segunda-feira, dezembro 04, 2006

"Mares de gente"!...

Ainda a quadra natalícia não se vislumbra no horizonte e já se vêem espalhadas pelas ruas as mais variadas demonstrações, lembrando-nos a sua distante proximidade. Por aquilo que fui apreendendo ao longo da minha juventude e durante a minha formação intelectual, sempre ouvi dizer que o Natal era a comemoração do nascimento do Menino Jesus, altura para as famílias se reunirem e para celebrar essa importante data no seio do universo católico.
Que eu saiba, e as estatísticas ajudar-me-ão a fundamentar a minha ideia, o número de católicos não sofreu um aumento tão significativo. Se assim é, porque é que se vêem numerosos grupos de pessoas, a tão grande distância das festividades natalícias, a querer celebrar ou arranjar argumentos para solenizar esta quadra?
Moro muito perto de uma grande superfície comercial. É confrangedor ver, por estes dias, sobretudo ao fim de semana, magotes de pessoas amontoadas à porta das lojas, apinhadas à procura de não sei o quê; de cartão de crédito em punho, não se importando com a crise em que o país se encontra mergulhado. Aproveitando uma imagem do poeta Fernando Pessoa, “é gente, sempre mais gente, num tumulto permanente e numa caudalosa corrente” à procura da prenda para o amigo X; para o familiar Y ou para o colega Z.
O que preside a toda esta correria já não é o Natal. É sim o “faz de conta”; é o aspecto material que move e desperta estas criaturas. Num ápice, o cristão deu lugar ao pagão e os propósitos que outrora me moviam nesta época, vejo-os de uma momento para o outro completamente adulterados e deturpados.
Quem se quiser dar ao luxo de, por estes dias, questionar uma qualquer criancinha sobre qual o seu entendimento acerca do Natal, a resposta é peremptória: “é a vinda do Pai Natal e a troca de presentes”! Há pessoas que não têm pejo algum em oferecer coisas totalmente insignificantes e despidas de qualquer valor. Grupos há que, para que isto não se verifique, ousam estipular regras do tipo, atribuir um valor mínimo à prenda a oferecer. Mas que raio de amizade é esta que fundamenta os seus valores nestes cânones? Às tantas dou comigo a pensar: será que temos mesmo amigos?
Uma das grandes capacidades que o ser humano tem é a da sua aculturação. Já o senti por diversas vezes e já o consegui em diferentes outras ocasiões. Mas, para esta, em definitivo, não estou preparado para a ela aderir nem com ela celebrar um qualquer compromisso.
Com tantas pessoas a festejar o Natal, leva-me a crer que, qualquer dia, as Igrejas ficarão abarrotadas nas horas da devoção. Ou então, aproveitando a conjuntura, talvez as grandes superfícies comerciais promovam a construção daqueles locais de culto no seu interior. Se a montanha não vai a Maomé, que venha Maomé até à montanha!...

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