segunda-feira, março 12, 2007

Verdes continuam os campos!...

Não disponho de dados que me permitam obter uma causa efeito consistente mas, anualmente, sempre que se avizinha a mutação entre o Inverno e a Primavera acaba por me provocar alguns comportamentos que não sinto noutras passagens sazonais. Já muitas vezes ouvi falar na ascendência que os astros exercem sobre os nossos comportamentos mas, nunca dei muito crédito a tais influências.
Quando se fala na Primavera, é comum associarmos esta estação do ano ao desabrochar da vida, ao florir das árvores que, em muitos casos, significam a génese de novos e saborosos frutos. Associamos também aos imensos campos “pincelados” de inúmeras colorações, emprestando a estas áreas extraordinárias tonalidades e odores. A este propósito, quem não se lembra dos espectaculares mantos brancos que nos propiciam anualmente as amendoeiras em flor ou as contrastantes e lindas paisagens alentejanas?
Mas, por paradoxal que possa parecer, todo este tempo de beleza e de florescimento acaba por provocar uma certa melancolia, angústia, saudade e quiçá alguma tristeza! Confesso não ter explicação para este fenómeno!
Ou melhor, até devo ter. O ser humano rege-se por valores e por uma forte e diversificada rede de sentimentos, muitos deles associados a laços familiares e de amizade muito próximos. A nossa vida é composta por momentos, tal como o ano é composto por estações. Se numa qualquer estação acabámos por ser abalados por um qualquer acontecimento forte e que nos terá marcado de forma mais vincada, acabamos por o ressentir a cada ano que passa.
Tenho até um excepcional motivo para inverter o sentido desta melancolia. A extraordinária mulher que teve o ensejo de me fazer ver a luz do dia e que teve a responsabilidade primeira pelas letras que hoje escrevo nasceu precisamente na Primavera! Mas… como seu contemporâneo, acabo sempre por relevar momentos mais presentes e recentes. Ela que me perdoe!
Pode parecer uma idiotice mas, definitivamente não gosto desta Primavera, do mês de Abril nem da actual quadra pascal. Que despreocupado era sentir outrora o cheiro que emanava dos campos; correr atrás do chilrear dos pássaros ou recolher a casa ao toque do sino da igreja. Que belos e apetecidos eram os familiares almoços pascais seguidos do magnífico “compasso” que percorria toda a aldeia! Como eram lindas aquelas artérias apinhadas de tanta gente que ali vivia!
Hoje, as ruas estão despidas, as casas abandonadas e, aos belos almoços familiares alguns elementos já não respondem à chamada. Pelos vistos partiram e, ao que parece, terá sido em Abril. Como já foi linda a Primavera!...

2 comentários:

Anónimo disse...

A vida prega-nos muitas partidas que nos marcam para sempre e que quer queiramos quer não acabam por ser "avivadas" anualmente quando se aproximam essas datas que preferiamos esquecer...só nos resta a nós, comuns mortais, tentar tornar essas lembranças mais suaves e olhar para o que está em nosso redor e que é bom, que nos traz conforto e que nos ajudam a voltar a olhar para a Primavera com outros olhos e com outros sentimentos :)!
Beijinhos e toca a levantar o animo :)!!!!

Anónimo disse...

Olá Sofia;
Obrigado pelas bonitas palavras de incentivo.
Um beijinho