quarta-feira, setembro 26, 2007

Os românticos da política!...

Mal vai um país quando o desejo de poder, o anseio por lugares decisórios e de destaque se sobrepõem às verdadeiras responsabilidades de cidadania e de representatividade. Mas, o que ainda é mais grave é quando se sobrepõem aos propósitos de um verdadeiro Estado democrático, que se quer igualmente de direito!
Em Portugal habita uma jovem democracia, como muitos apregoam. Todavia, este jovem e imperfeito sistema político, mesmo”verde” já mostra uma putrefacta fase “neo adolescente” empedernida numa viciação de práticas, compadrios e jogos de poder muito pouco saudáveis para tamanha “juventude”.
Afinal, parece que o rei vai nu. A “partidocracia” portuguesa, sobretudo nestes últimos dias, tem dado uma péssima imagem daquilo que preceituam as tradicionais e genuínas democracias modelo! Inquieta-me que no seio dos partidos políticos, o desejo pelo poder seja desmedido, existindo com frequência atropelos às regras de boa conduta (eu falei em boa conduta!) dignas de um verdadeiro Estado “terceiromundista”.
Afinal comparamo-nos com o resto da Europa para umas coisas e depois, na prática, comportamo-nos como um qualquer despótico Estado africano? Pegando numa ideia deixada por Eça nos “Maias”, somos todos realistas mas, no fundo, não passamos de românticos!
É confrangedor ver partidos a auto intitularem-se de garantes da democracia representativa, comportando-se como autênticas sanguessugas, espalhando aqui e acolá os seus vermes como forma de tentaculizar o poder, bem ao jeito do “rei leão” na sua extensa savana.
Como pode o Partido Social Democrata, partido com largos pergaminhos na política nacional, partido de poder e há muito a maior voz da oposição, a propósito de uma normal eleição do seu líder, arranjar tantos problemas como aqueles que têm vindo a público?
Como poderei eu confiar nestes ditos representantes se nem os seus próprios pares neles confiam? O que pensarei eu sabendo que há mortos a votar; que quem não paga as quotas também vota ou então, num arranjinho de última hora, o empresário lá do sítio, a troco de futuros favorecimentos, paga na mesma caixa Multibanco, as quotas de dezenas de “figurantes”? É isto a representatividade?
Como é que sendo um partido à escala nacional tem nichos diferenciados de comportamentos e de benesses? É que, a haver regras, elas devem ser aplicadas em todo o seu universo!
Abomino este “peditório” para o qual nunca contribuí. Tenho ouvido nos últimos dias falar de seriedade, elevação e competência. Parece-me um verdadeiro atropelo às qualidades humanas quando se apela a estes nobres valores, mesmo sabendo de antemão que são meras figuras retóricas para quem as profere. Haja decência e tino na língua. Ou então, façam-me um favor: vão-se embora, por amor de Deus!... Acreditem que no final, eu rezo pela vossa alma!

segunda-feira, setembro 17, 2007

Haja pachorra!...

Já não há pachorra que resista! Somos um país conotado pelos brandos… mas efectivos e reais costumes. É assim que os portugueses são identificados face à sua inigualável e imensa capacidade de aculturação. Expressando os seus pergaminhos e tradições, Portugal chegou mesmo a ser identificado como o país dos três “F”: iniciais de Fado (Amália), Futebol (Eusébio) e Fátima (Aparições).
Há uns meses, após um milagroso apuramento da equipa nacional para a disputa do mundial de râguebi, senti um grande contentamento pulverizado pela generalidade dos portugueses, apesar do não enraizamento e da falta de tradição desta modalidade desportiva no nosso país.
O argumento para tamanha distinção (e foi evidente), prendia-se com o facto de a nossa amadora equipa se impor a conjuntos profissionais, que à priori eram muito mais credenciados. É inegável que o apuramento se afigurou um feito histórico!
Imagina-se indiscutível aquela máxima evidenciando que “ganhar ou perder é desporto”, onde o que mais interessa é competir. Todavia, nem sempre esta afirmação se vale de um total rigor, senão vejamos: quando Portugal disputa um jogo de hóquei em patins com a China, o Japão ou a Austrália e o resultado final é sessenta contra um ou dois a nosso favor, o que pensarão os torcedores destes países? Será que se sentirão orgulhosos por terem marcado um golo a uma das mais credenciadas equipas da modalidade? Não creio que assim seja!
Noutro quadrante, quando estamos em presença de uma maratona internacional, tipo Jogos Olímpicos, o que pensarão as pessoas que assistem no estádio à chegada da vencedora e, para grande espanto, passadas uma ou duas horas continuam a chegar atletas exaustas e a cambalear, que a muito custo lá vão cortando a meta? Não me parece que sejam assim tão dignas estas prestações olhando apenas para o mero exercício da participação!
É isso que a meu ver se passa com a nossa equipa de râguebi. No primeiro jogo, após uma retumbante derrota, enalteceu-se aquele resultado desnivelado, transformando-o numa margem considerada muito escassa como se setenta contra seis fosse assim tão insignificante! Minimiza-se o resultado avultado, valorizando a participação e o facto de temos marcado pontos. Então não era isto que se pedia aos atletas, marcar pontos? E é assim que se transforma uma pesada derrota num histórico jogo! Como pode?
No segundo jogo, converteu-se uma derrota por números ainda maiores e anormais na modalidade, numa grande resposta perante a equipa campeã mundial. Confesso que foi peregrino ver um conjunto de atletas cuja robustez física se desajustava dos demais desportos a vociferar o hino, chorando-o e quase rasgando as camisolas, numa clara demonstração de um pacóvio amor pátrio!
Não era preciso tanto jogando tão pouco! Por momentos, lembrei-me como entoaria o hino nacional o Carlos Lopes, a Rosa Mota, o Nelson Évora, a Naide Gomes ou o Francis Obikwelu quando viram a bandeira nacional ser içada no mastro mais alto de um desses míticos estádios mundiais? Sim porque estes foram verdadeiros e reais heróis e com uma particularidade: foram mesmo vencedores!
Às vezes era bom não vulgarizarmos os nossos mais nobres símbolos, promovendo uma pobre caricatura de um desporto que muito pouco desperta e desponta no nosso país. Não chega apenas a promoção. Devemos saber o que promovemos para não cairmos no ridículo!
É certo que ao futebol e a outros desportos se dão mais visibilidade mas… os resultados obtidos, o número de praticantes e aquilo que move o pulsar diário das pessoas, são incomensuravelmente maiores!
Como nota final, gostava de saber como é que no râguebi se expulsa um jogador por agressão? É que, no decorrer do jogo vejo um número tão elevado destas práticas que às tantas receio que as equipas fiquem sem atletas!...

segunda-feira, setembro 10, 2007

O sonho da responsabilidade!...

Sempre ouvi dizer da boca de alguns familiares, amigas ou pessoas com alguma experiência de vida que o acto de ter um filho seria um momento digno de verdadeiro sonho. Embora não comungue do mesmo sentimento, ou melhor, não o posicione neste tão elevado patamar, posso até concordar que assim seja face a tão recheados argumentos de quem já terá sido bafejado por essa maravilhosa e “divina” experiência. Parece-me que, afinal, nada melhor do que senti-lo na primeira pessoa.
Tudo isto vem a propósito de um caso que há uns meses vem alimentando a opinião pública, extrapolando-se esta notícia muito para além da escala estritamente nacional, estendendo-se numa gigantesca dimensão planetária, ultrapassando tudo aquilo que é aceitável. Refiro-me concretamente ao “caso Madeleine” e à tentativa clara de manipulação da opinião pública e de manietar muitas das acções que carecem de um rápido esclarecimento.
Domingo, há hora em que me preparava para a minha primeira refeição do dia, foi um “regalo” ver vários canais a transmitir em directo, imagine-se, a viagem de regresso a casa de um casal de ilustres desconhecidos (pensava eu!), acompanhados pelos dois filhos, procurando no refúgio deste seu lar a paz e o sossego há muito desejados. Mas será que alguma vez este casal terá desejado esta serenidade?
Não vou aqui falar de “arguidos”, “acusados” ou “presumíveis autores”! Isso fica a cargo dos especialistas criminais, pessoas idóneas e que sabem muito mais do que eu e conhecem o caso como ninguém. Agora, causa-me alguma “dor de estômago” alguém esgrimir que pretende tranquilidade para a sua família e desde o início tanto alarido ter feito e tanto ter badalado o assunto junto dos diversos órgãos de comunicação! Não me parece coerente.
Mas, depois de meditar um pouco, pensei para comigo: como terá sido possível a este “desconhecido” par inglês ter sido recebido tão facilmente por Sua Santidade, o Papa? Como foi possível que o porta-voz de há quatro meses da família McCan desempenhe hoje as funções de assessor no gabinete do Primeiro-ministro britânico? Como dormem tanto aquelas crianças britânicas? Isto são questões paralelas mas essenciais que eu gostaria de ver respondidas com a veracidade que se lhes exige.
Todavia, aquilo que mais me indigna é aquilo por onde comecei este meu raciocínio: qual o sentimento de amor, carinho e respeito que este casal teria pelos seus jovens filhos abandonando-os em casa, para se poderem divertir? Sim, eu escrevi abandonarem! Como se pode ter tanto afecto pelos filhos e na primeira oportunidade os trocamos por um bom momento de diversão, uma boa farra ou uma jantarada entre amigos? Com vidas e profissões tão promissoras e abastadas deste casal, sempre poderiam ter contratado uma “Baby Sitter” ou o amor sentido para com as suas crianças não o justificava?
Eu sei que há aspectos culturais a ter em conta mas, em momento algum nos podemos sentir reféns deles, onde os usamos para umas coisas e os menosprezarmos para outras.
Não ouvi, em momento algum, uma fundamentada resposta para esta ausência. Não se deve esconder a insensibilidade e a irresponsabilidade com a capa dos aspectos culturais ou com as diferentes formas de relacionamento familiar vigentes nos países de origem. Se queremos demonstrar afecto e carinho à posteriori, deveríamos tê-lo testemunhado e mostrado antes. “À mulher de César não lhe basta ser séria”!
Sou um leigo nestes casos de polícia não me querendo imiscuir nestes complicados processos. Todavia, independentemente do caso de desaparecimento, penso haver razões sobejamente claras para uma condenação por negligência. Afinal, se “em Roma se deve ser romano”, qualquer cidadão se deve submeter às leis vigentes no país que o acolhe. É assim num Estado de Direito!
Termino indeciso tal como comecei este texto. Perante estes factos, será assim um sonho tão grande ter um filho? Gostava que todos assim pensassem ou então, que fossem responsáveis e pensassem bem antes de os conceberem! É que nós podemos escolher os filhos mas eles não podem fazer o mesmo relativamente aos pais.
Como nota de rodapé, queria relembrar aos “arautos” das boas práticas britânicas, que sempre será mais justo interrogar alguém de quem desconfiamos do que abater a tiro alguém que nada fez para ser assassinado. Foi isto que a “imaculada e perfeita” polícia de investigação britânica fez ao cidadão brasileiro Jean Charles de Menezes, em 2005, suspeito sem qualquer fundamento, dos ataques bombistas perpetrados no metro de Londres. Sempre aprendi que não devemos atirar pedras ao telhado do vizinho quando o nosso tem cobertura de vidro!