terça-feira, dezembro 20, 2005

A "(re)prova oral"!

Mais vale tarde do que nunca! Finalmente eu percebo, porque é que o ensino e a aprendizagem em Portugal andam pelas ruas da amargura. Como é sabido, uma grande fatia dos nossos políticos, para além das tarefas políticas, exercem igualmente uma outra actividade complementar: a da docência, quer em universidades, quer em outras escolas.
Nos últimos tempos, como pessoa que procura estar informada sobre o acto eleitoral e sobre os seus “actores”, tenho seguido atentamente os vários debates entre candidatos à Presidência da República. É confrangedor ver a forma como eles interpretam determinadas perguntas colocadas pelos jornalistas, respondendo não ao que lhes é pedido, elucidando os portugueses acerca dos seus propósitos; antes sim, respondem ao que lhes convém, usando constantes divagações, frases feitas e muitas vezes, conceitos que ninguém entende. Quer dizer, entendem eles!
Desde os meus tempos de estudante nos vários graus de ensino, que fui sendo submetido a provas de avaliação frequentes: os chamados testes. Estes eram compostos por um conjunto de questões onde o aluno era posto à prova sobre matérias e raciocínios que o professor achava importantes para aquele momento.
Às vezes, o aluno que tinha interpretado mal a questão colocada, por preguiça ou por desconhecimento, respondia a uma outra coisa que não aquela que lhe era pedida. Era aquilo a que comummente chamamos de perguntar em “alhos e responder em bugalhos”. Daqui resultava que o professor lhe subtraía o valor atribuído à questão e, se fossem muitas as “fugas” ou as imprecisões, o aluno acabava por ter uma classificação negativa.
Pois é, e se esta pedagogia e este tipo de classificação fossem atribuídos aos nossos candidatos? Desde Cavaco a Louçã, da esquerda à direita, todos usam a mesma cartilha. Será que os portugueses não merecem seriedade? Será que não merecem ser esclarecidos sem demagogia, sem o recurso ao tal “discurso redondo” e de conveniência?
Eu gostava de saber, se um qualquer destes senhores, na universidade onde lecciona, quando perante uma qualquer fuga de um aluno, à questão colocada num exame, qual será o resultado ou a consequência? Será que, confrontado com esta realidade, o aluno ainda terá uma classificação de excelência ou meritória? Obviamente que não! Todavia, eles procuram em nós, usando e abusando de todas as subtilezas, “passar” no tal exame.
Que exemplares que eles são! Eu por mim, sem me querer colocar na pele do “professor Marcelo”, apetece-me dar-lhes a todos nota negativa. E depois, qual o problema? Chumbavam! Só que, no futuro, teríamos de levar de novo com eles, avaliando-os novamente e aí, já não haveria pachorra!

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