quinta-feira, novembro 06, 2008

Quando o "fenómeno" vira a "flop"!...

Ao fazermos uma retrospectiva pelo século XX vemos que ele foi rico em acontecimentos marcantes. Foram trágicos muitos deles, com problemas sociais, com avassaladoras guerras intestinas e mundiais. Outros acontecimentos acabaram por colocar ao dispor das sociedades um vasto manancial de condições e de meios que alteraram em muito o dia a dia das pessoas, fruto de grandes descobertas, com a aplicação do conhecimento e da ciência.
Os meios de comunicação são, por assim dizer, um dos campos que mais evoluiu. Com os progressos na comunicação, a “aldeia global” aproximou-se e tornou-se mais ampla. Surgiram aos nossos olhos e nos mais variados campos, grandes figuras a quem a humanidade tanto deve: na política, nas ciências e nas humanidades, alimentando-nos com a ideia de um mundo novo, de um mundo mais justo, próspero e verdadeiro.
Todo este enredo traz até nós nomes empreendedores. Quantos não se terão sentido já familiarizados e até concordantes com Einstein, Robert Schuman, Winston Churchill, Charles de Gaulle ou Theodore Roosevelt? Estas são apenas algumas referências que marcaram efectivamente a História das sociedades, dos povos e do mundo em geral.
Mas, a “democratização” da informação trouxe-nos outros ícones cuja marca ficou por provar, apesar da grande notoriedade que ainda hoje muitos lhes dedicam. À cabeça surgem nomes como John Kennedy e Martin Luther King que, fruto de precoces assassinatos, não chegaram a materializar as ideias pelas quais tanto lutaram e tanta exaltação moviam. Líderes houve que, embora quase em final de vida, conseguiram dar um ar da sua graça, deixando um legado de crédito e de confiança. Refiro-me a Nelson Mandela, como será óbvio!
Com o final de século e a mudança de milénio, nova classe de políticos surge: a “classe do ecrã”. Fazendo-se acompanhar de discursos redondos, voltados e ligados às massas, populistas e com uma elevada dose de “irrealismo” e de omissão (mentira, na linguagem corrente), muitos destes ases da arte de “bem falar” usam e abusam das poderosíssimas máquinas de campanha, das câmaras de televisão e de todos os outros meios de comunicação para metralharem os mais incautos, menos instruídos e de maior vulnerabilidade. Compram-se noticias e tempos de antena; silenciam-se os mais incómodos e, ei-los a ganhar eleições folgadamente, graças a hipocrisias e a promessas demagógicas.
É a “paixão” pela educação; é o deficit que vai baixar; são os cento e cinquenta mil empregos que se vão fabricar; é o já enfadonho aumento do nível de vida; é o fim da exclusão social; é a luta contra a fome e a pobreza; são os direitos dos trabalhadores; é o combate ao terrorismo; é a retirada do Iraque… enfim, tanta coisa se disse e tão pouco se vislumbra! Os autores de tudo isto há muito que foram identificados.
Daqui por um século, quem se lembrará da famosa “paixão” de Guterres, do comediante Sócrates, do populista Sarkhozy, do bem-falante Blair, do truculento Chavez ou da hipocrisia pacóvia e iletrada de Lula da Silva? Só espero que o recente “fenómeno Obama” não siga o mesmo caminho e, entre muitas outras promessas e ilusões, que a retirada do Iraque seja mesmo para cumprir, dentro do tempo previsto. O mundo agradece!
Com o virar do século, as sociedades, mais do que palavras bonitas, querem obras, querem acções e, sobretudo, políticos verdadeiros e sinceros. Se tal não acontecer, ao “profeta” Obama resta-lhe apenas e só o epíteto de ter sido o primeiro preto a ser eleito Presidente Americano e, nesse dia, o “fenómeno Obama” dará lugar ao “flop Obama”, inquilino efectivo da “Casa Branca”, expressão de uma sociedade desacreditada e em profunda decadência. Enquanto esse dia não chega, benefício à dúvida!...