terça-feira, outubro 03, 2006

A "casa do lado"!...

Com maior ou menor frequência, costumo recorrer aos serviços prestados pelas farmácias, sempre que a necessidade a isso me obriga. Com a grande diversidade da procura e das enfermidades que recorrem a este serviço, era de bom senso que estes espaços estivessem abertos ao atendimento público por um período mais alargado de forma a responder a tantas solicitações de maneira satisfatória. O contentamento público devia “marchar” na linha da frente. Mas, afinal… pelos vistos, não!
É comum dizer-se mal do atendimento às populações usado por funcionários da Administração Pública. Por outro lado, quando nos questionamos sobre o atendimento popular sentido nos bancos, lá vem a Caixa Geral de Depósitos na cauda do nível de contentamento.
Ora, até aqui, penso que já não é novidade para ninguém. Infelizmente, há muito que em diversos serviços públicos nos habituámos a isto, tornando-se prática frequente. Apetece, muitas das vezes, socorrermo-nos da “casa do lado”. Mas, na tal “casa” não há Tribunais, não há Repartições de Finanças, não há Câmaras Municipais… enfim, não há alternativas aos serviços públicos que procuramos e nos quais nos sentimos injustiçados.
Embora a população portuguesa, nos últimos anos, não tenha sofrido um aumento relevante, com a evolução das mentalidades e com um acréscimo das necessidades quotidianas, a procura dos serviços farmacêuticos vem sofrendo uma adesão elevada.
Este negócio emergente não se fez acompanhar de um aumento significativo no número desses mesmos espaços de venda, fazendo com que, sempre que nos dirigimos numa qualquer cidade a uma qualquer farmácia, as filas de espera são intermináveis e morosas. O país continua preso e arreigado às velhinhas licenças ou alvarás, impeditivas de um próspero e desenvolvido serviço.
Afinal, não é apenas na Administração Pública que não somos bem atendidos! Neste caso concreto adicionamos uma agravante: é que, a vontade e a possibilidade de irmos à “casa do lado” são reais só que, também lá, as esperas são igualmente morosas, com filas ainda mais extensas!
Torna-se urgente uma profissionalização séria do comércio farmacêutico e não oferece-lo de mão beijada a meia dúzia de endinheirados que compram as tais licenças e as cedem em jeito de troféus ou prendas de aniversário aos filhotes recém-licenciados, inexperientes e ainda muito “verdes” para o desempenho de tão grandes e exigentes missões.
Penso que esta inquietação não é característica nem conotada com uma qualquer região do país: de Sagres a Bragança; de Vila Real de Santo António a Caminha, do Porto a Lisboa; de Braga a Beja, o mote é o mesmo. Se as farmácias não vêem com bons olhos a liberalização da venda dos vários fármacos ou outros produtos aí comercializados, temendo a perda do monopólio, então, para se acautelarem, devem empenhar-se, oferecendo um serviço eficaz e de distinta qualidade.
É que, não basta argumentarmos com a lei; devemos andar por dentro dela, oferecendo ao público o que ela mesma determina. Afinal, será que a invocação já não é o que era? Que saudades dos “Lusíadas”!...

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