Há já alguns anos que não exerço o meu elementar dever de cidadania, que é como quem diz, não participo em actos eleitorais, quaisquer que eles sejam. A ausência de classe, postura e coerência da nossa desclassificada classe de políticos a isto me leva.
Por estes dias vai realizar-se uma consulta popular a propósito da interrupção voluntária da gravidez. Tanta coisa se escreve e tanta coisa se diz. Por vezes, argumentos de um verdadeiro baixo nível intelectual, para não dizer de outros.
Já me detive em frente à televisão, embora em escassas ocasiões, aqui procurando alguns conhecimentos, para saber o que é que muda no fundamental com esta aprovação. Sinceramente e para mim, o que muda são os discursos e não as práticas.
Como disse, sou daqueles que se vai abster e acho que, esta é a melhor forma de expressar a minha opinião. Todavia, sou abertamente a favor da vida e do direito a ela, como também sou a favor da responsabilização de cada um pelos actos que pratica. É certo que os apologistas do sim rebuscam logo os casos mais enigmáticos e anormais para daí partirem para a generalização do costume. Uma clara idiotice!
Pelo que conheço da lei, ela já existe para casos de má formação, de violação e de casos similares. Daí que, não entendo tanto alarido. Por outro lado, quem foi o iluminado que escolheu o “timing” das dez semanas? Porque não cinco ou porque não vinte ou até nove semanas e meia? Sempre seria mais sugestivo!
Há argumentos radicais que falam na ida de pessoas endinheiradas fazer abortos em clínicas de luxo no país vizinho e outras, aquelas mulheres cuja carteira é magra, ficam por cá, envergonhadas, desprotegidas socialmente e vulneráveis a este destino! Com maior ou menor distância, sempre houve ricos e pobres e cada um age conforme as suas capacidades. É assim nos trabalhos; é assim no acesso aos meios de informação; é assim no “modus vivendi” de cada um.
O que muda afinal com a aprovação desta lei sobre o aborto? Nada ou quase nada! Muda essencialmente uma coisa: legaliza-se um mercado – o das clínicas privadas. Aqui não vão caber, com certeza, as tais pessoas carenciadas cuja carteira se encontra agora revirada do avesso. Aqui vão aportar as tais pessoas que se deslocavam até ao país vizinho. Dito com outras palavras, vai continuar a ser o dinheiro a falar mais alto e quem tem faz, quem não tem, continuará a recorrer aos métodos praticados até aqui.
A meu ver, em vez de nos preocuparmos com esta legalização, deveríamos enfrentar realidades bem mais marcantes e de urgente solução. Falo, claro está, dos processos de adopção de crianças. Não entendo como é que em Portugal se demora uma eternidade a decidir sobre um qualquer processo de adopção. Acho, aqui sim, que se a burocracia da lei fosse mais célere e contemplativa, não falávamos em meia dúzia de mulheres que foram a julgamento. Falávamos sim em milhares de novos sorrisos, que com eles, espalhavam a felicidade em outros tantos lares!...
Por estes dias vai realizar-se uma consulta popular a propósito da interrupção voluntária da gravidez. Tanta coisa se escreve e tanta coisa se diz. Por vezes, argumentos de um verdadeiro baixo nível intelectual, para não dizer de outros.
Já me detive em frente à televisão, embora em escassas ocasiões, aqui procurando alguns conhecimentos, para saber o que é que muda no fundamental com esta aprovação. Sinceramente e para mim, o que muda são os discursos e não as práticas.
Como disse, sou daqueles que se vai abster e acho que, esta é a melhor forma de expressar a minha opinião. Todavia, sou abertamente a favor da vida e do direito a ela, como também sou a favor da responsabilização de cada um pelos actos que pratica. É certo que os apologistas do sim rebuscam logo os casos mais enigmáticos e anormais para daí partirem para a generalização do costume. Uma clara idiotice!
Pelo que conheço da lei, ela já existe para casos de má formação, de violação e de casos similares. Daí que, não entendo tanto alarido. Por outro lado, quem foi o iluminado que escolheu o “timing” das dez semanas? Porque não cinco ou porque não vinte ou até nove semanas e meia? Sempre seria mais sugestivo!
Há argumentos radicais que falam na ida de pessoas endinheiradas fazer abortos em clínicas de luxo no país vizinho e outras, aquelas mulheres cuja carteira é magra, ficam por cá, envergonhadas, desprotegidas socialmente e vulneráveis a este destino! Com maior ou menor distância, sempre houve ricos e pobres e cada um age conforme as suas capacidades. É assim nos trabalhos; é assim no acesso aos meios de informação; é assim no “modus vivendi” de cada um.
O que muda afinal com a aprovação desta lei sobre o aborto? Nada ou quase nada! Muda essencialmente uma coisa: legaliza-se um mercado – o das clínicas privadas. Aqui não vão caber, com certeza, as tais pessoas carenciadas cuja carteira se encontra agora revirada do avesso. Aqui vão aportar as tais pessoas que se deslocavam até ao país vizinho. Dito com outras palavras, vai continuar a ser o dinheiro a falar mais alto e quem tem faz, quem não tem, continuará a recorrer aos métodos praticados até aqui.
A meu ver, em vez de nos preocuparmos com esta legalização, deveríamos enfrentar realidades bem mais marcantes e de urgente solução. Falo, claro está, dos processos de adopção de crianças. Não entendo como é que em Portugal se demora uma eternidade a decidir sobre um qualquer processo de adopção. Acho, aqui sim, que se a burocracia da lei fosse mais célere e contemplativa, não falávamos em meia dúzia de mulheres que foram a julgamento. Falávamos sim em milhares de novos sorrisos, que com eles, espalhavam a felicidade em outros tantos lares!...
2 comentários:
Olá!
Acho que nesta votação há o sim e o não.
A abstenção, talvez para os que não conseguem ter uma opinião. O que não é o caso!
Vá, toca a votar!!
Bjinhos
Inês
Olá:
É verdadeira essa tua ideia e, jamais me terá passado pela cabeça, ser um "abstencionista militante". No entanto, a adulteração da realidade, a mentira e a coacção que se exerce sobre as pessoas, a mim repudia-me. Gosto de ter opiniões - e tenho-as - mas não queria que fossem outros a imporem-mas.
Depois, há a falsidade dos políticos, da qual já me cansei. A democracia será perfeita no dia em que pudermos votar a fovor ou contra determinada pessoa ou opinião.
Há outro factor que me leva a não votar mas, esse tem a ver com aspectos geográficos.
Obrigado pelo comentário! Apreciei muito o reparo. Muito perpicaz!
Beijinhos
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