Andam para aí meia dúzia de aproveitadores baratos a emitir opiniões, despidas de argumentos suficientemente válidos e credíveis, a favor ou contra a localização do futuro aeroporto de Lisboa, perdão de Alcochete; desculpem, para ser preciso, de Benavente.
É por demais evidente que, quem é a favor da Ota é porque por lá tem grandes interesses. Quem é contra, é porque dessa localização, não retira quaisquer proveitos, apenas e só o incomodativo ruído produzido, associado à perda da tão desejada tranquilidade. Por outro lado, quem defende ou se posiciona contra Alcochete, fá-lo à luz da mesma dicotomia anteriormente traçada.
Outros há que, escondidos por detrás do manto dos problemas ambientais, sempre em moda, argumentam com os malefícios que irão sofrer os vastos habitats que aí se desenvolvem. Entre muitas outras coisas, fala-se muito na importantíssima e vital comunidade de “maçaricos-de-bico-direito” que irá ser despojada das suas habitações e dos malefícios que esta gigantesca obra lhes possa vir a causar.
Ao mesmo tempo, dá-se também grande ênfase a meia dúzia de sobreiros que, consequentemente, serão abatidos, sobreiros esses que apresentam um ar cansado e amarelado, cujos dias parecem há muito contados.
Perante tamanhos e tão eloquentes argumentos, julgo que haverá muito quem queira “sol na eira e chuva no naval” mas, pelo mais que as condições climatéricas mudem, com o frenético aquecimento global, esta máxima permanece fiel à sua essência.
Se repararmos na coerência e na motivação das contestações, é bem visível a forma diferenciada com que o fazemos e a importância que elas geram junto dos órgãos de decisão nacional. Neste sentido, o actual governo, copiando uma ideia implementada em Portugal nos idos anos cinquenta, acaba de lançar um conjunto de projectos hidroeléctricos, dispersos pelo país, mais sentidos na região do Alto Douro. Até aqui tudo seria pacato, ordeiro e de uma grande oportunidade, não fosse a localização de alguns destes mesmos empreendimentos.
Não sei quantos governantes terão tido o feliz prazer, tal como eu tive, de conhecer o rio Sabor. Este afluente da margem direita do Douro tem um caudal único no mundo: é um rio que percorre montes e vales e, em praticamente todo o seu percurso, não é notada a influência da mão humana. É, por assim dizer, um rio selvagem cujo arvoredo que o rodeia esconde uma grande diversidade de habitats de fauna e de flora que, porventura, não encontraremos em mais lado nenhum do mundo. O “barulho silencioso” provocado à passagem das águas límpidas e cristalinas, convida-nos a um mergulho e a abafar a nossa sede, ali mesmo, sem copo nem caneca.
Este ruído fluvial contrasta harmonicamente com os incautos sons provenientes do chilrear dos pássaros e o aspecto verdejante desta deslumbrante paisagem “vangoghiana”. Todavia, aqui não há os tais maçaricos, importantes para o vitalismo de uma qualquer manifestação e, como tal, este fascinante e sedutor cenário, por si só não é suficiente para fazer parar a construção de uma barragem.
Como a memória é curta! Ainda há bem pouco tempo, um alto governante português, do cimo da sua poltrona, bradando em tom irónico, satirizando com a submersão das figuras paleolíticas do Côa, ia dizendo que “as gravuras não sabiam nadar”! Como agora, mais do que nunca, compreendo Eça de Queirós! Afinal, “Lisboa é a capital e o resto é paisagem”!...
É por demais evidente que, quem é a favor da Ota é porque por lá tem grandes interesses. Quem é contra, é porque dessa localização, não retira quaisquer proveitos, apenas e só o incomodativo ruído produzido, associado à perda da tão desejada tranquilidade. Por outro lado, quem defende ou se posiciona contra Alcochete, fá-lo à luz da mesma dicotomia anteriormente traçada.
Outros há que, escondidos por detrás do manto dos problemas ambientais, sempre em moda, argumentam com os malefícios que irão sofrer os vastos habitats que aí se desenvolvem. Entre muitas outras coisas, fala-se muito na importantíssima e vital comunidade de “maçaricos-de-bico-direito” que irá ser despojada das suas habitações e dos malefícios que esta gigantesca obra lhes possa vir a causar.
Ao mesmo tempo, dá-se também grande ênfase a meia dúzia de sobreiros que, consequentemente, serão abatidos, sobreiros esses que apresentam um ar cansado e amarelado, cujos dias parecem há muito contados.
Perante tamanhos e tão eloquentes argumentos, julgo que haverá muito quem queira “sol na eira e chuva no naval” mas, pelo mais que as condições climatéricas mudem, com o frenético aquecimento global, esta máxima permanece fiel à sua essência.
Se repararmos na coerência e na motivação das contestações, é bem visível a forma diferenciada com que o fazemos e a importância que elas geram junto dos órgãos de decisão nacional. Neste sentido, o actual governo, copiando uma ideia implementada em Portugal nos idos anos cinquenta, acaba de lançar um conjunto de projectos hidroeléctricos, dispersos pelo país, mais sentidos na região do Alto Douro. Até aqui tudo seria pacato, ordeiro e de uma grande oportunidade, não fosse a localização de alguns destes mesmos empreendimentos.
Não sei quantos governantes terão tido o feliz prazer, tal como eu tive, de conhecer o rio Sabor. Este afluente da margem direita do Douro tem um caudal único no mundo: é um rio que percorre montes e vales e, em praticamente todo o seu percurso, não é notada a influência da mão humana. É, por assim dizer, um rio selvagem cujo arvoredo que o rodeia esconde uma grande diversidade de habitats de fauna e de flora que, porventura, não encontraremos em mais lado nenhum do mundo. O “barulho silencioso” provocado à passagem das águas límpidas e cristalinas, convida-nos a um mergulho e a abafar a nossa sede, ali mesmo, sem copo nem caneca.
Este ruído fluvial contrasta harmonicamente com os incautos sons provenientes do chilrear dos pássaros e o aspecto verdejante desta deslumbrante paisagem “vangoghiana”. Todavia, aqui não há os tais maçaricos, importantes para o vitalismo de uma qualquer manifestação e, como tal, este fascinante e sedutor cenário, por si só não é suficiente para fazer parar a construção de uma barragem.
Como a memória é curta! Ainda há bem pouco tempo, um alto governante português, do cimo da sua poltrona, bradando em tom irónico, satirizando com a submersão das figuras paleolíticas do Côa, ia dizendo que “as gravuras não sabiam nadar”! Como agora, mais do que nunca, compreendo Eça de Queirós! Afinal, “Lisboa é a capital e o resto é paisagem”!...