terça-feira, dezembro 19, 2006

Feliz Natal!...

Pelos vistos, a avaliar pelas reacções de alguns visitantes, o colorido utilizado neste espaço, não era aquele que mais se adequava aos gostos da generalidade.
Assim, indo ao encontro do prometido e aproveitando a quadra natalícia, propiciadora de uma certa generosidade, condescendência e porque não, sensibilidade para com quem assiduamente visita este espaço, decidi implementar algumas alterações. Elas assentam, sobretudo ao nível do colorido apresentado. Não quer dizer que goste mais desta ou daquela tonalidade; simplesmente, o caminhar para a estação fria de Inverno, aconselha ao uso de cores mais quentes. Espero que o “feed-back” a receber vá de encontro e à satisfação de quem por aqui costuma lançar um olhar, regularmente.
Como esta quadra festiva convida a encontros, a reuniões familiares, à solidariedade e ao amor entre as pessoas, não queria deixar fugir esta oportunidade para desejar a quem por aqui passa, sobretudo às pessoas que me são mais próximas e queridas, aquilo que se oferece aos bons amigos: um Natal feliz e generoso, com saúde e alegria e um Ano Novo pleno de sucesso e de esperança.
Nestas festividades, apercebi-me finalmente, que se pode dizer muito escrevendo pouco. Um beijinho ou um abraço, conforme a medida e o desejo de cada um(a).

segunda-feira, dezembro 18, 2006

A deformação da formação!...

Como qualquer pessoa interessada em refrescar os seus saberes, por estes dias senti a necessidade de frequentar novamente um curso de formação profissional. Já por diversas vezes o fiz e, sempre que isso acontece, faço-o com o objectivo de adquirir “ferramentas” intelectuais, aptidões e condutas, independentemente da gratuitidade, do auto financiamento ou mesmo do custo que essas acções venham a envolver. A premissa primeira é a da satisfação e da resposta às minhas necessidades profissionais diárias.
Desde que a formação profissional começou a vincar mais o quotidiano das pessoas, logo após a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, que o objectivo inicial dessa mesma capacitação vem sendo adulterado. Há entidades que, em vez de procurarem na formação uma mais valia para o seu “staff” humano, encaram-na com num sentido totalmente pervertido e sem qualquer nexo.
Há empresas que entendem a formação nos seus quadros de pessoal como uma forma de castigo, de recompensa, de férias, ou mesmo do tipo “analgésico”. Outras há, que vêem a formação como algo que está na moda; como um enlatado; como uma forma de saque de dinheiro; de engodo ou até como uma valente seca.
Assim será, porventura para alguns. Todavia, e ainda bem, não o será para a maioria. É comum, a este propósito, dar-mos o exemplo dos países nórdicos como o modelo e o exemplo a seguir. Contudo, os que mais o esgrimem, são os que mais contribuem para deformar os objectivos inicialmente traçados.
As pessoas devem receber formação em áreas que tenham a ver com o seu desempenho diário. Não estou a ver um agente policial a ter formação em reportagem televisiva ou um cozinheiro a receber ensinamentos na área da indústria fabril!
Por outro lado, há quem entenda a formação como um escape ao dia a dia de trabalho, aproveitando o ensejo para lá aparecer “tarde e a más horas”, desmotivado e despido de qualquer interesse. É muito comum, nestes casos, atribuir-se unicamente a culpa ao candidato mas, não se me afigura totalmente verdade.
Para que o país e as acções de formação sejam profícuas, torna-se igualmente necessária uma total responsabilização da parte dos formadores, na imposição e no cumprimento de um horário minimamente exigível, assim como o necessário aproveitamento. Caso contrário, os tão apetecidos diplomas, que é unicamente aquilo que muitos procuram, deixariam de ser distribuídos a quem nada fez para os merecer.
É imperioso por em prática esta conduta para que a formação, afinal, não se transforme numa deformação. Caso contrário, continuaremos a nossa romaria, assobiando para o ar, promovendo patetamente o culto e a adoração pelos nórdicos.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

"Mares de gente"!...

Ainda a quadra natalícia não se vislumbra no horizonte e já se vêem espalhadas pelas ruas as mais variadas demonstrações, lembrando-nos a sua distante proximidade. Por aquilo que fui apreendendo ao longo da minha juventude e durante a minha formação intelectual, sempre ouvi dizer que o Natal era a comemoração do nascimento do Menino Jesus, altura para as famílias se reunirem e para celebrar essa importante data no seio do universo católico.
Que eu saiba, e as estatísticas ajudar-me-ão a fundamentar a minha ideia, o número de católicos não sofreu um aumento tão significativo. Se assim é, porque é que se vêem numerosos grupos de pessoas, a tão grande distância das festividades natalícias, a querer celebrar ou arranjar argumentos para solenizar esta quadra?
Moro muito perto de uma grande superfície comercial. É confrangedor ver, por estes dias, sobretudo ao fim de semana, magotes de pessoas amontoadas à porta das lojas, apinhadas à procura de não sei o quê; de cartão de crédito em punho, não se importando com a crise em que o país se encontra mergulhado. Aproveitando uma imagem do poeta Fernando Pessoa, “é gente, sempre mais gente, num tumulto permanente e numa caudalosa corrente” à procura da prenda para o amigo X; para o familiar Y ou para o colega Z.
O que preside a toda esta correria já não é o Natal. É sim o “faz de conta”; é o aspecto material que move e desperta estas criaturas. Num ápice, o cristão deu lugar ao pagão e os propósitos que outrora me moviam nesta época, vejo-os de uma momento para o outro completamente adulterados e deturpados.
Quem se quiser dar ao luxo de, por estes dias, questionar uma qualquer criancinha sobre qual o seu entendimento acerca do Natal, a resposta é peremptória: “é a vinda do Pai Natal e a troca de presentes”! Há pessoas que não têm pejo algum em oferecer coisas totalmente insignificantes e despidas de qualquer valor. Grupos há que, para que isto não se verifique, ousam estipular regras do tipo, atribuir um valor mínimo à prenda a oferecer. Mas que raio de amizade é esta que fundamenta os seus valores nestes cânones? Às tantas dou comigo a pensar: será que temos mesmo amigos?
Uma das grandes capacidades que o ser humano tem é a da sua aculturação. Já o senti por diversas vezes e já o consegui em diferentes outras ocasiões. Mas, para esta, em definitivo, não estou preparado para a ela aderir nem com ela celebrar um qualquer compromisso.
Com tantas pessoas a festejar o Natal, leva-me a crer que, qualquer dia, as Igrejas ficarão abarrotadas nas horas da devoção. Ou então, aproveitando a conjuntura, talvez as grandes superfícies comerciais promovam a construção daqueles locais de culto no seu interior. Se a montanha não vai a Maomé, que venha Maomé até à montanha!...