quinta-feira, dezembro 22, 2005

Festas felizes

Tal como maravilhosamente escreveu Lúcia Carvalho e, com muita mestria, o coro de Santo Amaro de Oeiras tão bem interpretou, queria aqui endereçar a todos, votos de um feliz Natal, com muita saúde e alegria e um ano de 2006 cheio de coisas boas, onde os projectos, os sonhos ou anseios que povoam o imaginário de cada um sejam uma efectiva realidade!
Desejo a todos, particularmente ao meu grupo restrito de amigos, festas felizes e até para o ano!
“A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

No Natal pela manhã
Ouvem-se os sinos tocar
E há uma grande alegria, no ar
(Refrão)
Nesta manhã de Natal
Há em todos os países
Muitos milhões de meninos, felizes
(Refrão)
Vão aos saltos pela casa
Descalças ou com chinelos
Procurar suas prendas, tão belas
(Refrão)
Depois há danças de roda
As crianças dão as mãos
No Natal todos se sentem irmãos
(Refrão)
Se isto fosse verdade
Para todos os Meninos
Era bom ouvir os sinos tocar.
A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós!"

quarta-feira, dezembro 21, 2005

"E tudo o fogo levou!..."

Anualmente, Portugal e os portugueses são fustigados por um número interminável de incêndios que, para além de consumirem uma parte importante da nossa floresta, provocando grandes mossas na nossa economia, causam igualmente, danos irreparáveis no quotidiano das gentes que habitam as regiões mais afectadas e mais vulneráreis a esta mesma devastação.
Ainda no último Verão, tive oportunidade de ver “in loco” o sofrimento dessas pessoas, a forma árdua e épica com que se dedicavam à protecção dos seus haveres; muitas vezes, o único sustento que possuíam. Animais pereceram queimados perante tão abrasador inferno! Pessoas, envolvidas na defesa das suas próprias habitações morrem queimadas, envolvidas nessa titânica luta.
À época, os telejornais das várias televisões abriam e "deleitavam-se" durante minutos a fio, relatando, como se de um qualquer jogo se tratasse, o evoluir da trágica situação, expressa nos rostos de dor, de sofrimento, de abandono e de desânimo das gentes afectadas. Paralisava-se o país com esta ocorrência. O mais importante para os canais televisivos era o relato, era o registo do melhor plano de imagem, era o apanhar a chama mais alta e o choro mais comovente! Repetiam-se imagens até à exaustão.
Entretanto, o clima amenizou, as tradicionais chuvas de Inverno marcaram a sua aparição e, com elas, o frio, a neve, o Pai Natal… e as suas historietas. E o que se fez para amenizar o sofrimento da maioria dessas pessoas, que pouco mais tinham do que uns míseros punhados de cinza nas mãos? Será que se fez alguma coisa? Será que se disponibilizaram todos os recursos?
Pois é, já nos habituámos a que o Verão seja entendível como a época dos banhos, das férias, dos incêndios e o Inverno como a época da neve, das prendinhas, das renas, dos trenós e dos pais Natal; só que, todas estas fantasias não conseguem esconder a realidade de muita gente que não dispõe de argumentos para fantasiar o seu sofrimento. Estou convencido que, nem que o Pai Natal mude de cor o conseguem!
Nesta época festiva para alguns, seria bom que o fosse para muitos. Para todos, diria eu! Seria bom que as pessoas que vivem afastadas das grandes decisões, escondidas e esquecidas no seu anonimato se fizessem ouvir e fossem ouvidas; lhes fosse dada a atenção que merecem e o apoio que lhes foi prometido. Dói saber que existe gente a viver sem o seu lar que ardeu, a viver ao frio, sem qualquer auxílio, envergonhadas pelo fado que a vida lhes reservou. Onde está afinal, o tal Estado Providência? Que é feito dele?
A quadra festiva em que vivemos será sempre um momento que, pelas suas fortes tradições, nos deveria remeter para uma maior solidariedade, uma maior partilha e uma grande entreajuda. Afinal, pegando nas palavras de Ary dos Santos, se o Natal é sempre que um Homem, uma criança ou um qualquer Pai Natal quiserem, que haja então essa vontade! Que o fogo leve os haveres mas que deixe uma réstia de esperança!

terça-feira, dezembro 20, 2005

A "(re)prova oral"!

Mais vale tarde do que nunca! Finalmente eu percebo, porque é que o ensino e a aprendizagem em Portugal andam pelas ruas da amargura. Como é sabido, uma grande fatia dos nossos políticos, para além das tarefas políticas, exercem igualmente uma outra actividade complementar: a da docência, quer em universidades, quer em outras escolas.
Nos últimos tempos, como pessoa que procura estar informada sobre o acto eleitoral e sobre os seus “actores”, tenho seguido atentamente os vários debates entre candidatos à Presidência da República. É confrangedor ver a forma como eles interpretam determinadas perguntas colocadas pelos jornalistas, respondendo não ao que lhes é pedido, elucidando os portugueses acerca dos seus propósitos; antes sim, respondem ao que lhes convém, usando constantes divagações, frases feitas e muitas vezes, conceitos que ninguém entende. Quer dizer, entendem eles!
Desde os meus tempos de estudante nos vários graus de ensino, que fui sendo submetido a provas de avaliação frequentes: os chamados testes. Estes eram compostos por um conjunto de questões onde o aluno era posto à prova sobre matérias e raciocínios que o professor achava importantes para aquele momento.
Às vezes, o aluno que tinha interpretado mal a questão colocada, por preguiça ou por desconhecimento, respondia a uma outra coisa que não aquela que lhe era pedida. Era aquilo a que comummente chamamos de perguntar em “alhos e responder em bugalhos”. Daqui resultava que o professor lhe subtraía o valor atribuído à questão e, se fossem muitas as “fugas” ou as imprecisões, o aluno acabava por ter uma classificação negativa.
Pois é, e se esta pedagogia e este tipo de classificação fossem atribuídos aos nossos candidatos? Desde Cavaco a Louçã, da esquerda à direita, todos usam a mesma cartilha. Será que os portugueses não merecem seriedade? Será que não merecem ser esclarecidos sem demagogia, sem o recurso ao tal “discurso redondo” e de conveniência?
Eu gostava de saber, se um qualquer destes senhores, na universidade onde lecciona, quando perante uma qualquer fuga de um aluno, à questão colocada num exame, qual será o resultado ou a consequência? Será que, confrontado com esta realidade, o aluno ainda terá uma classificação de excelência ou meritória? Obviamente que não! Todavia, eles procuram em nós, usando e abusando de todas as subtilezas, “passar” no tal exame.
Que exemplares que eles são! Eu por mim, sem me querer colocar na pele do “professor Marcelo”, apetece-me dar-lhes a todos nota negativa. E depois, qual o problema? Chumbavam! Só que, no futuro, teríamos de levar de novo com eles, avaliando-os novamente e aí, já não haveria pachorra!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Comentários, precisam-se!

Foi há cerca de quatro meses que criei este espaço e aqui comecei a dar os primeiros passos no mundo da “blogosfera”. Por detrás de tudo isto, esteve um forte desejo que sentia em escrever e em partilhar algumas ideias sobre os mais variados temas relacionados com a actualidade. Algumas das pessoas que habitualmente me lêem, muitas delas eu conheço-as. Inclusive, até já tiveram a oportunidade de pessoalmente, me darem conta das suas opiniões.
É certo que o “feed-back” recebido não tem sido grande. Também não me preocupei muito em difundir ou divulgar este espaço por outros meandros que não aqueles que se enquadram na minha esfera de amizades. Ao mesmo tempo, também não sou nem me quero tornar num especialista nesta “arte”. Pelas reacções que vou conseguindo, algumas poucas pessoas, vão-me dizendo que coloco textos demasiado extensos.
Eu até concordo que a ideia inicial e da generalidade dos “bloguistas” tenha sido outra daquela que eu utilizo. Todavia, o meu propósito é mesmo este. É aqui colocar algumas reflexões que faço sobre determinado assunto e, como entendo que uma reflexão envolve muito mais que uma simples frase concertada, eu não poderei escrever sem me socorrer da necessária introdução e contextualização.
Sem querer pedir muito, gostava que aqui deixassem, quem quiser, obviamente, um curto comentário, com as vossas sempre pertinentes sugestões. Afinal, quem disse que este espaço não é um bom momento de partilha? Obrigado.

Mudam-se os tempos, mudam-se as... necessidades!

Portugal vive, na área do ensino, uma situação caricata. Com a revolução ocorrida em Abril de 1974 e que percorreu os vários sectores da sociedade, o ensino generalizou-se e a forte necessidade de formar professores tornou-se evidente. Foi necessário a implementação de uma adequada formação pedagógica, alicerçada em cursos de licenciatura profissionalizantes, também conhecidos por “via ensino”, onde nos seus “curricula” apresentavam um leque de cadeiras pedagógicas apreciável.
Paralelamente, com o evoluir dos tempos, o país foi tomando medidas diversas no combate à elevada taxa de natalidade, importante indicador de subdesenvolvimento. Como consequência, num médio prazo, as Universidades acabaram por oferecer um número elevado de cursos e de profissionais com as habilitações requeridas e necessárias, para um número cada vez mais reduzido de alunos.
Os cursos superiores profissionalizantes pulverizaram-se de uma forma desmedida, sem o cuidado necessário para as verdadeiras e reais necessidades. Qualquer Universidade ou Instituto Politécnico abriu cursos de “ensino” bem ao jeito da germinação de cogumelos. Qualquer pessoa se pode candidatar a esses cursos, sem que, para tal, lhes seja requerido qualquer reconhecida capacidade pedagógica, do tipo pré-requisitos, tal como acontece em muitos outros cursos. Tudo vale, tudo é possível e todos podem assim ser professores, desde que um qualquer candidato tenha uma média de aprovação que lhe possibilite a entrada. Já alguém terá imaginado um candidato ao curso de Medicina, possuindo uma média de entrada de dezanove valores e ter aversão a hospitais ou ficar impressionado quando em contacto com sangue? Não estou a ver!
Pois é, com um estágio garantido e remunerado e com uma colocação praticamente assegurada, este “mercado” do ensino depressa ficou saturado. Primeiro foram os cursos nas áreas das Ciências Sociais, depois arrastou-se a cursos de outras especialidades do saber.
E o que se fez para combater esta tendência? Nada a meu ver! Continuamos a “assobiar para o ar”, como se nada fosse; continuamos a formar profissionais que muito dificilmente o serão; continuamos a dar-lhes as mesmas cadeiras pedagógicas de há vinte ou trinta anos, como se a realidade não fosse agora outra. Privilegia-se a forma e não o conteúdo. Passam-se árduos anos em estágio com conceitos e com pedagogias completamente desfasadas da actual realidade; fomentam-se aulas assistidas, que de assistidas nada têm; o uso das “novas” tecnologias é apenas uma miragem e de “novas”… só se for para alguns!
Era importante mudar este “status quo”. Era importante que se pré-seleccionassem os candidatos a professores; era essencial que se adequassem as pedagogias utilizadas na formação para daí obter uma resposta eficaz às actuais necessidades. Finalmente, era importante dotar as escolas do ensino primário e secundário de estruturas e de tecnologias capazes para levar por diante um ensino de qualidade, gerador de profissionais igualmente de qualidade. Nesse dia, garanto, não tínhamos quarenta mil professores no desemprego, como por aí se diz!

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Curiosidades de pré-campanha

À luz da Constituição da República Portuguesa, a candidatura de Mário Soares existe de forma ilegal. É que, segundo está redigido, apenas cidadãos com idade superior a trinta e cinco anos podem candidatar-se ao mais alto cargo da Nação. Só que, como ele próprio ontem afirmou, no dia do seu aniversário, ter oitenta e um anos é a mesma coisa que ter dezoito, então…, se assim é, há que dar o lugar a outro!
Também no debate televisivo nocturno, que opôs o candidato Mario Soares a Jerónimo de Sousa, este continua a bater na “mesma tecla” dizendo que a luta dos trabalhadores portugueses continua, contra o grande capital e os patrões. Ora, aqui está uma boa ideia. Acabem-se então com os patrões! Assim, a luta era bem capaz de suavizar e os ordenados já apareciam a tempo e a horas!
Também ontem, o candidato Cavaco Silva, disse no Algarve que era necessário reaproveitar as estruturas hoteleiras, redimensionando-as e não continuar a construir mais e mais betão, criando-se autênticas aberrações urbanísticas. Pois é, só que o verdadeiro homem do betão foi ele próprio, quando foi primeiro-ministro. Lá diz o povo: “pela boca… morre o peixe!”.
Tanto vai pregando por aí o candidato Francisco Louçã que, ou os portugueses são todos uns palerminhas e não têm capacidade para perceber o que ele diz, excepção para os 6% dos seus iluminados eleitores, ou então, com tantas ideias valorosas e valiosas e com tanta justiça social à mistura, estou mesmo a vê-lo, tal como os jogadores de futebol, a mudar de nacionalidade e a ser um proeminente político de eleição lá para os lados do Zimbabué, Etiópia ou Somália. Talvez lá fosse mais útil e os seus habitantes lhe ficassem mais gratos! Pois é, só que lá, não deve haver estações de televisão disponíveis e à sua mercê!
O Candidato Manuel Alegre, este sim! Há dias fez um discurso onde não houve um único jornalista presente que conseguisse retirar o fundamental daquilo que ele próprio quis dizer! Não se sabia afinal, se ele era ou não candidato à presidência. Com comportamentos destes, como é que querem subir os níveis de literacia dos portugueses se a escrita utilizada não terá sido assim tão clara? Um homem que esteve envolvido em tantas lutas, tinha o dever de se fazer esclarecer melhor! Não era preciso isto, senhor poeta!
Se o sempre saudoso Fernando Pessa pudesse ver e ouvir, pensar e sentir, escreveria num bom e cuidado português: "e estas, hein?...".

quarta-feira, dezembro 07, 2005

E cantando espalhará por toda a parte...

“…Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade amor da minha vida…”.
Quem não se lembrará certamente desta bonita canção? Quem já não a terá troteado vezes sem conta? Pois é, Carlos do Carmo, o seu autor e um dos maiores vultos da canção portuguesa, responsável pelo entoar de um vasto leque de maravilhosas e bonitas canções, passa por momentos de grande dificuldade. No passado dia 4 de Dezembro, depois de se preparar para dar mais um concerto, desta feita na “Casa da Música”, na cidade do Porto, concerto que, como tantos outros ao longo da sua vida, ia uma vez mais espalhar no palco, o perfume e o encanto dos seus poemas. Só que, desta feita, o insólito aconteceu: o cantor ficou afónico e sem voz.
Para grande tristeza e consternação do público presente, o concerto teve de ser cancelado. Depois de várias terapias tentadas, foi com grande pesar e elevação que o cantor subiu ao palco e anunciou a decisão de não levar por diante os seus intentos. Destroçado, o artista não conseguiu esconder a tristeza que o invadia dizendo que nunca tal lhe tinha acontecido na sua já longa carreira.
Tal como iniciei este pequeno texto, com um excerto de uma bonita canção de Carlos do Carmo, gostaria de o terminar, igualmente com uma outra passagem da sua autoria, transmitindo-lhe esperança e um sentimento profundo para um rápido restabelecimento e regresso ao palco, seu lugar natural. O público agradece-lhe!
“…Eu sou o homem da cidade
Que manhã cedo acorda e canta,
E, por amar a liberdade,
Com a cidade se levanta…”.

terça-feira, dezembro 06, 2005

"Os cinco subiram ao palco"

Este poderia muito bem ser o título de um qualquer livro escrito pela senhora Enid Blyton ("As aventuras dos cinco"), daqueles que nos ajudaram a crescer, povoando a nossa juventude com tantas e tão variadas aventuras, fantasias e imaginação. Pois é; mas não é disso que falo. Aqui, quando falo no tão famoso número, refiro-me aos candidatos à presidência da República.
Nos primeiros passos de um país livre, em que a nossa democracia se passeava ainda de tenra idade, Portugal era um país acabado de acordar de um longo período de obscurantismo, de silêncios, de solidões e de medos, em que a euforia reinava e tomava conta das mentes mais distraídas. Por essa altura, os portugueses dispensavam normalmente aos seus políticos, duas longas semanas de campanha eleitoral, muito elucidativas, que serviam para estes, alguns com parcos recursos económicos, esgrimirem e cativarem junto dos eleitores a sua preferência, quando chamados ao acto de votar.
Como vão longe esses tempos! Hoje, alguns desses tais políticos, muitos deles convertidos ao “capitalismo global” e outros a tentarem essa mesma conversão, cedo iniciam este badalar de ideias, este rodopio de viagens e de visitas, sempre muito acompanhados de uma gigantesca cobertura mediática.
Uns, nada dizem, temendo a perda de votos ou, quem sabe, não querendo quebrar o tão famoso, gasto e já velho “tabu”. Outros, ao invés, de tudo falam mesmo que, aos olhos dos mais prevenidos, nada digam. Porventura, estes, com tantas promessas e com tantos apelos, nem saberão ao certo para que eleições estarão a concorrer: se para as presidenciais, legislativas ou mesmo autárquicas. Outros há ainda, que prometem a coesão e unidade nacionais, esquecendo-se que, nem na sua própria “casa”, terão conseguido tal desígnio.
Hoje, as tão longínquas duas semanas, converteram-se em mais de dois meses, numa autêntica difusão de vagas ideias, onde o país se sente coagido e pára para “ver a banda passar”! E o que é que eles afinal nos dizem? Nada ou quase sempre o mesmo! Pasmem-se as pessoas que, a acreditar nos discursos de cada um, os únicos em Portugal que não sabem as funções e deveres do Presidente da República são os próprios candidatos. Alguém poderá prometer o "mundo e a teia" se os seus poderes constitucionais não o permitem? Será que nenhum deles se apercebeu ainda que o poder executivo em Portugal, à luz da nossa "Magna Carta", cabe ao governo em exercício?
Que trapalhada vai na mente destes homens. Será que todos eles, não terão ideias inovadoras? Será que não têm uma opinião formada sobre aquilo que atormenta os portugueses e o rumo a dar ao país? Pois é, os tais “cinco” da senhora Enid Blyton ainda nos entretinham e nos ajudavam a criar imaginários. Contrariamente, estes cinco, apenas nos fantasiam o futuro, aparecendo e promovendo-se em badalados “combates” televisivos, massacrando-nos com frases feitas, demagógicas, sem conteúdo e arredadas da nossa realidade. Que saudades tenho das “duas semanas” ou dos "cinco" da senhora Blyton!

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Um político com "P" grande!

Passado um quarto de século, uma grande parte da sociedade civil portuguesa, continua a render homenagem a um homem que marcou profundamente a vida e os ideais da generalidade dos portugueses, sobretudo após a Revolução de Abril. Esse homem tem um rosto e chama-se Francisco Sá Carneiro.
Desaparecido numa gélida noite de Inverno, num trágico acidente de aviação, envolto num profundo mistério, ainda hoje se debatem diversas teorias, se esgrimem ideias, se comparam factos e conjecturam formulas. Para uns, a tese de atentado é por demais evidente. Para outros, face à inexistência de dados concretos, a tese de acidente prevalece.
Perante esta indefinição, é notória uma tríade de posições: de um lado, a família do malogrado governante, desejosa que se faça justiça; do outro, pessoas sobretudo ávidas de protagonismo, requerem com frequência a reabertura do processo; publicam-se livros, realizam-se filmes, tudo vale. Tudo ou quase tudo se faz para que o assunto não caia no esquecimento. Finalmente, um terceiro posicionamento, o dos políticos, que lá vão formando aqui e ali mais uma comissão de inquérito, como que por favor, cujos resultados são quase sempre nulos. É incrível e preocupante que, as conclusões a que normalmente se chega, dependem em muito do partido que está no poder. Não foi para ter uma classe política deste quilate que o Dr. Sá Carneiro tanto lutou.
Como fiquei emocionado ontem ao rever, saudosamente, um homem que tanto fez pelo país! Mais saudosista fiquei quando vi que, as conferências de imprensa, feitas por ele naquela época, eram de olhos nos olhos, de sorriso aberto, mesmo no rescaldo de derrotas eleitorais. Eram feitas sem a demagogia que hoje impera na generalidade dos políticos. Esta, a meu ver, sempre foi a imagem de marca que este inigualável governante transmitiu para a opinião pública.
Foi um homem que, embora não sendo um “mártir” das prisões políticas portuguesas, foi com certeza, um bravo lutador anti-fascista. Mesmo fazendo parte da “Ala Liberal” na Assembleia Nacional, onde entrou a convite do então Presidente do Conselho, Marcello Caetano, cedo se tornou num “desalinhado”, perante o rumo que o regime tomava. Demitiu-se do cargo meses depois, optando por “correr por fora”, através de fortes críticas empreendidas junto do poder fascista. Para tal, não precisou de “emigrar”, como outros o fizeram. Optou por desenvolver internamente uma oposição consertada ao regime marcelista.
A sua frontalidade, o seu carácter, a sua determinação e a sua enorme capacidade política com que vincava os seus ideais, transformaram Sá Carneiro num verdadeiro estadista e num dos homens mais marcantes da contemporaneidade portuguesa. Reconhecimento e gratidão são alguns dos sentimentos mais nobres com que hoje o podemos homenagear.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Assim, "o amor acontece"!

Hoje propus-me falar um pouquinho sobre o amor. Há uns dias, decidi ir a um clube de vídeo e alugar o filme “O amor acontece”, filme esse que já tinha tido a oportunidade de ver aquando da sua passagem pelas salas de cinema. Foi um filme que, embora não o considere uma obra-prima, bem longe disso, onde é feito, entre outras coisas, um retrato muito infeliz e provocatório da sociedade portuguesa mas, no essencial, mostra-nos algo mais. Mostra-nos diversas situações de como o amor é possível, apesar das adversidades diárias, problemas, contratempos, enfim, tanta coisa! É certo e sabido que não deixa de ser uma comédia, onde as cenas e as imagens se sucedem e se encontram envolvidas debaixo de uma nuvem irónica bem conseguida. No entanto, não deixa de nos provocar igualmente, alguma expectativa relativamente à realidade à qual a sociedade actual é constantemente posta à prova.
Uma dessas realidades é a azafama que envolve tantas e tantas pessoas com os preparativos e a loucura das comprinhas de Natal. Muitas destas pessoas, embrenhadas que estão neste turbilhão fervilhante das sociedades modernas, nem se apercebem daquilo que diariamente germina em seu redor: as doenças, a fome, o sofrimento, as guerras e a dor que grassa no seio de muitas famílias.
Como poderei eu andar contente e ser feliz, se na sociedade onde me insiro, ou no meu leque de amizades, existir alguém que sofre, alguém para quem o momento não seja assim tão festivo? Muitas pessoas nunca se terão apercebido que a melhor prenda que poderiam dar por esta altura, era a compreensão, a solidariedade e a ajuda, sobretudo às pessoas mais sensíveis e carenciadas afectivamente.
Fico triste por quem sofre e que gostaria de viver momentos mais agradáveis. Todavia, tal como no filme, eu acho que é possível ultrapassar tudo isto se as pessoas se agarrarem com todo o seu querer à sua fé, aos seus amigos e à sua imensa vontade.
Voltando ao “meu” filme, ele apresenta-se como um verdadeiro hino ao amor. E se à nossa volta, sobretudo junto do nosso grupo de amizades, o tal amor fosse possível, à semelhança do que sucedeu no filme?