Por estes dias, a Direcção Geral das Contribuições e Impostos (DGCI) lançou o pânico no “universo casamenteiro”, ao remeter um pedido em tom de ameaça aos recém-casados, pedindo-lhes para que respondessem a um questionário, proporcionando assim à máquina fiscal, um extenso conjunto de informações e detalhes relacionadas com a cerimónia matrimonial que cada um realizou. Astutamente e para isso, a administração fiscal alegou o “dever de colaboração” nesta verdadeira devassa e desrespeito pela privacidade de cada um, ameaçando com o pagamento de coimas e a consequente instauração de processos a quem não respondesse e em tempo oportuno ao dito questionário.
Bom, eu lembro-me de uma prática muito apreciada e muito parecida com esta no tempo da ditadura fascista, quando à época, o regime, a seu belo prazer, dispunha do sagaz papel do “informador”, vulgarmente conhecido por “bufo”.
Como é que, depois da viragem do século e passadas já várias décadas, nos exijam, com esta prática, que voltemos aquele passado cinzento e temeroso que então vivíamos? Que antifascistas foram ou se intitulam agora estes?
O ridículo de tudo isto tem a ver com o teor das questões colocadas! Entre muitas, questiona-se se existiu ou não outro casamento ou outro qualquer evento no mesmo dia e no mesmo lugar; qual o número de convidados adultos e crianças; quanto foi o valor cobrado por cada um deles; se o vestido de noiva, tinha sido oferecido e, se afirmativo, por quem e quanto pagou o oferente; como foram pagos os diversos serviços prestados, como o “copo-d’água”. Se tiver sido por cheque, qual a data do mesmo, o banco e o seu número. Questiona-se mesmo se o pagamento terá sido feito, por exemplo, de forma parcelar e com cheques pré-datados. É ainda dever dos “pombinhos” identificar cada um dos cheques e, se possível, enviar fotocópias dos mesmos. Ora, aqui está um “serviço cinco estrelas” e a custo zero!
Para quando adoptar semelhantes inquéritos aos serviços que as “off shores” prestaram aos bancos? Para quando estas inquirições à generalidade dos profissionais liberais; aos donos de Ferraris que mal sabem conjugar sujeito com predicado; às grandes casas de advogados; aos médicos; aos arquitectos, sem esquecer os engenheiros? Quando é que o governo, numa verdadeira medida reformista, obriga à emissão de factura para tudo o que for transacção? Porquê tanta importância aos negócios nas tais quintas e não se investigam as transacções diárias efectuadas na generalidade dos restaurantes?
Se este inquérito ganha forma, e com perguntas cada vez mais apelativas e criativas, um dia destes ainda me vão perguntar qual a cor da cuequinha que a minha noiva usou nesse dia, se ela era virgem, se tem implantes, ou se eu já ia com a “rodagem” feita. Apetece-me lembrar aquela velha canção que dizia que “mais do que dois, nestas coisas do amor, já é muita gente” e eu, não estou a ver muito bem, onde terminará este “ménage à trois”!...
Bom, eu lembro-me de uma prática muito apreciada e muito parecida com esta no tempo da ditadura fascista, quando à época, o regime, a seu belo prazer, dispunha do sagaz papel do “informador”, vulgarmente conhecido por “bufo”.
Como é que, depois da viragem do século e passadas já várias décadas, nos exijam, com esta prática, que voltemos aquele passado cinzento e temeroso que então vivíamos? Que antifascistas foram ou se intitulam agora estes?
O ridículo de tudo isto tem a ver com o teor das questões colocadas! Entre muitas, questiona-se se existiu ou não outro casamento ou outro qualquer evento no mesmo dia e no mesmo lugar; qual o número de convidados adultos e crianças; quanto foi o valor cobrado por cada um deles; se o vestido de noiva, tinha sido oferecido e, se afirmativo, por quem e quanto pagou o oferente; como foram pagos os diversos serviços prestados, como o “copo-d’água”. Se tiver sido por cheque, qual a data do mesmo, o banco e o seu número. Questiona-se mesmo se o pagamento terá sido feito, por exemplo, de forma parcelar e com cheques pré-datados. É ainda dever dos “pombinhos” identificar cada um dos cheques e, se possível, enviar fotocópias dos mesmos. Ora, aqui está um “serviço cinco estrelas” e a custo zero!
Para quando adoptar semelhantes inquéritos aos serviços que as “off shores” prestaram aos bancos? Para quando estas inquirições à generalidade dos profissionais liberais; aos donos de Ferraris que mal sabem conjugar sujeito com predicado; às grandes casas de advogados; aos médicos; aos arquitectos, sem esquecer os engenheiros? Quando é que o governo, numa verdadeira medida reformista, obriga à emissão de factura para tudo o que for transacção? Porquê tanta importância aos negócios nas tais quintas e não se investigam as transacções diárias efectuadas na generalidade dos restaurantes?
Se este inquérito ganha forma, e com perguntas cada vez mais apelativas e criativas, um dia destes ainda me vão perguntar qual a cor da cuequinha que a minha noiva usou nesse dia, se ela era virgem, se tem implantes, ou se eu já ia com a “rodagem” feita. Apetece-me lembrar aquela velha canção que dizia que “mais do que dois, nestas coisas do amor, já é muita gente” e eu, não estou a ver muito bem, onde terminará este “ménage à trois”!...