Desde tenra idade que, periodicamente, a minha mãe me levava a Vila Real, para aí poder tomar as habituais vacinas, importantes naquela ainda fresca idade! As “B.C.G.”, as vacinas anti poliomielítica, anti tetânica ou mesmo anti diftérica, todas elas experimentei.
Uma que eu nunca ousei tomar foi a “anti fobia”. Embora não constasse do “Boletim Individual de Saúde”, a ausência desta pseudo vacina acabou por marcar muito a minha vida futura. Durante anos vivi assustado com o horror das vacinas. Quando entrava naquela rua, única que eu conhecia em Vila Real, já ninguém me conseguia convencer a avançar. Imediatamente, se apoderavam de mim estímulos dignos de um verdadeiro “pavlovianismo” primário. Vacinas, injecções, agulhas e senhoras de bata branca tornavam-se “personas não gratas” no meu subconsciente, semeando em mim um pavor desmedido.
Porque não tomei a vacina “anti fobia”, este medo acabou por me acompanhar ao longo da vida. Sempre que se torna necessário tomar injecções, a minha pergunta imediata é se não existe a correspondente em comprimido ou se não haverá uma pomada milagrosa que me iniba deste sofrimento.
O dentista é, por assim dizer, o último pavor que venho experimentando. Os odores envolventes do consultório, o aspirador esquisito, o barulho infernizante das brocas e os arrepios que provocam, acabam por me pôr os cabelos de pé. Como se tudo isto não bastasse, quando chega o desesperado momento de entrar a porta do consultório e, já depois de me sossegarem, ouço num bom português: “senhor, preciso anestesiá-lo porque o sinto demasiado ansioso e tenso”! Sem pestanejar, penso para comigo: mas… para me anestesiar é preciso injectar-me e isso envolve agulhas!
Já não bastavam as brocas e os seus horripilantes sons e ainda vou ter de ser injectado? Meu Deus, que mais me irá acontecer? Por momentos, enquanto fito a senhora que amavelmente me tentava sacudir daquele pânico, olho-a e sinto que a bata é branca, muito semelhante àquela que, décadas antes, me apavorava em Vila Real.
Todavia, havia agora algumas diferenças: a rua e a cidade não são hoje as mesmas e já não era a minha mãe quem me levava pela mão. Hoje, apesar dos omnipresentes medos sou eu a deslocar-me pelo meu próprio pé e a simpatia e amabilidade com que sou atendido são agora outras também.
Mas, apesar de todas estas diferenças e da evolução comportamental verificada, a bata ainda não mudou de cor no meu pensamento, que é como quem diz, o medo, o trauma e o pavor permanecem inabaláveis no meu espírito!...
Uma que eu nunca ousei tomar foi a “anti fobia”. Embora não constasse do “Boletim Individual de Saúde”, a ausência desta pseudo vacina acabou por marcar muito a minha vida futura. Durante anos vivi assustado com o horror das vacinas. Quando entrava naquela rua, única que eu conhecia em Vila Real, já ninguém me conseguia convencer a avançar. Imediatamente, se apoderavam de mim estímulos dignos de um verdadeiro “pavlovianismo” primário. Vacinas, injecções, agulhas e senhoras de bata branca tornavam-se “personas não gratas” no meu subconsciente, semeando em mim um pavor desmedido.
Porque não tomei a vacina “anti fobia”, este medo acabou por me acompanhar ao longo da vida. Sempre que se torna necessário tomar injecções, a minha pergunta imediata é se não existe a correspondente em comprimido ou se não haverá uma pomada milagrosa que me iniba deste sofrimento.
O dentista é, por assim dizer, o último pavor que venho experimentando. Os odores envolventes do consultório, o aspirador esquisito, o barulho infernizante das brocas e os arrepios que provocam, acabam por me pôr os cabelos de pé. Como se tudo isto não bastasse, quando chega o desesperado momento de entrar a porta do consultório e, já depois de me sossegarem, ouço num bom português: “senhor, preciso anestesiá-lo porque o sinto demasiado ansioso e tenso”! Sem pestanejar, penso para comigo: mas… para me anestesiar é preciso injectar-me e isso envolve agulhas!
Já não bastavam as brocas e os seus horripilantes sons e ainda vou ter de ser injectado? Meu Deus, que mais me irá acontecer? Por momentos, enquanto fito a senhora que amavelmente me tentava sacudir daquele pânico, olho-a e sinto que a bata é branca, muito semelhante àquela que, décadas antes, me apavorava em Vila Real.
Todavia, havia agora algumas diferenças: a rua e a cidade não são hoje as mesmas e já não era a minha mãe quem me levava pela mão. Hoje, apesar dos omnipresentes medos sou eu a deslocar-me pelo meu próprio pé e a simpatia e amabilidade com que sou atendido são agora outras também.
Mas, apesar de todas estas diferenças e da evolução comportamental verificada, a bata ainda não mudou de cor no meu pensamento, que é como quem diz, o medo, o trauma e o pavor permanecem inabaláveis no meu espírito!...