quarta-feira, setembro 20, 2006

O "azul blog"

A premissa primeira para a existência deste blog é o prazer e a possibilidade que ele me oferece em poder partilhar com as várias pessoas que por cá buscam um “porto de abrigo”, alguns dos meus pontos de vista sobre determinados temas.
Neste “diálogo”, assume particular importância o testemunho aqui deixado por algumas das pessoas que o visitam, quer em tom de incentivo, quer mesmo sob o signo da crítica construtiva, numa tentativa clara de transformar este espaço num sítio cada vez mais aprazível, enriquecedor e saudável. Confesso que é este o meu entendimento.
Costumo valorizar muito os comentários que aqui me dispensam e a todos, sem excepção, tento responder. Agrada-me, sobremaneira, que este espaço seja um local de reflexão e de “peregrinação diária” para alguns dos meus amigos leitores. A este propósito, gostaria de formular uma explicação para a recente mudança do “look” deste blog.
Para quem comigo convive diariamente sabe do gosto que tenho por História de Arte e de toda a sua envolvente. A pintura é um campo a que costumo dedicar particular importância. Van Gogh, Picasso, Monet e Degas posicionam-se na linha da frente. Foi baseado nesta minha predilecção, que há alguns meses procedi a alterações no “template” deste blog, ocupando-o com uma belíssima paisagem de Van Gogh que muito gosto. Mas, como dizia Camões, se o mundo é composto por mudança, porque eu não hei-de alterar novamente este espaço, de forma a torná-lo ainda mais apelativo?
Foi o que fiz. O azul é a minha cor preferida; daí a sua escolha. No fundo, acaba por ser uma homenagem ao azul dos meus olhos, azul que me permite ver, olhar e sentir tudo aquilo que à minha volta se desenrola. Haverá melhor justificação?
Não me posso esquecer igualmente que é o azul celeste que muitas vezes nos leva a “percorrer” caminhos nunca dantes imaginados. O azul do mar, símbolo da calma, da tranquilidade e da vida é outro momento eternamente muito cobiçado e, simbolicamente, muito apetecido também!...
Mas há um outro argumento de peso a favor do azul. Esta cor deu o mote em Picasso a uma das mais belas fases da sua obra e das mais importantes na sua brilhante carreira.
Espero, com estes argumentos, ter conseguido exprimir a minha predilecção na opção da cor escolhida, de forma a retomar e, quiçá, reforçar o “conforto e o repouso” que outrora este espaço proporcionava. Assim o desejo!
O “azul monárquico” ou o “azul dragão” são e serão sempre tons de eleição, mas com uma ressalva: são-no, apenas para quem neles crê. Eu por mim, prefiro embarcar no "azul à Benfica"! Ai esta subjectividade das cores!...

terça-feira, setembro 19, 2006

O "Sol" nascente

O sol quando nasce é para todos. Esta é uma máxima muito utilizada pelo nosso povo. Mas, como não há regra sem se não, há um “Sol” que nasceu e não chegou a todos. Falo, claro está, do aparecimento no pretérito fim-de-semana, de um novo jornal semanário, cuja procura terá excedido claramente a tiragem, constituindo-se num sério projecto alternativo no panorama jornalístico português.
À partida, muita gente o terá envolvido ou conotado com o homónimo inglês “The sun” mas, após uma cuidada leitura e análise, aquilo que porventura os compara reside apenas no nome.
Pela ideia com que fiquei, ele apresenta-se como um semanário com alguma seriedade, “edificado” por alguns nomes importantes do jornalismo nacional e, a meu ver, é um projecto a ter em conta. Gostei da forma e do conteúdo de algumas notícias, do tipo de papel e do design gráfico utilizado.
Achei um jornal equilibrado, embora com algum mau gosto, para não dizer outra coisa, quando, logo na primeira página se dizia que era um jornal que não dava promoções nem oferecia brindes, numa clara picadela no lendário e concorrente semanário “Expresso”. Não era preciso tanto!...
Houve uma nota que retive: numa outra página, o jornal explanava detalhadamente as normas pelas quais o semanário se regia. Lá para o meio dessas mesmas regras dizia-se mais ou menos isto: que o jornal jamais usaria depoimentos ou imagens capazes de induzirem ou deturparem uma dada realidade. Ora, não deixou de ser caricato que, algumas páginas mais adiante, ao mostrar uma sondagem sobre os melhores e os piores Presidentes da República e Primeiros-ministros de Portugal dos últimos 50 anos, o jornal tenha colocado os vários rostos em análise sobre o mesmo corpo.
Que bonito foi ver o Dr. Salazar, homem aforrado e austero, ostentando uma moderníssima gravata, bem ao estilo séc. XXI, condizente com um elegantíssimo fato de tecido e corte italianos! Que formoso foi ver o Dr. Santana Lopes, político elegante enfiado numa barriguinha em todo igual à do Dr. Mário Soares! Afinal, quem disse que gordura já não é formosura! Divertido foi também ver o Engº António Guterres abandonar a sua célebre posição das “dez para as duas” com que habitualmente exibia os seus pés, convertendo-se ao pleno dos seus pares!
Como pela boca morre o peixe, este jornal escusava muito bem de na sua primeira edição usar logo ali de alguma falta de cuidado e de alguma incoerência.
Mas, no todo, é de felicitar o aparecimento deste projecto. Falta saber se Portugal será um mercado capaz de “alimentar” tanta folha e tanta tinta! A ver vamos!

terça-feira, setembro 12, 2006

The "champion" and the others!...

Quem me conhece sabe da adoração que habitualmente dedico à música, expressa nas mais variadas formas ou sons. Cedo me habitei a oferecer uma especial atenção à produção nacional, sobretudo motivada pela proximidade à língua pátria e também, pela partilha que adveio no seio dos grupos onde habitualmente me socializava à época, especialmente a escola.
Com o evoluir dos tempos e com a consequente forma diferenciada como a passava a olhar, começo a ter contacto com variados tipos musicais, onde pontificam cantores e bandas estrangeiras como os Pink Floyd, Rolling Stones, Leonard Cohen, Dire Straits e, posteriormente, os U2.
É sabido o fascínio que me provocam músicas como “sultans of swing” dos Dire Straits; “wish you where here” dos Pink Floyd ou mesmo “one” dos U2. Este é, por assim dizer, o meu “ranking”!
Uma coisa muito poucos sabem. Do encantamento que ao longo dos anos me provocou a sonoridade das canções musicadas pelos Queen e pelo seu líder, Freddy Mercury. Reflecti bastante sobre se haveria de escrever alguma coisa sobre esta verdadeira lenda da música mundial, passados que foram há dias, 60 anos sobre o seu nascimento. Obviamente que a resposta só poderia ser afirmativa, perante tão excepcional e marcante figura!
Desde muito jovem que me habituei a ver Freddy Mercury como um génio e um verdadeiro ídolo. Muitas vezes, a sua irreverência em palco me fez entrar em viagens, cujo destino ainda hoje estou por desvendar. Músicas compostas por um misto de ópera e rock tornaram-se emblemáticas para mim e para a época. Quem não se lembrará de “bohemian rhapsody”, "bicycle race" ou “somebody to love”, onde Mercury, por detrás dos seus dentinhos de “rabit”, nos oferecia muita da sua magia e inigualável capacidade musical?
De voz inconfundível, de um coração sem limites e de uma generosidade à flor da pele, Freddy Mercury participa no “Live Aid”, em Londres, levando ao delírio milhares de fãs no estádio de Wembley, em 1985, com transmissão televisiva à escala mundial. Sons como “I want to break free” ou “radio ga ga” foram ecoados por milhões de gargantas, naquela histórica tarde quente britânica.
Mas Mercury apresentava-se como um homem de vida e relações difíceis, envolvendo-se frequentemente em viagens libertinas onde ele próprio não conhecia os seus limites. Foi numa dessas faustosas festas por ele organizadas para celebrar o seu aniversário, que é infectado com o vírus da sida.
Mesmo sabendo da sua doença, Mercury continua a cantar “I want it all” e “who wants to live forever”, autênticos hinos à vida, ao amor e sobretudo à amizade, materializada particularmente em “friends will be friends”.
Embora o seu estado de saúde se deteriore a cada dia que passa, Mercury grava “Innuendo” já com dificuldades de saúde aparentes. As suas canções falam agora em “miracle” ou em “one vision” num incessante apelo ao sobrenatural! Tornou-se então num “invisible man” e acaba por reconhecer que, apesar da gravidade da sua doença, “the show must go on”!
É este homem, tão humano quanto boémio; tão incompreendido quanto irreverente, que acaba por preencher grande parte dos imaginários musicais de cada um. Freddy Mercury acaba assim por marcar fortemente uma época. Não a de 70, 80, 90 ou outra qualquer geração. Ele marcou e marca toda uma família que gosta de música… mas da verdadeira, da genuína! Afinal Freddy, tu não partiste porque “you are the champion”!...

segunda-feira, setembro 04, 2006

Os vendedores de ilusões

Depois de um pequeno périplo pelo estrangeiro, em férias, eis-me de cara renovada: mais positivo, mais confiante e, quiçá, mais feliz!
Afinal, cheguei à conclusão que Portugal é um país bem mais importante do que aquilo que eu pensava antes. Já somos ouvidos em reuniões junto dos grandes órgãos de decisão; do futebol, por exemplo (FIFA). Somos nomeados para sede da eleição das novas “sete maravilhas do mundo” (as outras já estavam velhas) e, até já organizamos marchas pelo emprego, afugentando com elas este temeroso flagelo social.
Concluo então, depois destes maravilhosos dias, que afinal, somos um país de vanguarda!
Mas, depois de assentar arraiais e de aprofundar mais os meus conhecimentos sobre estes temas, cheguei a uma triste conclusão: os representantes nacionais reuniram na FIFA para explicarem as trapalhadas em que se vê envolvido o futebol português, tentando fazer compreender os mundos de mentira, de arranjos, de compadrio e de incompetência em que ele se vê envolvido.
Depois, as novas maravilhas do mundo e a sua eleição. Afinal, apercebi-me que sob a capa de meia dúzia de patrocinadores, promovendo alguma coisa, alguém escolheu Portugal para sedear o evento. E sabem como vai ser feita a eleição? Pela Internet. Isso mesmo, pela Internet. Brilhante esta decisão. Qualquer dia, numa qualquer eleição só vota quem tiver computador. Os muitos que não o têm ou, quem ainda “der ao dedo” nas antepassadas “azert” ou “hcesar”, que é como quem diz, dedilhar nas velhinhas máquinas de escrever, não serão, com certeza, objecto de opinião.
Resta, finalmente, a tal marcha pelo emprego. E, se de repente marchassem os cerca de meio milhão de desempregados existentes em Portugal? Será que o país ficava com uma taxa de desemprego inferior ou mesmo nula? Não creio e também não seria preciso tanto optimismo!
Se assim fosse, eu entrava de imediato na caravana da marcha: contra o desemprego, contra a droga, contra a fome, contra a exclusão, contra as más decisões. Ah, e já agora, contra estes políticos aproveitadores que após nos lançarem neste mundo de mentira e de ilusão, consomem o nosso dia a dia com estas fantochadas primárias.
Afinal, o tal país de vanguarda onde eu supunha finalmente ir viver, é apenas e só alimentado por alguns vanguardistas e vendedores de ilusões!