Na década de noventa, talvez porque se afigurava muito na moda, desenvolveu-se uma caça desenfreada àquilo a que chamavam o “trabalho infantil”. Muitos órgãos de comunicação social apelidavam então Portugal de país de terceiro mundo, onde não se respeitavam os direitos das indefesas crianças, sentindo-se estas ofendidas pela ausência dos elementares deveres paternais exigidos aos seus progenitores.
Diariamente, os vários media plantavam-se à porta de fábricas (têxteis, de calçado e outras de índole mais familiar), interpelando crianças com ar assustado e rosto sujo da labuta diária, transportando o farnel a tiracolo, a caminho do seu local de trabalho, imagine-se! O mais caricato de tudo isto é que, a pobreza atinge por vezes determinados limites, onde há lares em que a opção não passa pela escola. Tudo se joga na dicotomia entre o passar fome ou o trabalho.
Sem quaisquer sombra de dúvidas que gostaria que situações destas fossem irradiadas da sociedade onde me insiro. Nunca fui a favor da emancipação laboral precoce e, sempre que isto acontece, devemos ecoar bem alto, apontando o dedo aos prevaricadores e aproveitadores.
Uma coisa nunca percebi. Porque será que os tais media nunca foram para a porta de produtoras cinematográficas, casas de espectáculos ou de actuações similares, onde diariamente crianças, a troco de auspiciosas carreiras de actores são constantemente exploradas? Afinal, não haverá aqui também trabalho infantil?
Quando Portugal sorria e saltava ao som do “bacalhau quer alho”, entoado pelo minúsculo e popular Saúl, num misto de infantilidade e de brejeirismo pimba, quem levantou o dedo, chamando a atenção para a exploração que aquele miúdo sofria face ao evidente aproveitamento dos pais?
Passados alguns anos, os muitos “Saúis” ainda andam por aí, se passeiam e permanecem activos, prontos para a exploração. Há bem pouco tempo, pensando na “galinha dos ovos de ouro”, em Braga, um pai deslocou-se até Lisboa, com um filho de oito anos, repito, oito anos! Na qualidade de “dono” do seu filho, assinou-lhe um contrato como futebolista com um famoso clube da capital. Tirou fotos trajado a rigor, pavoneou-se pelo estádio e, pelo comportamento, deve ter-se sentido um verdadeiro “rei da Prússia”!
Pouco tempo depois, quando confrontado com o desejo de um outro clube querer o filho nas suas fileiras, embrenhado numa frenética ânsia pelo dinheiro, não olha a meios e acha-se no direito de querer assinar um outro contrato com o segundo clube.
Feliz pelo seu comportamento, chama a comunicação social dizendo que o primeiro clube o induziu em erro, o iludiu e não sei mais quantas mentiras e que o filho estava impedido de fazer o que mais gostava: jogar futebol! Ora que eu saiba, um miúdo com oito anos quer ir à escola, brincar com os colegas, jogar o que lhe apetecer no recreio e disso o filho não está impedido! Estará impedido é de ter um pai aproveitador, explorador e manipulador de opiniões.
Aqui está um belo exemplo de trabalho infantil, entre muitos outros que grassam por esse país fora. Pelos vistos, trabalhar numa fábrica, angariando precocemente algum sustento para um agregado a viver em situação calamitosa e de miséria é exploração infantil. Todavia, pais esconderem-se por detrás de uma pretensiosa carreira para dela retirarem os seus dividendos não será exploração? Querem melhor evidência para os tais “dois pesos e duas medidas”?
Diariamente, os vários media plantavam-se à porta de fábricas (têxteis, de calçado e outras de índole mais familiar), interpelando crianças com ar assustado e rosto sujo da labuta diária, transportando o farnel a tiracolo, a caminho do seu local de trabalho, imagine-se! O mais caricato de tudo isto é que, a pobreza atinge por vezes determinados limites, onde há lares em que a opção não passa pela escola. Tudo se joga na dicotomia entre o passar fome ou o trabalho.
Sem quaisquer sombra de dúvidas que gostaria que situações destas fossem irradiadas da sociedade onde me insiro. Nunca fui a favor da emancipação laboral precoce e, sempre que isto acontece, devemos ecoar bem alto, apontando o dedo aos prevaricadores e aproveitadores.
Uma coisa nunca percebi. Porque será que os tais media nunca foram para a porta de produtoras cinematográficas, casas de espectáculos ou de actuações similares, onde diariamente crianças, a troco de auspiciosas carreiras de actores são constantemente exploradas? Afinal, não haverá aqui também trabalho infantil?
Quando Portugal sorria e saltava ao som do “bacalhau quer alho”, entoado pelo minúsculo e popular Saúl, num misto de infantilidade e de brejeirismo pimba, quem levantou o dedo, chamando a atenção para a exploração que aquele miúdo sofria face ao evidente aproveitamento dos pais?
Passados alguns anos, os muitos “Saúis” ainda andam por aí, se passeiam e permanecem activos, prontos para a exploração. Há bem pouco tempo, pensando na “galinha dos ovos de ouro”, em Braga, um pai deslocou-se até Lisboa, com um filho de oito anos, repito, oito anos! Na qualidade de “dono” do seu filho, assinou-lhe um contrato como futebolista com um famoso clube da capital. Tirou fotos trajado a rigor, pavoneou-se pelo estádio e, pelo comportamento, deve ter-se sentido um verdadeiro “rei da Prússia”!
Pouco tempo depois, quando confrontado com o desejo de um outro clube querer o filho nas suas fileiras, embrenhado numa frenética ânsia pelo dinheiro, não olha a meios e acha-se no direito de querer assinar um outro contrato com o segundo clube.
Feliz pelo seu comportamento, chama a comunicação social dizendo que o primeiro clube o induziu em erro, o iludiu e não sei mais quantas mentiras e que o filho estava impedido de fazer o que mais gostava: jogar futebol! Ora que eu saiba, um miúdo com oito anos quer ir à escola, brincar com os colegas, jogar o que lhe apetecer no recreio e disso o filho não está impedido! Estará impedido é de ter um pai aproveitador, explorador e manipulador de opiniões.
Aqui está um belo exemplo de trabalho infantil, entre muitos outros que grassam por esse país fora. Pelos vistos, trabalhar numa fábrica, angariando precocemente algum sustento para um agregado a viver em situação calamitosa e de miséria é exploração infantil. Todavia, pais esconderem-se por detrás de uma pretensiosa carreira para dela retirarem os seus dividendos não será exploração? Querem melhor evidência para os tais “dois pesos e duas medidas”?