terça-feira, setembro 19, 2006

O "Sol" nascente

O sol quando nasce é para todos. Esta é uma máxima muito utilizada pelo nosso povo. Mas, como não há regra sem se não, há um “Sol” que nasceu e não chegou a todos. Falo, claro está, do aparecimento no pretérito fim-de-semana, de um novo jornal semanário, cuja procura terá excedido claramente a tiragem, constituindo-se num sério projecto alternativo no panorama jornalístico português.
À partida, muita gente o terá envolvido ou conotado com o homónimo inglês “The sun” mas, após uma cuidada leitura e análise, aquilo que porventura os compara reside apenas no nome.
Pela ideia com que fiquei, ele apresenta-se como um semanário com alguma seriedade, “edificado” por alguns nomes importantes do jornalismo nacional e, a meu ver, é um projecto a ter em conta. Gostei da forma e do conteúdo de algumas notícias, do tipo de papel e do design gráfico utilizado.
Achei um jornal equilibrado, embora com algum mau gosto, para não dizer outra coisa, quando, logo na primeira página se dizia que era um jornal que não dava promoções nem oferecia brindes, numa clara picadela no lendário e concorrente semanário “Expresso”. Não era preciso tanto!...
Houve uma nota que retive: numa outra página, o jornal explanava detalhadamente as normas pelas quais o semanário se regia. Lá para o meio dessas mesmas regras dizia-se mais ou menos isto: que o jornal jamais usaria depoimentos ou imagens capazes de induzirem ou deturparem uma dada realidade. Ora, não deixou de ser caricato que, algumas páginas mais adiante, ao mostrar uma sondagem sobre os melhores e os piores Presidentes da República e Primeiros-ministros de Portugal dos últimos 50 anos, o jornal tenha colocado os vários rostos em análise sobre o mesmo corpo.
Que bonito foi ver o Dr. Salazar, homem aforrado e austero, ostentando uma moderníssima gravata, bem ao estilo séc. XXI, condizente com um elegantíssimo fato de tecido e corte italianos! Que formoso foi ver o Dr. Santana Lopes, político elegante enfiado numa barriguinha em todo igual à do Dr. Mário Soares! Afinal, quem disse que gordura já não é formosura! Divertido foi também ver o Engº António Guterres abandonar a sua célebre posição das “dez para as duas” com que habitualmente exibia os seus pés, convertendo-se ao pleno dos seus pares!
Como pela boca morre o peixe, este jornal escusava muito bem de na sua primeira edição usar logo ali de alguma falta de cuidado e de alguma incoerência.
Mas, no todo, é de felicitar o aparecimento deste projecto. Falta saber se Portugal será um mercado capaz de “alimentar” tanta folha e tanta tinta! A ver vamos!

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