sexta-feira, setembro 30, 2005

A "partidocracia" da democracia

As eleições presidenciais em França, ocorridas em meados de 2002, vieram por a nu, a fragilidade e as imperfeições que a maioria dos actuais sistemas políticos democráticos geram no seu seio.
As escolhas de milhões de eleitores acabam por ser condicionadas pela crescente partidarização na hora das suas opções, impedindo que estas espelhem, na plenitude, os desejos de cada um singularmente.
Quem se atreveria a, algumas semanas antes do escrutínio francês, prognosticar uma segunda volta eleitoral entre Jacques Chirac e Jean-Marie Le Pen?
Lá como cá. Embora com facções políticas extremistas menos evidentes e com menos peso político, tem-se vindo a sentir o crescente papel da “partidocracia” na formulação das ideias e na consequente intenção de voto da maioria dos eleitores. Os partidos são quem mais ordena, relegando para segundo plano a escolha de cada um; a possibilidade de, individualmente, podermos materializar em voto aquilo que a nossa consciência dita e não aquilo que, demagogicamente, os partidos nos vão incutindo.
Embora os termos “partidocracia” e democracia rimem na sua sonoridade, os partidos não são o povo e muito menos, o povo será os partidos.

quinta-feira, setembro 29, 2005

A "média arte" e a Artmedia

A avaliar pelo que se passou ontem, no jogo disputado no Estádio do Dragão, o Futebol Clube do Porto terá tido, no decorrer de todo o encontro apenas, eu diria, uma “média arte” para defrontar o Artmedia. Como nem sempre o dono do “engenho” será, em simultâneo, o possuidor da arte e, à falta de artistas de “gabarito”, ou pelo menos que o tenham demonstrado em acções dentro do terreno de jogo, lá ganharam os medianos (“arte média”). “…E cantando espalharei por toda a parte, se (para tal) eu tiver engenho e também arte…”!

quarta-feira, setembro 28, 2005

A “trapatonização” de Koeman

Foi com uma grande perplexidade e desalento que, ontem, durante a partida entre o Manchester United e o Benfica, verifiquei que, entre os vários intervenientes encarnados, havia dois sentimentos bem distintos: por um lado, um conjunto de jogadores que lutavam estoicamente e quase até à exaustão, no meio daqueles “arranha-céus”, posicionados no sector defensivo da equipa britânica. Do outro, um homem sentado, de olhar sereno, pouco preocupado e muito hesitante na hora de tomar decisões. É caso para dizer, mais valia não as ter tomado - as (in)decisões.
Em qualquer “compêndio futebolês” vem sempre à tona aquela já célebre frase onde “equipa que ganha não se mexe”. Pois é, Koeman, que até vem, segundo apregoam por aí, de uma escola holandesa que preconiza um futebol de ataque, ontem, acabou por “trapatonizar”, em muito, o futebol encarnado e com uma agravante: o homem que deu o mote a este meu neologismo, embora usando um futebol pouco brilhante, era, com provas dadas, um homem com um futebol consistente, compacto e com mais sucesso do que o de Koeman, o tal da escola de ataque.
Que confrangedor que foi, ver uns a tentar vencer o encontro e um outro a tentar não o perder. Por que será que o técnico holandês não consegue soltar-se daquele “colete-de-forças” que faz questão em usar?
Porque será que, algumas horas antes do jogo o técnico benfiquista vem dizer que queria vencer em Old Trafford e depois acaba por revolucionar completamente a equipa, sobretudo no seu sector defensivo e intermédio?
Pois é, as respostas politicamente correctas tão habituais na nossa “praça política" já terão chegado aos homens com responsabilidades no futebol da equipa encarnada?
Pois que assim seja. Por mim há muito que deixei de votar nesses tais políticos e, quem sabe, não faça o mesmo em relação aqueles que querem vencer encontros, perdendo-os.

O "Glorioso"

Esta noite, talvez uma das maiores marcas portuguesas - O Benfica - vai defrontar outro colosso do futebol mundial, no estádio do Manchester United. Ao que se vem dizendo, o célebre "palco dos sonhos", nome pelo qual é conhecido Old Trafford, vai estar "à pinha" e pasme-se, no meio, estarão com certeza 3.500 gargantas encarnadas, ávidas de vitórias, a entoar aqueles canticos que enchem de arrepios os mais aficionados. Espero que os arrepios se transformem numa estrondosa vitória que encha de alegria milhões de Portugueses.