Reflecti muito sobre se deveria comentar este assunto que tanto tem invadido a paciência e a consciência de cada um mas, com tantos e tamanhos bombardeamentos diários, não me contive em o fazer.
Embora na sociedade portuguesa se sintam ainda marcados vestígios de analfabetismo, por estes dias, pelo mais ignorantes e distraídos que possamos ser, penso que não haverá nenhuma alma, que não saiba do desaparecimento de uma criança inglesa que se encontrava no Algarve a passar uns dias de férias. As televisões, os jornais e até as caixas de email encarregaram-se de nos relembrar este episódio.
Não quero aqui evidenciar uma qualquer insensibilidade para com este hediondo caso que se abateu sobre aquela família. Todavia, entendo que o exagero continuado de informação sobre este assunto, acaba muitas das vezes por provocar o chamado “efeito de boomerang” ou seja, deturpa os propósitos esperados inicialmente, invertendo os intentos previstos.
Logo que foi público este acontecimento, homens e meios, que é como quem diz, repórteres de imagem, jornalistas e uma imensa logística ligada ao mundo da comunicação social ali aportou para fazer a cobertura do “evento”. À cabeça, a imprensa inglesa alimentou logo ali “álibis” para o sucedido, tratando de culpabilizar a polícia portuguesa pela falta de empenho e de informação que transparecia para o exterior. Sentia-se uma desmesurada vontade em tudo relatar quando praticamente nada se sabia ou nada se acrescentava.
O sensacionalismo inglês empenhou-se logo de mundializar o caso transformando-o num facto diário relevante para a vida britânica e, quiçá, para o mundo. Por momentos pensei que o quotidiano inglês não tinha destes problemas, onde não desapareciam crianças e onde a polícia tudo tornava público. Mas, depois de fazer um ligeiro “rewind” apercebi-me que têm no seu próprio país um vasto campo, onde podem alimentar este tipo de sensacionalismo mediático sem incomodarem a pacatez e tranquilidade portuguesas.
Analisando bem, pergunto-me a mim próprio: onde estavam estes tablóides britânicos quando o seu país ajudou a invadir o Iraque levando ao desaparecimento de milhares de crianças? Será que estas crianças indefesas e inocentes não deveriam ter a mesma cobertura mediática, com fotografias, com parangonas e com primeiras páginas iguais aquelas que estão a ser dispensadas no Algarve? Onde estão os donativos para as suas buscas?
Será que no Crescente Fértil os tablóides “Dailly Mirror”, o “The Sun” ou a estação de televisão “Sky News” se prontificam a oferecer importantes pistas sobre os “vândalos” invasores às polícias locais ou se investigaram o paradeiro das crianças aí desaparecidas? À semelhança da britânica, aquelas também tinham rosto, brinquedos, família...
Pelo mais que lutemos, o mundo acaba por ser demasiado desigual. Os números nem sempre são aquilo que são; antes sim, aquilo que queremos que sejam. Haja paciência! Já não suporto mais este folclore diário.
Embora na sociedade portuguesa se sintam ainda marcados vestígios de analfabetismo, por estes dias, pelo mais ignorantes e distraídos que possamos ser, penso que não haverá nenhuma alma, que não saiba do desaparecimento de uma criança inglesa que se encontrava no Algarve a passar uns dias de férias. As televisões, os jornais e até as caixas de email encarregaram-se de nos relembrar este episódio.
Não quero aqui evidenciar uma qualquer insensibilidade para com este hediondo caso que se abateu sobre aquela família. Todavia, entendo que o exagero continuado de informação sobre este assunto, acaba muitas das vezes por provocar o chamado “efeito de boomerang” ou seja, deturpa os propósitos esperados inicialmente, invertendo os intentos previstos.
Logo que foi público este acontecimento, homens e meios, que é como quem diz, repórteres de imagem, jornalistas e uma imensa logística ligada ao mundo da comunicação social ali aportou para fazer a cobertura do “evento”. À cabeça, a imprensa inglesa alimentou logo ali “álibis” para o sucedido, tratando de culpabilizar a polícia portuguesa pela falta de empenho e de informação que transparecia para o exterior. Sentia-se uma desmesurada vontade em tudo relatar quando praticamente nada se sabia ou nada se acrescentava.
O sensacionalismo inglês empenhou-se logo de mundializar o caso transformando-o num facto diário relevante para a vida britânica e, quiçá, para o mundo. Por momentos pensei que o quotidiano inglês não tinha destes problemas, onde não desapareciam crianças e onde a polícia tudo tornava público. Mas, depois de fazer um ligeiro “rewind” apercebi-me que têm no seu próprio país um vasto campo, onde podem alimentar este tipo de sensacionalismo mediático sem incomodarem a pacatez e tranquilidade portuguesas.
Analisando bem, pergunto-me a mim próprio: onde estavam estes tablóides britânicos quando o seu país ajudou a invadir o Iraque levando ao desaparecimento de milhares de crianças? Será que estas crianças indefesas e inocentes não deveriam ter a mesma cobertura mediática, com fotografias, com parangonas e com primeiras páginas iguais aquelas que estão a ser dispensadas no Algarve? Onde estão os donativos para as suas buscas?
Será que no Crescente Fértil os tablóides “Dailly Mirror”, o “The Sun” ou a estação de televisão “Sky News” se prontificam a oferecer importantes pistas sobre os “vândalos” invasores às polícias locais ou se investigaram o paradeiro das crianças aí desaparecidas? À semelhança da britânica, aquelas também tinham rosto, brinquedos, família...
Pelo mais que lutemos, o mundo acaba por ser demasiado desigual. Os números nem sempre são aquilo que são; antes sim, aquilo que queremos que sejam. Haja paciência! Já não suporto mais este folclore diário.
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