sexta-feira, novembro 10, 2006

O "paradigma" anda perdido!...

Por estes dias, tive conhecimento da publicação numa conceituada revista americana, de uma publicidade promocional do nosso país. Até aqui, a ideia parece-me oportuna não fosse o elevado custo que essa mesma publicação terá envolvido e, ao mesmo tempo, o propósito com que ela foi engendrada.
O governo português anda muito mais preocupado com o imaginário que as pessoas em geral têm de Portugal do que com a realidade que por cá se vive. Trabalha-se muito, como se diz na gíria televisiva, para o plano e para o enquadramento, deixando-se o conteúdo de parte.
Não entendo porque temos de promover o nosso país daquela forma. Percebo que o devamos divulgar para fins turísticos ou outros, capítulos onde até costumamos “dar cartas”. Agora não entendo como é que um país desgovernado como anda, o possamos pintar com cores tão garridas e alegres.
A Finlândia, um paradigma dos países modelo do recente desenvolvimento, tem mostrado ao mundo as tácticas empreendedoras desse mesmo crescimento. Não é com imagens, muitas vezes irreais e fantasiosas que se consegue essa mesma credibilização. É com actos. Cabe aqui uma citação do historiador português Alexandre Herculano, onde ele argumentava que “o Homem gosta muito mais de obras do que de palavras”. Leia este ilustre português, senhor Primeiro-ministro!
O país está a passar por um período de grandes agitações e descontentamento social, silenciados sabiamente por altos dirigentes da governação, como tem vindo a lume ultimamente na comunicação social. O desgoverno é total; a mentira e a batota eleitoral enraizaram-se nos homens do poder. O sistema democrático, para ser perfeito, deveria ser capaz de banir esta crescente classe de aldrabões e de ilusionistas.
É sabido que os funcionários da Administração Pública Portuguesa promoveram ontem e hoje dois dias de greve nacional. Depois da multiplicação de notícias fazendo eco dos já esperados enormes transtornos no normal funcionamento das instituições, lá vem o governo afirmar que a adesão à greve situou-se apenas nos 12%. Das duas uma: ou o governo mente, ou então, os tais 12% não causavam assim tantos estragos no atendimento público, sendo falaciosas as notícias vindas a público! Pelos vistos, parece que os responsáveis governativos não sabem mesmo fazer contas. Haja alguém que os ensine!

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