Não tenho conhecimento nem dados para afirmar que esta prática tenha lugar em outros países. Acontece que, em Portugal, sempre que há uma qualquer reunião marcada para determinado horário, ninguém ou quase ninguém cumpre com o mais simples e elementar compromisso: chegar a horas. Uns argumentam com o trânsito, outros com o filho que teve de ir para o infantário, outros que o leite matinal estava muito quente, enfim, até há uma grande corrente que invoca o já bem conhecido “quarto de hora académico”, sem nunca ter posto os pés ou pertencido a uma qualquer academia.
Com este tipo de atitude, “come quem quiser” mas não contem com o meu apoio. Acho miserável; acho uma profunda falta de respeito pelo outro, aquilo que vem sendo hábito em determinados quadrantes da sociedade portuguesa.
Certo dia fui a um dentista. Era uma daquelas consultas rotineiras em que, porventura, o médico não demoraria mais do que quinze minutos a atender-me. Cheguei a horas para a consulta que estava marcada para as duas da tarde. Sentei-me e fui folheando os jornais diários e “dando uma volta” por todas as revistas cor-de-rosa que por ali havia, algumas já com anos de vida. O tempo foi passando e apercebi-me que apenas fui solicitado para a tal consulta às cinco da tarde, já depois de algumas interrogações sobre tamanha demora.
A consulta estava marcada há meses. Não fui eu quem sugeriu aquela hora nem aquele dia e, no final, restou-me pagar os dolorosos cinquenta euros que era o valor estipulado, sem qualquer esclarecimento nem um pedido de desculpas. Claro que não fiquei contente. Fiz ver e sentir isso a quem deliberadamente atrasou a minha vida naquela tarde. Resultado: nunca mais lá voltei.
Há bem pouco tempo voltei a necessitar de uma visita ao médico. Nada de especial; consulta de clínica geral, meramente de rotina e, como o “famoso” Serviço Nacional de Saúde anda mesmo doente, decidi socorrer-me de uma consulta particular, pensando eu que o tempo de espera seria nulo ou quase.
Marquei a consulta, ou melhor, o consultório encarregou-se de o fazer, escolhendo a hora e o dia adequados para mim. Cinco e meia da tarde era a hora que me destinaram. Há horinha, com a minha pontualidade britânica, lá estava eu disponível para que o “Senhor Doutor” me auscultasse. Foi-me dito, imediatamente após a minha chegada, que estava tudo muito atrasado. Ora, pensei para comigo: mas que tenho eu a ver com os outros? Marcaram-me a hora e eu aqui estou! Esperei, esperei e, confesso que desesperei perante tamanha falta de respeito pelos utentes. Já não é pelos doentes, é pelas pessoas, pelo Homem e pelo seu semelhante. Enfadonhamente, lá fui consultado cerca das sete e meia da tarde!
Ah, atenção, nem tudo foram atrasos. No final da consulta e sem demora, foi-me dito: “senhor, são sessenta e cinco euros”. E se eu me atrasasse agora também? E se eu cobrasse ao médico oitenta euros pelas duas horas em que me reteve?
O que levará estas pessoas, com reconhecida intelectualidade a agir assim? Talvez sejam estes os que dizem que Portugal é um país atrasado. Não meus amigos! Eu prefiro dizer que é um país de atrasados, onde o egocentrismo coabita com a prepotência e o desrespeito para com o nosso próximo! Se o tal “Senhor Doutor” um dia, quando for apanhar o comboio ou o avião, agir da forma com que o fez comigo talvez fique apeado e em terra. Por mim, ele já nem tirava o bilhete!...
Com este tipo de atitude, “come quem quiser” mas não contem com o meu apoio. Acho miserável; acho uma profunda falta de respeito pelo outro, aquilo que vem sendo hábito em determinados quadrantes da sociedade portuguesa.
Certo dia fui a um dentista. Era uma daquelas consultas rotineiras em que, porventura, o médico não demoraria mais do que quinze minutos a atender-me. Cheguei a horas para a consulta que estava marcada para as duas da tarde. Sentei-me e fui folheando os jornais diários e “dando uma volta” por todas as revistas cor-de-rosa que por ali havia, algumas já com anos de vida. O tempo foi passando e apercebi-me que apenas fui solicitado para a tal consulta às cinco da tarde, já depois de algumas interrogações sobre tamanha demora.
A consulta estava marcada há meses. Não fui eu quem sugeriu aquela hora nem aquele dia e, no final, restou-me pagar os dolorosos cinquenta euros que era o valor estipulado, sem qualquer esclarecimento nem um pedido de desculpas. Claro que não fiquei contente. Fiz ver e sentir isso a quem deliberadamente atrasou a minha vida naquela tarde. Resultado: nunca mais lá voltei.
Há bem pouco tempo voltei a necessitar de uma visita ao médico. Nada de especial; consulta de clínica geral, meramente de rotina e, como o “famoso” Serviço Nacional de Saúde anda mesmo doente, decidi socorrer-me de uma consulta particular, pensando eu que o tempo de espera seria nulo ou quase.
Marquei a consulta, ou melhor, o consultório encarregou-se de o fazer, escolhendo a hora e o dia adequados para mim. Cinco e meia da tarde era a hora que me destinaram. Há horinha, com a minha pontualidade britânica, lá estava eu disponível para que o “Senhor Doutor” me auscultasse. Foi-me dito, imediatamente após a minha chegada, que estava tudo muito atrasado. Ora, pensei para comigo: mas que tenho eu a ver com os outros? Marcaram-me a hora e eu aqui estou! Esperei, esperei e, confesso que desesperei perante tamanha falta de respeito pelos utentes. Já não é pelos doentes, é pelas pessoas, pelo Homem e pelo seu semelhante. Enfadonhamente, lá fui consultado cerca das sete e meia da tarde!
Ah, atenção, nem tudo foram atrasos. No final da consulta e sem demora, foi-me dito: “senhor, são sessenta e cinco euros”. E se eu me atrasasse agora também? E se eu cobrasse ao médico oitenta euros pelas duas horas em que me reteve?
O que levará estas pessoas, com reconhecida intelectualidade a agir assim? Talvez sejam estes os que dizem que Portugal é um país atrasado. Não meus amigos! Eu prefiro dizer que é um país de atrasados, onde o egocentrismo coabita com a prepotência e o desrespeito para com o nosso próximo! Se o tal “Senhor Doutor” um dia, quando for apanhar o comboio ou o avião, agir da forma com que o fez comigo talvez fique apeado e em terra. Por mim, ele já nem tirava o bilhete!...
4 comentários:
Subscrevo completamente e partilho com o autor todo o descontentamento por este tipo de situação que infelizmente no nosso país é um velho hábito!
Beijinhos
Sofia, afinal já sinto alguém do meu lado, o que já é bom.
Beijinhos
Fernando
Este é um dos mais gritantes sintomas do atraso português: a falta de respeito pelo outro. Poderia escrever páginas e páginas sobre alguns ilustres (?) portugueses que fazem do atraso horário uma das suas marcas identificadoras, ou de algumas más experiências que frequentemente também tenho nos diferentes serviços destinados ao público. Geralmente faço uma coisa quando não me respeitam: lavro a minha queixa no livro de reclamações! Não tem resolvido nada, mas como não consigo fazer uma “peixeirada”, deixo expresso o meu “direito à indignação”.
Meu caro António:
Escrever no tal livro, para além dos gastos que esta tarefa envolve, não leva objectivamente a lado nenhum. Eu ajo de outra forma: quando me sinto injustiçado, aviso que não voltarei lá mais e demonstro esse meu descontentamento.
O pior é quando eu não posso socorrer-me da "casa do lado".
Mas, pelos vistos, de indignados está o mundo cheio!...
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