoje, ter um diploma, torna-se até mais fácil do que o simples gesto de mudar de camisa. Confesso sentir uma pontinha de inveja por ter nascido noutra época. Lembro-me, nesses idos tempos, ter de me levantar quase ao romper da aurora para estar a tempo na escola. Foi nos bancos das salas de aula que me fui formando e onde, em anos a fio, consegui adquirir uma sistematização de conhecimentos que hoje, orgulhosamente, carrego comigo.
É obvio que as dificuldades por que passei foram muitas. Lembro-me das lutas empreendidas contra os dias invernosos, gélidos e cansativos. Recordo-me do crescente stress que os testes me provocavam. Os exames anuais, esses soavam a autênticos julgamentos de intelectualidade e sapiência ali na hora, provocando sempre muita angústia e ansiedade pouco recomendáveis para aquela idade.
Naquela época, não estava ao alcance de um qualquer a obtenção de um diploma. Para o conseguir havia a necessidade de abdicar de muita coisa e também de aplicar muito empenho e muita vontade. Hoje, e é aqui que reside a minha inveja, consegue-se um diploma num verdadeiro passo de mágica. Aquilo que eu demorei anos a alcançar (oito, imagine-se!), consegue-se agora num simples piscar de olho. Ao abrigo das tais “novas oportunidades”, ideia peregrina deste governo, obtém-se um certificado do 12º ano em menos de quatro meses, pasme-se! Sim, eu disse quatro meses! Há coisas fantásticas não há?
Interrogo-me então: e para que é que eu andei tantos anos a estudar, se hoje conseguiria o mesmo com bem menos sacrifícios? E depois, é espantoso ouvir falar pessoas que passaram a vida a vadiar e agora virem dizer que querem tirar um curso de direito, de economia ou até em áreas relacionadas com a convivência social. Devem estar a gozar comigo, penso!...
Neste país, nunca se emitiram tantos diplomas e, pelos vistos, é disto que “o meu povo gosta”! Ele há diplomas para tudo, até de Inglês Técnico! O que interessa é diplomar as pessoas, não se importando com os conhecimentos adquiridos. E a artimanha é sempre a mesma. A tal percentagem de pessoas com o 12º ano aumentou exponencialmente, diz pomposamente o líder do governo. Dos míseros 30%, queremos urgentemente passar para os 60% continua, como se esta media fosse uma grande bandeira! Areia para os olhos, digo eu!
Mas, felizmente que há um organismo europeu e há também pessoas que pensam pela sua própria cabeça. Interrogo-me então: porque será que, segundo dados do “Eurostat”, Portugal apresenta os mais débeis resultados escolares e escassos níveis de conhecimento da União Europeia?
Pois é senhor governante, se diplomar significasse dotar de intelectualidade e valorizar a erudição das pessoas, há muito que as fábricas de papel não teriam mãos a medir. Acho bem mais importante motivar os cidadãos para o real mundo do trabalho, fornecendo-lhes ferramentas e programas de estudo autênticos, em vez de os enchermos de ilusões, passando o tempo a fazer de conta!

quarta-feira, novembro 28, 2007

"Dois pesos, duas medidas"!...

Na década de noventa, talvez porque se afigurava muito na moda, desenvolveu-se uma caça desenfreada àquilo a que chamavam o “trabalho infantil”. Muitos órgãos de comunicação social apelidavam então Portugal de país de terceiro mundo, onde não se respeitavam os direitos das indefesas crianças, sentindo-se estas ofendidas pela ausência dos elementares deveres paternais exigidos aos seus progenitores.
Diariamente, os vários media plantavam-se à porta de fábricas (têxteis, de calçado e outras de índole mais familiar), interpelando crianças com ar assustado e rosto sujo da labuta diária, transportando o farnel a tiracolo, a caminho do seu local de trabalho, imagine-se! O mais caricato de tudo isto é que, a pobreza atinge por vezes determinados limites, onde há lares em que a opção não passa pela escola. Tudo se joga na dicotomia entre o passar fome ou o trabalho.
Sem quaisquer sombra de dúvidas que gostaria que situações destas fossem irradiadas da sociedade onde me insiro. Nunca fui a favor da emancipação laboral precoce e, sempre que isto acontece, devemos ecoar bem alto, apontando o dedo aos prevaricadores e aproveitadores.
Uma coisa nunca percebi. Porque será que os tais media nunca foram para a porta de produtoras cinematográficas, casas de espectáculos ou de actuações similares, onde diariamente crianças, a troco de auspiciosas carreiras de actores são constantemente exploradas? Afinal, não haverá aqui também trabalho infantil?
Quando Portugal sorria e saltava ao som do “bacalhau quer alho”, entoado pelo minúsculo e popular Saúl, num misto de infantilidade e de brejeirismo pimba, quem levantou o dedo, chamando a atenção para a exploração que aquele miúdo sofria face ao evidente aproveitamento dos pais?
Passados alguns anos, os muitos “Saúis” ainda andam por aí, se passeiam e permanecem activos, prontos para a exploração. Há bem pouco tempo, pensando na “galinha dos ovos de ouro”, em Braga, um pai deslocou-se até Lisboa, com um filho de oito anos, repito, oito anos! Na qualidade de “dono” do seu filho, assinou-lhe um contrato como futebolista com um famoso clube da capital. Tirou fotos trajado a rigor, pavoneou-se pelo estádio e, pelo comportamento, deve ter-se sentido um verdadeiro “rei da Prússia”!
Pouco tempo depois, quando confrontado com o desejo de um outro clube querer o filho nas suas fileiras, embrenhado numa frenética ânsia pelo dinheiro, não olha a meios e acha-se no direito de querer assinar um outro contrato com o segundo clube.
Feliz pelo seu comportamento, chama a comunicação social dizendo que o primeiro clube o induziu em erro, o iludiu e não sei mais quantas mentiras e que o filho estava impedido de fazer o que mais gostava: jogar futebol! Ora que eu saiba, um miúdo com oito anos quer ir à escola, brincar com os colegas, jogar o que lhe apetecer no recreio e disso o filho não está impedido! Estará impedido é de ter um pai aproveitador, explorador e manipulador de opiniões.
Aqui está um belo exemplo de trabalho infantil, entre muitos outros que grassam por esse país fora. Pelos vistos, trabalhar numa fábrica, angariando precocemente algum sustento para um agregado a viver em situação calamitosa e de miséria é exploração infantil. Todavia, pais esconderem-se por detrás de uma pretensiosa carreira para dela retirarem os seus dividendos não será exploração? Querem melhor evidência para os tais “dois pesos e duas medidas”?

segunda-feira, novembro 19, 2007

Contra os mandriões, assobiar, assobiar!...

Já passou mais de um século desde a invenção do futebol. No início, um qualquer confronto desportivo tinha como fundamento aquela premissa muito célebre em que “ganhar ou perder era desporto”.
Por norma, o adepto apoiava o clube da sua terra, do seu bairro, da sua proximidade ou mesmo do seu país. Foi assim que, em anos sucessivos, cresceram massas de simpatizantes, ávidos de espectáculo, de bom futebol e, consequentemente, de resultados positivos. Por estas alturas, o dinheiro não era quem mais ordenava e, assim sendo, conjugava-se um misto harmónico entre adepto e equipa de futebol.
Por mais que o queiramos encobrir, os tempos mudaram e hoje, os interesses que regem a actuação dos atletas é outro. Há uma grande conveniência em representar a selecção nacional pelos dividendos económicos que daí se retiram. Não vejo nos dias que correm e estampado nessa representação, o orgulho, o esforço e a dedicação de outrora.
Os jogadores, pomposa e gigantescamente bem pagos, limitam-se a cumprir com os mínimos, coisa que nem sempre conseguem. Derrotas, empates e espectáculos deprimentes, sem brio e sem brilho perante equipas cujo ranking mais se assemelha a um “terceiromundismo do futebol”, são hoje mais do que comuns.
Não compreendo então que, para assistirmos a tamanhos e tão deprimentes espectáculos, se exija aos torcedores um bolso cheio de dinheiro, sobretudo quando se trata do tal “clube do coração”.
Quando vou a uma ópera, a um bailado, ou a um qualquer concerto, depois de pagar o meu ingresso, a única coisa que peço ou de que estou à espera, é de um espectáculo que me encha o olho e não, esperar ansiosamente pelo insubstituível “the end”. Aqui, não me importa que seja o meu vizinho, o meu conhecido ou alguém que mora nos antípodas. Importa que, enquanto actores e artistas me brindem com um espectáculo condizente com a quantia que voluntariamente despendi e com o prestígio que evidenciam junto da sociedade.
Por estes dias, um número elevado de espectadores premiou a selecção nacional de futebol com um estrondoso coro de assobios perante tão paupérrima exibição diante da sua congénere Arménia. Vieram logo a terreiro muitas gargantas argumentar que eles, os jogadores, andavam lá a fazer o seu melhor e a cumprir com os seus objectivos que era vencer! Como se vencer pela margem mínima, alguém que se encontra na cauda da tabela fosse algo de extraordinário!
Não penso assim. Quando se trata de representar e, quando para tal somos pagos e bem pagos para o fazer, acho que temos o direito e o dever de colocar “toda a carne no assador”, sobretudo, por respeito a quem paga exorbitantes quantias e aos acérrimos seguidores do tal clube do coração.
Já terá passado pela cabeça algum dia, quando contratamos um picheleiro para nos consertar o autoclismo do WC e, findo o trabalho com sucesso, batermos palmas ao bem sucedido descarregar da água? Já alguém imaginou eu plantar-me perante a minha impressora e, depois de seleccionar “print” a impressora começar a imprimir um determinado ficheiro e eu ovacioná-la efusivamente? Se assim fosse, no final de cada viagem que faço, o meu “petit Jaguar”, leia-se Opel Corsa, passava a corar com tantas ovações que merece!
Pois é, enquanto houver um conjunto de “prima donas” em determinados sectores do nosso mundo – político, social, cultural ou outro – não deixaremos nunca de olhar apenas e só para a biqueira das nossas botas, impedindo-nos de uma visão um pouco mais além e bem mais abrangente.

quarta-feira, novembro 07, 2007

O "negócio" da China!...

É sabido que a Europa viveu um apogeu económico ao longo de todo o século XIX, fruto essencialmente de uma gigantesca “Revolução Industrial” que resultou em economias fortes e prósperas. Esta industrialização cruzou a quase totalidade dos países do “velho continente”.
Enquanto isto, Portugal entretinha-se com lutas intestinas entre absolutistas e liberais, arrasando o país num caos social e financeiro, sem estruturas e sem meios de produção, capazes de ombrear e concorrer com as demais economias europeias.
Foi assim que Portugal cavou e deu início a um fosso profundo de desenvolvimento para com os seus pares, posicionando-se na cauda do progresso europeu. Em vez de aproveitarmos um conjunto de inovações técnicas capazes de catapultar a nossa economia para patamares elevados, entretivemo-nos com brigas pelo poder e com lutas políticas sem qualquer sentido.
Com a ascensão dos países ricos e com a cada vez maior necessidade em falar a mesma língua, Portugal demorou a compreender o quão importante era a obrigatoriedade do ensino de uma língua transversalmente falada. Preocupávamo-nos, pura e simplesmente, em saber ler, escrever e contar, premissas dignas de um Estado arcaico e baseadas na altivez do “orgulhosamente sós”.
Hoje, há muito que a língua inglesa se encontra enraizada no quotidiano das pessoas e há muito que ela se pôs em prática. Contudo, a obrigatoriedade do ensino dessa mesma língua, apenas recentemente surgiu como uma grande bandeira, como um verdadeiro acto heróico governativo!
A mim, soa-me de forma diferente. Acho que com esta medida voltámos ao século XIX a correr atrás do último do pelotão da frente. Hoje, com economias orientais prósperas, com crescimentos nunca dantes vistos, não será fácil de perceber que dentro de uma década, colossos asiáticos como a China são os que dominam os mercados mundiais.
A ser assim, para além da tecla já gasta e envelhecida do inglês nas nossas escolas porque é que o governo, numa atitude inteligente, racional e inovadora, não aproveita o contacto já estabelecido no século XVII, nas relações comerciais entre portugueses e chineses e promove o ensino do “mandarim” nas nossas escolas? Pegando no estilo “Professor Marcelo”, é uma medida arrojada? É! É uma medida possível? É! Traz benefícios futuros? Traz! Dá projecção ao governo? Muita!
Se outrora, em vez da industrialização, optámos pelas lutas internas e fomos mal sucedidos, porque não aprender hoje com os erros do passado e criamos condições e estruturas prontas para responder a desafios futuros, capazes de nos proporcionar um assento privilegiado no pelotão da frente? É que, é sempre preferível ser o último dos primeiros do que o primeiríssimo dos últimos!...

terça-feira, outubro 30, 2007

"Filhos do Photoshop"!...

Sempre ouvi dizer que não devemos brincar com coisas sérias mas hoje, apetece-me inverter esta premissa. Passados que foram tantos meses, em que tanto se contou e inventou e tanto alarido se fez em redor do mediático, gasto, enfadonho e original caso McCann, que me senti na obrigação de a ele adicionar também a minha opinião. Há muito que estes invulgares britânicos me vêm aborrecendo com as suas paranóias. Por isso, é chegada a minha vez de usar de alguma ironia. Afinal, parece que o sol quando nasce é para todos!
Logo no início desta novela, não me pareceu nada normal que um casal de gente que aparentava um ar natural e uma vida comum a tantas outras pessoas, fizesse um tamanho alarido nunca dantes visto, sobre um pseudo desaparecimento, socorrendo-se de todos os media e mais alguns que, graças a um forte jogo de influências políticas e de poder, rapidamente puseram meio mundo “à cata” de uma jovem, alegadamente raptada.
Logo aqui me apetece substituir a teoria do “alegadamente raptada” pela do “seguramente abandonada” (pelos pais) como já foi provado. No entanto, depois dos seus invulgares comportamentos e de todo este “show off” maquinado por este egocêntrico, paranóico e demente casal, hoje tenho razões para acreditar que estamos perante um “verdadeiro” fenómeno virtual.
À luz desta minha linha de pensamento, a criança de nome “Madeleine” não existe nem nunca terá existido. Os seus progenitores, donos de uma admirável astúcia e imaginação, terão seguido as pisadas do nosso portuguesíssimo Fernando Pessoa, quando animou os seus heterónimos, dando-lhes um nome (ex. Álvaro de Campos), uma idade, uma profissão, habilitações. Desta forma, também este casal criou o seu heterónimo, com um detalhado perfil, cujo nome passou a ser Madeleine McCann.
Fruto de uma sagaz utilização das renovadas tecnologias que o cidadão comum tem ao seu dispor e de um bom domínio informático, este casal, socorrendo-se do programa informático de edição de imagem – “Photoshop”, terá dado contornos reais a um projecto imaginário que há muito percorria a sua mente. Assim, graças a esta singular capacidade criativa, atribuíram-lhe um nome, uma data de nascimento, com uma idade e um perfil com aturado detalhe.
Quem sabe, fruto de uma mente “idiota” (fértil em ideias), este casal não busca nesta encenação à escala global um bom “estudo de caso” capaz de suportar um original tema de investigação para um qualquer doutoramento? Talvez busquem uma resposta sobre como criar um fundo de solidariedade internacional sustentada nesta compassiva ideia?
Porque será que esta família nunca terá sido vista acompanhada com três crianças, mas apenas com duas? Porque terá sido provado que Gerry não é o pai biológico da criança desaparecida? Por outro lado, não há qualquer indício de que o casal tenha entrado em Portugal com três crianças nem, até ao momento, terá sido descoberto qualquer registo de nascimento com o nome de Madeleine McCann, filha do casal.
E ando eu tão ansioso e absorvido a estudar as consequências que o sistema digital provocou no dia a dia das pessoas! Querem melhor exemplo do que os “filhos do Photoshop”?...

sexta-feira, outubro 26, 2007

A beleza campesina!...




Quem nasceu, cresceu e se habituou ao ambiente urbano, com todas as suas virtudes, vícios e práticas e desconhece o lado oposto, ou seja, o ambiente rural, campesino e quase sempre agrícola, não imagina a ignorância em que vive e a perda que este desconhecimento provoca.
É certo que, na maior parte das grandes urbes, a oferta de serviços, de entretenimento e de iniciativas culturais se afigura desigual. No sentido inverso, o campo oferece-nos calma, tranquilidade, liberdade e aquela paz que tanto desejamos nos dias que correm.
É comum sentir nas sociedades urbanas actuais problemas relacionados com o stress, cansaço e esgotamento psíquico. Ora, quando falamos de esgotamento psíquico junto de um qualquer aldeão, é ver o seu semblante de espanto! Perguntar-me-á ele: e o que é isso de esgotamento? Provavelmente, pensará para com os seus botões: deve ser uma extenuação provocada pelo árduo trabalho braçal que diariamente exerce!
Não quero aqui exprimir a supremacia da cidade sobre o campo ou vice-versa. Simplesmente penso que o campo exerce sobre mim um forte determinismo que me provoca a sua preferência quando procuro aquela tão desejada autenticidade, a paz e a vida saudável. Nesta linha de pensamento, o poeta Cesário Verde “pintou” e exprimiu como ninguém esta dicotomia entre o frenesim doentio da cidade e o bucolismo saudável do campo.
Aproveitando a sua linha de pensamento, cabe-me caracterizar com imagens o porquê da minha preferência. Afinal, o campo é um espaço de vitalidade, de alegria, de beleza que nos oferece uma vida saudável em contacto directo com a natureza! As paisagens apresentam-se como verdadeiras aguarelas vivas e à mercê de um simples olhar. Porque não aproveitá-las?
NR: As fotos são a visão do autor.

terça-feira, outubro 16, 2007

Há muito, muito tempo!...

Quem já viveu a casa dos vinte, dos trinta e se passeia pela dos quarenta teve e tem a grata oportunidade de se cruzar ao longo destes anos com estilos musicais diferenciados, mesmo que cantados pelo mesmo grupo ou pelo mesmo interprete.
Já por diversas vezes me deparei, ouvindo amigos, e eu próprio também, a enaltecer a valia, o brilhantismo e a preferência que damos e este ou aquele grupo musical. Muitas das vezes, essas preferências acompanham-nos desde aqueles idos anos, não nos apercebendo nós que o tempo foi passando, a música ganhou novos contornos e o cantor também foi ganhando cabelos brancos.
Quando se fala nos Rolling Stones, vem-nos logo à memória o “I can get no” ou o “Start me up”; quando nos lembramos dos Dire Straits vem-nos à recordação o “Walk of life” ou “Sultans of swing”; quando evocamos os Scorpions, o “Still loving you” é, por assim dizer, o seu mais famoso cartão de visita.
Como em tudo, a vida também passa e, a interpretação dada a estas “populares” canções pelos seus grupos, tornou-se hoje muito diferente. Diferente porque os tempos mudaram e diferente porque a genica, a forma física e outros factores naturais levaram a estas alteradas interpretações.
Ouvir hoje Bob Dylan, Roger Waters ou Peter Gabriel soa a um certo suplício pois já não se apresentam acompanhados da voz, do fulgor e do brilho de outrora. Porventura, e deixando escapar um laivosinho de ironia, a cadeirinha de rodas seria talvez o instrumento mais aconselhado de acompanhamento!
Por outro lado, uma vez que a idade retira muito do esplendor aos vários interpretes, não é menos verdade que, se o retira às canções antigas e conhecidas, também o afasta nas novas canções, muitas vezes entoadas de forma diferente e sempre debaixo de uma glória póstuma, outrora conquistada.
Definitivamente, prefiro continuar a ouvir o “Start me up”; o “Another break in the wall”; o Sultans of swing; o Caetano Veloso com o seu maravilhoso e arrasador “Silêncio” ou os “Vinte anos” do José Cid do que ouvir da boca destes embaixadores da lusofonia, agora na casa dos sessenta, novas canções como “Estou-me a vir” ou “Favas com chouriço”.
As mudanças são e serão sempre bem vindas mas… também não era preciso tanta originalidade!...

quinta-feira, outubro 04, 2007

Ai se houvesse monarquia!...

No passado mês de Agosto celebrou-se o centenário do nascimento do médico Adolfo Correia da Rocha que, fruto de uma vasta e excepcional obra poética e literária, conhecido pelo pseudónimo de Miguel Torga, acabou por deixar marcas bem esculpidas na cultura portuguesa.
Começa a ser familiar e é com alguma naturalidade, que estes eventos são acompanhados e presenciados por destacados membros do Governo, sobretudo por aqueles que se encontram mais ligados às áreas da Cultura e/ou da Educação. Muitas das vezes até marcam a sua presença sem que o evento o mereça mas, não seria certamente este o caso, dado tratar-se de uma ímpar e incontornável figura da nossa literatura.
Mas, afinal o que se passou no pretérito mês de Agosto? Os membros do Governo, talvez mobilizados para banhos no Algarve; distraídos num qualquer safari pelo Quénia ou numa outra qualquer paragem, alhearam-se por completo desta efeméride, não se fazendo representar por qualquer individualidade, cujo peso e importância fossem condizentes com aquele relevante momento.
Pensei: que terá feiro o saudoso Torga para tamanho ostracismo? Terá a ver com ideais políticos? Não me parece pois, pela conversa que mantive com algumas pessoas próximas do escritor, percebi que a sua ideologia política até pendia para o flanco esquerdo!
Volvido cerca de um mês, o tal Governo que tinha acabado de ostracizar Torga, desenvolve uma engalanada e bem montada cerimónia, trasladando para o Panteão Nacional o corpo do escritor Aquilino Ribeiro, como forma de perpetuar a sua memória, enaltecendo a excepcionalidade da sua obra e o seu aguerrido carácter.
O Governo marcou presença em peso para nesta cerimónia, não se coibindo de arranjar mil e um argumentos para tamanha distinção. A meu ver, escusavam de ter ido tão longe, ou melhor, escusavam de ter ficado “tão perto” com o esquecimento dado a Torga.
Teceram-se mil e um argumentos, rasgaram-se múltiplos elogios a Aquilino e à sua obra só que, o melhor tributo que as entidades governativas poderiam ter feito era acordar os livros da sua autoria que se encontram adormecidos nas velhas e poeirentas estantes e difundi-los pelas escolas. Esta era uma velha prática na década de setenta, onde a qualquer estudante do ensino secundário se pedia como tarefa de carácter opcional a leitura da obra “O romance da raposa”, uso que com os sucessivos governos democráticos saiu da “ementa” escolar.
Mas, voltando ao dualismo comportamental do Governo perante estas duas cerimónias, parece-me óbvio que não terá sido apenas a invulgar capacidade na escrita de cada um. A avaliar pela presença e distinção, pareceu-me de grande importância o facto de Aquilino ter sido terrorista, ter participado no regicídio e ter sido anti fascista.
Com duas certezas concluo esta minha reflexão: o Governo nunca perderá tempo comigo numa qualquer cerimónia pois não tenho quaisquer dotes poéticos. Por outro lado, jamais terei assento no Panteão Nacional pois sempre renunciei ao terrorismo; o país já não tem monarca para assassinar e já não vou a tempo de ser anti fascista!
Será que ser anti populista também dá pontos? É que se assim for, ainda acalento alguma esperança!
Valha-me Santa Engrácia!...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Os românticos da política!...

Mal vai um país quando o desejo de poder, o anseio por lugares decisórios e de destaque se sobrepõem às verdadeiras responsabilidades de cidadania e de representatividade. Mas, o que ainda é mais grave é quando se sobrepõem aos propósitos de um verdadeiro Estado democrático, que se quer igualmente de direito!
Em Portugal habita uma jovem democracia, como muitos apregoam. Todavia, este jovem e imperfeito sistema político, mesmo”verde” já mostra uma putrefacta fase “neo adolescente” empedernida numa viciação de práticas, compadrios e jogos de poder muito pouco saudáveis para tamanha “juventude”.
Afinal, parece que o rei vai nu. A “partidocracia” portuguesa, sobretudo nestes últimos dias, tem dado uma péssima imagem daquilo que preceituam as tradicionais e genuínas democracias modelo! Inquieta-me que no seio dos partidos políticos, o desejo pelo poder seja desmedido, existindo com frequência atropelos às regras de boa conduta (eu falei em boa conduta!) dignas de um verdadeiro Estado “terceiromundista”.
Afinal comparamo-nos com o resto da Europa para umas coisas e depois, na prática, comportamo-nos como um qualquer despótico Estado africano? Pegando numa ideia deixada por Eça nos “Maias”, somos todos realistas mas, no fundo, não passamos de românticos!
É confrangedor ver partidos a auto intitularem-se de garantes da democracia representativa, comportando-se como autênticas sanguessugas, espalhando aqui e acolá os seus vermes como forma de tentaculizar o poder, bem ao jeito do “rei leão” na sua extensa savana.
Como pode o Partido Social Democrata, partido com largos pergaminhos na política nacional, partido de poder e há muito a maior voz da oposição, a propósito de uma normal eleição do seu líder, arranjar tantos problemas como aqueles que têm vindo a público?
Como poderei eu confiar nestes ditos representantes se nem os seus próprios pares neles confiam? O que pensarei eu sabendo que há mortos a votar; que quem não paga as quotas também vota ou então, num arranjinho de última hora, o empresário lá do sítio, a troco de futuros favorecimentos, paga na mesma caixa Multibanco, as quotas de dezenas de “figurantes”? É isto a representatividade?
Como é que sendo um partido à escala nacional tem nichos diferenciados de comportamentos e de benesses? É que, a haver regras, elas devem ser aplicadas em todo o seu universo!
Abomino este “peditório” para o qual nunca contribuí. Tenho ouvido nos últimos dias falar de seriedade, elevação e competência. Parece-me um verdadeiro atropelo às qualidades humanas quando se apela a estes nobres valores, mesmo sabendo de antemão que são meras figuras retóricas para quem as profere. Haja decência e tino na língua. Ou então, façam-me um favor: vão-se embora, por amor de Deus!... Acreditem que no final, eu rezo pela vossa alma!