quinta-feira, abril 26, 2007

A senhora da bata branca!...

Desde tenra idade que, periodicamente, a minha mãe me levava a Vila Real, para aí poder tomar as habituais vacinas, importantes naquela ainda fresca idade! As “B.C.G.”, as vacinas anti poliomielítica, anti tetânica ou mesmo anti diftérica, todas elas experimentei.
Uma que eu nunca ousei tomar foi a “anti fobia”. Embora não constasse do “Boletim Individual de Saúde”, a ausência desta pseudo vacina acabou por marcar muito a minha vida futura. Durante anos vivi assustado com o horror das vacinas. Quando entrava naquela rua, única que eu conhecia em Vila Real, já ninguém me conseguia convencer a avançar. Imediatamente, se apoderavam de mim estímulos dignos de um verdadeiro “pavlovianismo” primário. Vacinas, injecções, agulhas e senhoras de bata branca tornavam-se “personas não gratas” no meu subconsciente, semeando em mim um pavor desmedido.
Porque não tomei a vacina “anti fobia”, este medo acabou por me acompanhar ao longo da vida. Sempre que se torna necessário tomar injecções, a minha pergunta imediata é se não existe a correspondente em comprimido ou se não haverá uma pomada milagrosa que me iniba deste sofrimento.
O dentista é, por assim dizer, o último pavor que venho experimentando. Os odores envolventes do consultório, o aspirador esquisito, o barulho infernizante das brocas e os arrepios que provocam, acabam por me pôr os cabelos de pé. Como se tudo isto não bastasse, quando chega o desesperado momento de entrar a porta do consultório e, já depois de me sossegarem, ouço num bom português: “senhor, preciso anestesiá-lo porque o sinto demasiado ansioso e tenso”! Sem pestanejar, penso para comigo: mas… para me anestesiar é preciso injectar-me e isso envolve agulhas!
Já não bastavam as brocas e os seus horripilantes sons e ainda vou ter de ser injectado? Meu Deus, que mais me irá acontecer? Por momentos, enquanto fito a senhora que amavelmente me tentava sacudir daquele pânico, olho-a e sinto que a bata é branca, muito semelhante àquela que, décadas antes, me apavorava em Vila Real.
Todavia, havia agora algumas diferenças: a rua e a cidade não são hoje as mesmas e já não era a minha mãe quem me levava pela mão. Hoje, apesar dos omnipresentes medos sou eu a deslocar-me pelo meu próprio pé e a simpatia e amabilidade com que sou atendido são agora outras também.
Mas, apesar de todas estas diferenças e da evolução comportamental verificada, a bata ainda não mudou de cor no meu pensamento, que é como quem diz, o medo, o trauma e o pavor permanecem inabaláveis no meu espírito!...

sexta-feira, abril 20, 2007

O "simplex" e o "durex"!...

Admito os meus parcos conhecimentos em economia. O que não implica que não resolva com facilitado êxito as elementares contas, mesmo aquelas que envolvem várias operações, sem o necessário recurso da máquina calculadora.
Um outro dado importante é que, desde tenra idade, aprendi a trotear a tabuada nos bancos da escola primária, aquelas que “arcaicamente”, ostentavam em local de destaque o tal crucifixo que já muita tinta fez correr! As mesmas salas que os governantes dizem hoje que não apresentam condições satisfatórias para aquilo que a elementar “cartilha maternal” invocava: ler, escrever e contar.
É de vital importância que saibamos ler, como o é a capacidade de nos expressarmos, assim como do poder de cálculo. Parece primário tudo isto, mas é tão-somente, a base elementar para a obtenção de um qualquer “canudo académico”!
Mesmo considerando-me um desconhecedor profundo de aspectos englobantes da macro ou da micro economia, pensava eu que esta era uma ciência que, ao envolver números, se tratava de um saber com alguma dose de exactidão. Mas… pelos vistos, não é!
Há uns anos, uma determinada equipa governativa, como forma de esconder os números elevados do deficit português, fabricou um sistema de cálculo engenhoso, de maneira a ocultar a verdadeira dimensão dos números. Numa jogada habilidosa e omissa, passou a vender património ao desbarato e a promover algumas nacionalizações de promissoras empresas, para assim amenizar a astronómica soma, enganando o “Zé-povinho”!
Nos dias de hoje, as cores que presidem à governação são outras e as matreirices também. Todavia, a omissão e a engenharia para lá chegar são muito idênticas. Este governo, fruto da invasão empreendida ao bolso dos contribuintes, sem a devida autorização, aumentou-lhes os impostos, impediu as suas progressões e promoções profissionais, retirou-lhes algumas regalias sociais e de saúde, encerrando urgências e taxando generalizadamente os internamentos hospitalares, indo aí buscar muitos dos argumentos com que hoje se vangloria.
Definitivamente, suporto a existência de analfabetismo mas não suporto a omnipresente mentira governativa, a omissão, o medo e a censura dos números.
Invocam-se grandes reformas para justificar este “oásis” em que vivemos. Embora o “simplex” e o “durex” rimem, não significam de todo a mesma coisa! O verdadeiro ensino do português também passará pela instrução das boas práticas da verdade, em detrimento do exagerado culto da mentira, que por norma tem “perna curta”! Tem “perna curta” mas anda, lá isso anda!
Percebo agora porque há um número tão elevado de portugueses a virar as costas a estes políticos quando são chamados às urnas!
A verdadeira e urgente reforma é a do afastamento desta engenharia da mentira. Nesse dia, garanto que as escolas de excelência, passam a emitir diplomas de curso verdadeiros, aos dias de semana e não aos domingos. Quem sabe se, com a aplicação do tal “simplex”, não possamos conseguir Engenheiros num só dia! Se for ao domingo, tanto melhor! Produtividade sem limites!...

segunda-feira, abril 16, 2007

O fado deste meu "fado"!...

Ao longo da nossa vida somos tentados, por vezes, a não experimentar, a não fazer ou a não assistir a novas sensações ou situações para as quais julgamos não estar preparados. Temos por hábito criar alguns “anti corpos” quando nos deparamos com essas insólitas situações.
Desde criança que me fui acostumando a ouvir fado. Vozes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Zeca Afonso ou Adriano Correia de Oliveira muito cedo foram marcando alguns dos meus compassos musicais. Contudo, nunca fui um grande apreciador deste estilo musical. Embora apreciasse muito estas vozes, jamais me terá passado pela cabeça assistir a um qualquer evento desta natureza, sobretudo por achar o fado um estilo musical demasiado melancólico para o meu gosto.
De “pé atrás” e, com alguma desconfiança, no passado Sábado, lá despi os tais “anti corpos” e decidi-me a assistir ao concerto da fadista Mariza. Uma bela surpresa! Diria antes, uma magistral surpresa!...
Contrariamente a outros concertos, quando entro na sala, vejo uma plateia híbrida: ao meu lado, posicionava-se uma bela jovem, aparentando um pouco mais de um quarto de século. Do outro, uma senhora muito perto dos setenta. Em frente, famílias inteiras que, percebendo as suas idades, seriam compostas por avós, filhos e netos. Espalhados aqui e acolá encontravam-se pares de namorados intercalados por pais e filhos “degustando” aquele belo momento.
De repente, Mariza entra e a plateia não se faz rogada nos aplausos! A beleza da sua voz e a auréola de esplendor que transporta não deixam ninguém insensível! De voz forte, profunda e doce, esta bela diva arranca-me os primeiros arrepios e aplausos! Aquele “boa noite” suave e delicioso conquistou-me logo ali!
Aos poucos, as músicas sucediam-se e a sua dócil conversa com o público foi, aqui e acolá atenuando a “tensão”, como ela mesma dizia. Os arrepios aumentavam a cada mudança da tonalidade na sua voz. Que voz linda aquela que perpassava o meu ouvido!
Mas, o ponto alto do concerto estava reservado para a parte final. Depois de abandonar o palco debaixo de uma monumental ovação, esta “diva do fado” regressa e começa a cantar de forma inédita: sem microfone! “Lindo, lindo! Bravo”, gritava eu!
Ouvindo aquela celestial voz, sem o recurso a estes instrumentos sonoros, confesso que, por momentos, me senti no meio de um daqueles Coliseus Romanos, assistindo a uma qualquer peça teatral. Todavia, com uma grande diferença: lá, quem representasse mal, era insultado e apedrejado!
Por breves instantes, experimentei uma excepcional tentação de insultar e apedrejar a minha diva. Mas… não da forma como o faziam na velha Roma. A mim, insolitamente, apetecia-me insultá-la ainda com mais aplausos e palmas e apedreja-la com flores, muitas, muitas flores!...
Do inigualável momento ficou uma forte paixão pela elegância da figura da Mariza e pela transbordante doçura da sua voz. Afinal, nunca é tarde para experimentar novas sensações!...

quarta-feira, abril 04, 2007

Os sabores pascais!...

Aproveitando esta quadra festiva, gostaria de endereçar a todos quantos por aqui costumam lançar um olhar, particularmente aos amigos/as mais próximos, uma palavra de amizade, desejando-vos uma Páscoa cheia de alegria, de amor e sobretudo, envolta num gigantesco manto de felicidade.
Mas, atenção, cuidado com os chocolatinhos!... É que eles são tão saborosos, tão saborosos, tão saborosos que, de tão saborosos até podem fazer mal… de tão saborosos!...

segunda-feira, abril 02, 2007

Os encantos de Abril!...

“Abril, encantos mil”. Pois é, esta é uma das muitas máximas que associamos a este mês. É o mês que retrata a Primavera na sua plenitude, pintando-a com cores predominantemente verdes, guarnecidas de odores e de aromas sempre muito agradáveis e apetecidos. É por esta altura que as flores desabrocham, os frutos germinam e os pássaros nidificam. Aqui está, em breves pinceladas, a explicação criacionista da nossa existência.
Abril é, por excelência também, o mês da liberdade. Foi por esta altura que se deu uma importante e marcante revolução política em Portugal em que, um cinzentismo e um orgulho solitário, dão lugar a um país de fronteiras e mentalidades abertas, capaz de gerar múltiplos e diversificados fenómenos sociais e culturais.
É também um mês de excelência para a vasta comunidade católica. Normalmente, é por esta altura que se promovem os habituais festejos pascais que percorrem o país de lés a lés, não deixando insensíveis mesmo os crentes mais desatentos e incrédulos!
É também o mês em que muita gente faz anos. Gente famosa e importante, diria eu!
Pelo que foi dito, estes são apenas alguns motivos para festejar Abril. Todavia, haverá sempre circunstâncias adicionais para o comemorar: o reencontro, a compreensão, o amor, o carinho, a força e tantas, tantas outras situações!...
Para melhor expressar e reanimar alguns destes sentimentos, este blog passará a usar como coloração principal, os belos tons verdejantes, associados à esperança e à positividade que o verde brilhantemente exala! Não é um verde à Benfica mas... anda lá muito perto!...