segunda-feira, dezembro 18, 2006

A deformação da formação!...

Como qualquer pessoa interessada em refrescar os seus saberes, por estes dias senti a necessidade de frequentar novamente um curso de formação profissional. Já por diversas vezes o fiz e, sempre que isso acontece, faço-o com o objectivo de adquirir “ferramentas” intelectuais, aptidões e condutas, independentemente da gratuitidade, do auto financiamento ou mesmo do custo que essas acções venham a envolver. A premissa primeira é a da satisfação e da resposta às minhas necessidades profissionais diárias.
Desde que a formação profissional começou a vincar mais o quotidiano das pessoas, logo após a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, que o objectivo inicial dessa mesma capacitação vem sendo adulterado. Há entidades que, em vez de procurarem na formação uma mais valia para o seu “staff” humano, encaram-na com num sentido totalmente pervertido e sem qualquer nexo.
Há empresas que entendem a formação nos seus quadros de pessoal como uma forma de castigo, de recompensa, de férias, ou mesmo do tipo “analgésico”. Outras há, que vêem a formação como algo que está na moda; como um enlatado; como uma forma de saque de dinheiro; de engodo ou até como uma valente seca.
Assim será, porventura para alguns. Todavia, e ainda bem, não o será para a maioria. É comum, a este propósito, dar-mos o exemplo dos países nórdicos como o modelo e o exemplo a seguir. Contudo, os que mais o esgrimem, são os que mais contribuem para deformar os objectivos inicialmente traçados.
As pessoas devem receber formação em áreas que tenham a ver com o seu desempenho diário. Não estou a ver um agente policial a ter formação em reportagem televisiva ou um cozinheiro a receber ensinamentos na área da indústria fabril!
Por outro lado, há quem entenda a formação como um escape ao dia a dia de trabalho, aproveitando o ensejo para lá aparecer “tarde e a más horas”, desmotivado e despido de qualquer interesse. É muito comum, nestes casos, atribuir-se unicamente a culpa ao candidato mas, não se me afigura totalmente verdade.
Para que o país e as acções de formação sejam profícuas, torna-se igualmente necessária uma total responsabilização da parte dos formadores, na imposição e no cumprimento de um horário minimamente exigível, assim como o necessário aproveitamento. Caso contrário, os tão apetecidos diplomas, que é unicamente aquilo que muitos procuram, deixariam de ser distribuídos a quem nada fez para os merecer.
É imperioso por em prática esta conduta para que a formação, afinal, não se transforme numa deformação. Caso contrário, continuaremos a nossa romaria, assobiando para o ar, promovendo patetamente o culto e a adoração pelos nórdicos.

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