sexta-feira, julho 14, 2006

Finalmente, as férias!...

Depois de uma árdua jornada anual de trabalho, nada melhor do que o gozo de um retemperador período de repouso, que é como quem diz, de férias.
Mesmo não saindo do território nacional, rumo a um qualquer lugar desses sempre muito apetecidos e que povoam ciclicamente o nosso imaginário, locais normalmente situados na Polinésia, nas Caraíbas ou em um qualquer safari africano, as férias são sempre um momento muito aguardado e apetecido.
Este período de descanso vai provocar neste espaço a ausência de novos textos. Por um lado, vai servir para uma reflexão cuidada sobre os temas até aqui comentados e as alterações que eventualmente possam vir a ser feitas. Por outro, a ideia da passagem dos actuais textos longos e com alguma profundidade para outros menos pesados, será uma equação a analisar, se bem que, o meu propósito se situe mais na primeira do que na segunda opção.
Também a periodicidade dos textos aqui colocados será tema de meditação, havendo a possibilidade de serem de colocação semanal e sempre no mesmo dia.
Assim, gostaria de informar os visitantes deste espaço que, apesar das alterações possíveis a implementar, este blog voltará a ter voz a partir do início de Setembro.
Até lá, desejo aos estimados leitores que frequentemente visitam e comentam este espaço, particularmente aos meus amigos/as, uma maravilhosa época de repouso, com muito descanso e divertimento e que desfrutem este período sempre com grande tranquilidade.
A todos, umas boas férias.

segunda-feira, julho 10, 2006

Com pés e cabeça(da)!...

Zidane, o cabeceador! Este bem poderia ser o título de um qualquer artigo, a propósito das cenas lamentáveis, ocorridas durante o jogo da final do Campeonato do Mundo de Futebol, realizado na Alemanha, disputado entre a Itália e a França.
Eu disse, poderia! Poderia, se Zidane fosse natural de um outro país com menos poder nos corredores das grandes decisões da FIFA. Como poderá este conceituado organismo (eu disse conceituado?) atribuir o prémio de melhor jogador do Mundial a este atleta francês? Se Zidane fosse originário de um qualquer país africano, sul-americano ou porque não de Portugal, o que diriam os tablóides ingleses e franceses sobre o ocorrido?
Pelas imagens que eu vi ontem, e não preciso ouvir alguns “benfeitores” cá da nossa praça a desculpar o indesculpável; aquilo mais parecia um combate entre o lendário pugilista Mohamed Ali e um qualquer desprevenido adepto.
Fiquei horrorizado com o que vi. O que dirão os filhos de Zidane ao ver aquelas imagens? “O meu pai é um verdadeiro herói!”, dirão eles. E o que diria aquela criancinha que com ele entrou, minutos antes em campo de mão dada? Da que eu me safei, pensará para os seus botões!
É que este astro francês, para amedrontar os adversários é há muito, um useiro desta “arte”. Já o experimentou na Liga dos Campeões, então ao serviço da Juventus e no Mundial de França, em 1998. No total, recheou a sua carreira com catorze cartões vermelhos. Se é já um “habitué” destas lides guerreiras e grosseiras, porquê a distinção atribuída?
Com este acto, a FIFA mostrou ao mundo como este organismo é gerido e quais os valores que quer ver defendidos para o desporto. Se se premeiam agressões e actos de verdadeiro pugilato, então qualquer dia lá teremos nós de ver os atletas “equipados a rigor” com capacete, olmo e escudo em punho, não vá o diabo tecê-las!
A expressão gestual que Zidane mostrava ao mundo, aquando da marcação de um qualquer golo, manifestando-se de dedos abertos e mão direita no ar, eram gestos demonstrativos do seu ar superior e arrogante, bem ao estilo hitleriano. Felizmente que, em termos de resultado, escreveu-se direito por linhas direitas!
Se Cristiano Ronaldo não venceu o troféu de melhor atleta jovem por se “atirar demasiado para a piscina”, como muitos diziam, que dizer da coroação do francês perante tamanho acto bárbaro?
Felizmente que há coisas que não se compram e situações que não se repõem. E ainda bem! A idade chega a todos! Todavia, infelizmente, “os donos da bola”, os tais das grandes decisões e distinções, são quase sempre os mesmos. E, enquanto assim for, lá vou eu ter de ver o futebol mesclado de pugilismo e, num certame deste teor, serem galardoados actos de verdadeira selvajaria.

sexta-feira, julho 07, 2006

Portugal e o resto do mundo!...

Com o Mundial de Futebol da Alemanha a aproximar-se do seu fim, muitas conclusões já foram lançadas e muitas ilações percorreram o imaginário de cada um. Em função daquilo que cada um pretende, assim se conjecturam desfechos.
Por exemplo: os europeístas convictos já dizem que este Mundial escolheu para países semi finalistas, quatro nações integrantes da Comunidade Europeia, desvalorizando países como o Brasil, Argentina ou mesmo o Gana, territórios onde o futebol se costuma viver à flor da pele, sempre com uma avivada paixão junto dos seus praticantes. Muitos até dizem que este Mundial mais parece um Europeu à escala planetária, face à inexistente representatividade de continentes sempre muito acostumada.
Independentemente dos resultados que os jogos das meias-finais e da final nos possam proporcionar, eu acho precisamente o inverso! Materializando este meu raciocínio, penso que a final, jogada entre a Itália e a França opõe, para além destes dois países, diversos continentes! Foi o que sucedeu no jogo com Portugal e em outros onde a França participou!
O jogo entre lusitanos e gauleses merece-me uma análise redobrada, tendo em conta a constituição da equipa francesa. A pátria da igualdade, mais poderia chamar-se Estados Unidos da França, isto porque, nas suas fileiras evoluem atletas dos mais variados quadrantes.
Para quem argumenta que o continente africano não tem representatividade nesta fase do torneio, eu discordo e apresento como “bandeiras” Makelele e Patrick Vieira, ambos atletas africanos, naturais do Zaire e do Senegal, respectivamente.
O mesmo se passa em relação ao continente americano. Quem disse que esta região não se encontra representada? Bem pelo contrário! A América Central mantém-se muito bem figurada: Thuram é natural de Guadalupe e Malouda é natural da Guiana Francesa! Apesar de tudo, esta minha reflexão apenas se centra nos titulares do jogo contra Portugal. Se eu analisasse todos os convocados, a “salada” seria outra bem maior, com toda a certeza!
Por aqui que se vê que, afinal, este pequeno país chamado Portugal, não fez assim um tão mau resultado, perante esta “constelação de estrelas” das mais variadas latitudes. Para um desafio entre Portugal e o resto do mundo até que nem nos saímos assim tão mal!
E se não fosse a representação da América do Sul, o único no terreno de jogo equipado de cor diferente, talvez até tivéssemos conseguido ir mais longe mas, afinal, mesmo pequenos em tamanho, conseguimos incomodar os grandes, os do poder!...

quarta-feira, julho 05, 2006

Os "papagaios falantes"!...

O futebol é um jogo e nunca, por momento algum, o deve deixar de ser. Sempre ouvi dizer que não devemos fundir no mesmo “saco” futebol, política e religião. Por estes dias, a esta já muito gasta premissa, apetece-me acrescentar-lhe mais qualquer coisinha.
E se a estas três “graças” que regem, orientam e divertem as actuais sociedades, lhes associássemos um tal “quarto poder” como alguém já o apelidou - o jornalismo? Sugiro este pequeno exercício prático porque, com o aproximar do “terminus” do grande torneio mundial de futebol – o campeonato do mundo, os intervenientes, os verdadeiros actores predispõem-se, a cada dia que passa, a tudo tentar esclarecer perante uma plateia de jornalistas, ávidos de novos elementos e novos desenlaces sobre o próximo jogo. Digo eu que será assim! Ou melhor, diria!
Então, não é que se convocam conferências de imprensa, por vezes enfadonhas e chatas onde as questões a colocar aos tais actores, de tudo falam menos da verdadeira essência do futebol! Muitos dos profissionais da comunicação, a meu ver, estão mais preocupados em usar da palavra para que, lá em casa, possam ser vistos ou ouvidos (sim porque também gostam de dizer “mamã, estou aqui”!) do que em ver esclarecidos assuntos técnico-tácticos a utilizar no jogo a seguir.
Mas, a parte mais caricata de muitos destes profissionais situa-se no ridículo dos temas de notícia que arranjam. Sinceramente, não sei quais os critérios que prevalecem nesta escolha. Mas sei, com toda a certeza, que estes não foram aqueles que aprenderam ao longo da sua formação profissional.
Contribuo, muito ao de leve, para a formação de alguns destes profissionais. Aquilo que no dia a dia se lhes pede e é exigível é a sua dedicação, sinceridade e, sobretudo, total imparcialidade. E o que é que eu vejo?
A todos nós, com certeza que já alguém nos “sussurrou” ao ouvido dizendo que no estrangeiro é que tudo é bom e fantástico e em Portugal tudo é mau. Mas, se quando proferimos afirmações deste teor nos lembrarmos dos famosos tablóides ingleses e franceses que tudo usam para denegrir a imagem do mais sério mortal, então, está tudo dito! Será que estes jornais são mesmo editados por profissionais do jornalismo? É que eu não aprecio muito a vulgarização desta nobre profissão mas, pelos vistos, assim é!
Ontem, assistia eu ao “jornal da noite” num canal de televisão francês – a TF1 e estava a passar uma reportagem sobre a capital portuguesa numa tentativa de abordagem ao jogo de logo à noite com Portugal. Começaram por dizer que era um “pequenino” país com os tais dez milhões de gargantas e com uns míseros quilómetros quadrados de extensão. Pudera, digo eu! Não dispomos de ilhas importantes como Reunião e Guadalupe ali “bem pertinho”! Depois, o repórter fez um retrato miserável da nossa capital, entrevistando unicamente pessoas idosas que, pela apresentação não vivem uma vida faustosa e onde as ruas retratadas apresentavam um aspecto nada a condizer com os pergaminhos alfacinhas. Nem uma imagem dos monumentos mais emblemáticos da cidade nem das suas ruas mais movimentadas! Nada! Tenho pena, coitado! Se calhar também não as conhecia!
Esta reportagem apenas veio por a nu a fragilidade, o desconhecimento e uma ignorância primária dos profissionais envolvidos nela. Só que, a partir de agora, não permitirei mais que me “sussurrem” ao ouvido. Lá como cá e cá como lá. Há os bons, onde a semente que caiu, germinou e deu frutos e há os outros, onde a semente caiu sim, só que nunca frutificou! E pelo palrar destes “papagaios”, nunca irá frutificar, garanto!...