Um dia os meus pais levaram-me a um quartel, onde o meu irmão cumpria o Serviço Militar Obrigatório, para aí assistir à cerimónia do seu “juramento de bandeira”. Eu era ainda muito jovem e, confesso que muitos daqueles rituais não os entendia muito bem. Marchas para um lado, marchas para o outro; tudo ali muito direitinho e alinhadinho bem ao jeito daquelas historietas da banda desenhada com os seus soldadinhos de chumbo.
Embora já tenham passado várias décadas sobre essa data, tenho hoje muito presente uma tirada de uma senhora, posicionada ali ao lado, bradando e, de dedo apontado, dizia com um ar muito feliz e orgulhosa: “olhem, aquele é o meu filho! É o único que vai com o passo certo!”. No meio de largas centenas de recrutas ser o único com o passo certo, seria obra digna de um verdadeiro prodígio; de alguém fora do comum, pensei eu com a minha tenra idade!
Pois é, hoje, passados tantos anos, dá a impressão que há alguns dirigentes nacionais que se consideram super dotados e se acham também os únicos a caminhar com o passo certo, tal como o filho daquela senhora. Refiro-me concretamente ao Ministro da Saúde, Correia de Campos.
Com tantas manifestações e com tanta gente descontente com o encerramento de maternidades, de centros de saúde e do serviço de urgências hospitalares em cidades como Valença, Chaves e muitas outras, o governante dá-se ao luxo de dizer que os portugueses não estão informados apelidando-os, num português idiota e enganador, de ignorantes. Com estas medidas, acha-se o único a marchar alinhado e no rumo certo.
Este senhor argumenta que com o desenvolvimento de uma rede de auto-estradas se resolve o problema! Maior baboseira não poderia dizer!
Embora já tenham passado várias décadas sobre essa data, tenho hoje muito presente uma tirada de uma senhora, posicionada ali ao lado, bradando e, de dedo apontado, dizia com um ar muito feliz e orgulhosa: “olhem, aquele é o meu filho! É o único que vai com o passo certo!”. No meio de largas centenas de recrutas ser o único com o passo certo, seria obra digna de um verdadeiro prodígio; de alguém fora do comum, pensei eu com a minha tenra idade!
Pois é, hoje, passados tantos anos, dá a impressão que há alguns dirigentes nacionais que se consideram super dotados e se acham também os únicos a caminhar com o passo certo, tal como o filho daquela senhora. Refiro-me concretamente ao Ministro da Saúde, Correia de Campos.
Com tantas manifestações e com tanta gente descontente com o encerramento de maternidades, de centros de saúde e do serviço de urgências hospitalares em cidades como Valença, Chaves e muitas outras, o governante dá-se ao luxo de dizer que os portugueses não estão informados apelidando-os, num português idiota e enganador, de ignorantes. Com estas medidas, acha-se o único a marchar alinhado e no rumo certo.
Este senhor argumenta que com o desenvolvimento de uma rede de auto-estradas se resolve o problema! Maior baboseira não poderia dizer!
Tomando como exemplo e geograficamente demonstrável, da fronteira de Chaves até Vila Real distam cerca de 100 quilómetros. Se as pessoas percorrerem este trajecto conduzindo dentro do estabelecido pelo código da estrada (90 km/h fora das localidades e 50 km/h dentro delas) e sabendo que este percurso atravessa um número elevado de povoações, quantas horas não são necessárias para chegar a Vila Real? Mais, a tal auto-estrada a que o ministro se refere passa cerca de 15 quilómetros ao lado do hospital vila-realense e, em muitos lugares, ainda não passou do projecto!
Isto para não falar naquelas aldeias situadas em locais recônditos e que só aparecem na televisão quando há boicote às eleições ou então, quando desesperadas, as pessoas lutam estoicamente contra as adversidades que os devastadores incêndios anualmente provocam. Afinal, é bem verdade: “dos fracos não reza a história”!
Ainda bem que não é a mãe deste ministro a dizer que ele é o único que vai com o passo certo nem ela se encontra posicionada ao meu lado. Caso contrário, hoje, com mais alguns anos e experiência de vida, era eu mesmo a explicar-lhe que ele se deslocava no caminho errado, demonstrando à assistência o quão ignorante e mentiroso ele é!...
Isto para não falar naquelas aldeias situadas em locais recônditos e que só aparecem na televisão quando há boicote às eleições ou então, quando desesperadas, as pessoas lutam estoicamente contra as adversidades que os devastadores incêndios anualmente provocam. Afinal, é bem verdade: “dos fracos não reza a história”!
Ainda bem que não é a mãe deste ministro a dizer que ele é o único que vai com o passo certo nem ela se encontra posicionada ao meu lado. Caso contrário, hoje, com mais alguns anos e experiência de vida, era eu mesmo a explicar-lhe que ele se deslocava no caminho errado, demonstrando à assistência o quão ignorante e mentiroso ele é!...