segunda-feira, junho 25, 2007

A cestinha, o martelo e as rusgas: o "mix" quase perfeito!...

É hábito comum, anualmente, cada edilidade proceder à veneração do seu santo padroeiro, engalanando-se a preceito cada uma dessas comunidades. Dentro destes festejos dos santos populares, a trilogia António, João e Pedro leva larga vantagem sobre todos os outros, rivalizando entre si os dois primeiros.
Embora eu não seja um cidadão nascido na antiga “Capital do Império” – Lisboa, desde os meus verdes anos que me habituei a festejar o Santo António, santo popular da região que me viu nascer. Quando em Vila Real, percorria a área reservada aos festejos, o estômago clamava por um pedaço de “Doce Teixeira”, por umas “cavacas” ou por outras coisas que nem sempre eram as mais amigas mas, acabavam por se tornar desculpáveis.
As cestinhas, os carros de choque, os aviões, os tiros de pressão e as partidas de matraquilhos eram sempre muito apelativos, tornando-se irresistíveis à minha tentação.
Por esta altura eu sabia lá que havia Santo António em Lisboa ou que havia São João no Porto, em Braga ou em Évora? Isso a mim não me interessava. O que eu gostava mesmo era do meu autêntico e incomparável Santo António de Vila Real.
Um bom par de anos mais tarde, por motivos profissionais, mudei-me de “armas e bagagens” para o Porto. Aí tive a oportunidade de fazer um contraponto entre o meu admirável Santo António e o agora folião São João “tripeiro”. Incomparável, digo agora eu! Os tais doces davam lugar a mesas repletas de gente, degustando apetecidas sardinhas assadas e febras, preferencialmente bem regadas, numa clara invocação ao Deus Baco. As cestinhas e os outros momentos lúdicos eram substituídos pelas correrias em grupo, rua abaixo, rua acima, de martelo em punho procurando sempre a cabeça mais apropriada para uma descuidada martelada. A noite de farra culminava com um bom pezinho de dança numa das discotecas em voga.
Finalmente, para acalmar tamanha folia, desgaste e eu sei lá mais o quê, nada melhor que um mergulho matinal, nas águas frias do Atlântico, ali mesmo em frente, na praia do “Homem do Leme”, seguido de uma merecida soneca. Foi assim em anos sucessivos!
Novamente, por motivos profissionais, desloquei-me agora de “bagagens” e já sem “armas” para a cidade de Braga, onde me esperava um São João menos cosmopolita, evidenciando-se um misto entre o cristão e o pagão, em cuja sonoridade barulhenta, o tal martelo leva vantagem. Aqui, vá-se lá saber porquê, a martelada mostra-se igualmente apetecível, embora seja intervalada com o sempre horrífico odor do alho-porro e as cócegas que a hortelã provoca no nariz de cada um.
Há um dado insólito no São João bracarense: o desfilar das rusgas, numa clara alusão à vida no campo e ao quotidiano minhoto, onde mulheres e homens, envoltos em trajes típicos, cobertos de artefactos rendilhados a ouro, tocam e dançam ordenadamente, interrompidos aqui e ali por apetecidas marteladas infligidas pelos muitos transeuntes que passam.
Bom, no final desta minha “viagem” de algumas décadas, interrogo-me: como será possível, em momentos e em espaços territoriais tão diferenciados, a génese destes festejos ser tão perecida? Muitas das vezes, aquilo que difere são as expectativas com que os abordamos, onde as cestinhas e os aviões; as correrias e os pés de dança e as rusgas e as marteladas têm o seu próprio enquadramento. Eu por mim, já as adoptei, coabitando todas elas, ordeiramente, no meu extenso “álbum de memórias”!...

2 comentários:

Anónimo disse...

As companhias do S. João de agora é que são melhores :)lol

Anónimo disse...

Ai são? :)
De facto, também concordo! (lol)