Passa hoje, 4 de Março, o sétimo aniversário sobre a queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, que arrastou para águas turvas e profundas um autocarro e três outros automóveis ligeiros, causando a morte a 59 pessoas. Uma verdadeira tragédia que catapultou o nosso país para as primeiras páginas da generalidade da imprensa mundial, sendo mesmo o tema central de abertura dos telejornais das principais cadeias de televisão no mundo.
Nessa noite, perante tão horrendo acontecimento, senti uma imensa raiva pela impotência humana. Mais fúria senti, por essa mesma tragédia ter lugar no meu país. A cólera e a vergonha subiram de tom, quando soube que aquele local e as populações nele envolvidas, há muito que eram esquecidas e atiradas ao abandono pela poderosíssima máquina do poder político. Como me lembro do sofrimento daquelas gentes!...
Nessa monstruosa noite, não faltaram “abutres”, “corujas” e outras “aves de rapina” perfiladas e prontas a devorar aqueles cadáveres, sem qualquer respeito pela vida humana! Meu Deus, como é isto possível, interrogava-me eu? Como ali eram bem patentes as ideias deixadas pelo Padre António Vieira, nos seus “Sermões aos peixes”! Muitos ainda não tinham perecido e já os estavam a devorar!
Como pode a culpa ser de um incauto ministro, se ele hoje permanece à solta? Como pode a responsabilidade ser das empresas de extracção de areias, se o seu responsável esgrime tantos e tão tontos argumentos? Afinal, questiono-me eu: será que a culpa terá sido das pessoas que foram apanhadas desprevenidas naquela trágica “cilada”?
Quem tiver a oportunidade e a coragem de fazer uma viagem de barco, Douro acima, terá a possibilidade de ver, na primeira pessoa, todo aquele cenário dantesco que arrastou tamanha desgraça e, ao mesmo tempo, a forma digna, franca e piedosa de como familiares, amigos e pessoas anónimas, tentaram contornar a imensa dor pelos seus entes queridos, mostrando e perpetuando as suas memórias. É algo que se afigura espantosamente chocante e de um simbolismo inacreditável!
Passado o período de “nojo”, o poder político virou-lhes novamente as costas, a troco de meia dúzia de quilómetros de alcatrão. Que imagem do seu país terá estas famílias enlutadas, com vidas destroçadas e atiradas ao abandono? Diante desta negligência evidente, os familiares das 59 vítimas mortais da tragédia deixaram de acreditar na justiça do seu país, uma vez que esta, não conseguiu, em sete anos, atribuir quaisquer responsabilidades pelo colapso da ponte, desistindo da intenção de pedir ao Estado as devidas indemnizações. Pelos vistos, a justiça do Homem vence-se pelo cansaço, imagine-se!
Este facto, mais parece um daqueles contos de que já ouvimos falar, mas lá longe, no terceiro ou no quarto mundos. Por onde andam aqueles que tanto choravam naquela noite e que não tinham mãos a medir desdobrando-se em entrevistas e mais entrevistas? Que é feito daquele Senhor Presidente da Câmara que o vi lacrimejar copiosamente e que não mais o avistei a esforçar-se sobre este caso? Um tal Jorge Coelho, ministro da Administração Interna da altura, há muito que se esqueceu da sua “responsabilidade política” pela queda da ponte e ganha hoje a vida dando “faladura” e manipulando massas, num desses programas televisivos, onde a retórica e a demagogia são o prato forte.
Pelos vistos, todos mudaram excepto a dor presente e que se arrasta no dia a dia dos familiares e dos amigos. O coração, esse permanece dilacerado e à espera que o Estado lhes minimize o sofrimento e faça a devida justiça, indemnizando quem de direito. Ou será que ainda esperamos pelos ditos “chorões”? Quem me leva estes meus fantasmas? Mas para bem longe!...
Nessa noite, perante tão horrendo acontecimento, senti uma imensa raiva pela impotência humana. Mais fúria senti, por essa mesma tragédia ter lugar no meu país. A cólera e a vergonha subiram de tom, quando soube que aquele local e as populações nele envolvidas, há muito que eram esquecidas e atiradas ao abandono pela poderosíssima máquina do poder político. Como me lembro do sofrimento daquelas gentes!...
Nessa monstruosa noite, não faltaram “abutres”, “corujas” e outras “aves de rapina” perfiladas e prontas a devorar aqueles cadáveres, sem qualquer respeito pela vida humana! Meu Deus, como é isto possível, interrogava-me eu? Como ali eram bem patentes as ideias deixadas pelo Padre António Vieira, nos seus “Sermões aos peixes”! Muitos ainda não tinham perecido e já os estavam a devorar!
Como pode a culpa ser de um incauto ministro, se ele hoje permanece à solta? Como pode a responsabilidade ser das empresas de extracção de areias, se o seu responsável esgrime tantos e tão tontos argumentos? Afinal, questiono-me eu: será que a culpa terá sido das pessoas que foram apanhadas desprevenidas naquela trágica “cilada”?
Quem tiver a oportunidade e a coragem de fazer uma viagem de barco, Douro acima, terá a possibilidade de ver, na primeira pessoa, todo aquele cenário dantesco que arrastou tamanha desgraça e, ao mesmo tempo, a forma digna, franca e piedosa de como familiares, amigos e pessoas anónimas, tentaram contornar a imensa dor pelos seus entes queridos, mostrando e perpetuando as suas memórias. É algo que se afigura espantosamente chocante e de um simbolismo inacreditável!
Passado o período de “nojo”, o poder político virou-lhes novamente as costas, a troco de meia dúzia de quilómetros de alcatrão. Que imagem do seu país terá estas famílias enlutadas, com vidas destroçadas e atiradas ao abandono? Diante desta negligência evidente, os familiares das 59 vítimas mortais da tragédia deixaram de acreditar na justiça do seu país, uma vez que esta, não conseguiu, em sete anos, atribuir quaisquer responsabilidades pelo colapso da ponte, desistindo da intenção de pedir ao Estado as devidas indemnizações. Pelos vistos, a justiça do Homem vence-se pelo cansaço, imagine-se!
Este facto, mais parece um daqueles contos de que já ouvimos falar, mas lá longe, no terceiro ou no quarto mundos. Por onde andam aqueles que tanto choravam naquela noite e que não tinham mãos a medir desdobrando-se em entrevistas e mais entrevistas? Que é feito daquele Senhor Presidente da Câmara que o vi lacrimejar copiosamente e que não mais o avistei a esforçar-se sobre este caso? Um tal Jorge Coelho, ministro da Administração Interna da altura, há muito que se esqueceu da sua “responsabilidade política” pela queda da ponte e ganha hoje a vida dando “faladura” e manipulando massas, num desses programas televisivos, onde a retórica e a demagogia são o prato forte.
Pelos vistos, todos mudaram excepto a dor presente e que se arrasta no dia a dia dos familiares e dos amigos. O coração, esse permanece dilacerado e à espera que o Estado lhes minimize o sofrimento e faça a devida justiça, indemnizando quem de direito. Ou será que ainda esperamos pelos ditos “chorões”? Quem me leva estes meus fantasmas? Mas para bem longe!...
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