segunda-feira, julho 10, 2006

Com pés e cabeça(da)!...

Zidane, o cabeceador! Este bem poderia ser o título de um qualquer artigo, a propósito das cenas lamentáveis, ocorridas durante o jogo da final do Campeonato do Mundo de Futebol, realizado na Alemanha, disputado entre a Itália e a França.
Eu disse, poderia! Poderia, se Zidane fosse natural de um outro país com menos poder nos corredores das grandes decisões da FIFA. Como poderá este conceituado organismo (eu disse conceituado?) atribuir o prémio de melhor jogador do Mundial a este atleta francês? Se Zidane fosse originário de um qualquer país africano, sul-americano ou porque não de Portugal, o que diriam os tablóides ingleses e franceses sobre o ocorrido?
Pelas imagens que eu vi ontem, e não preciso ouvir alguns “benfeitores” cá da nossa praça a desculpar o indesculpável; aquilo mais parecia um combate entre o lendário pugilista Mohamed Ali e um qualquer desprevenido adepto.
Fiquei horrorizado com o que vi. O que dirão os filhos de Zidane ao ver aquelas imagens? “O meu pai é um verdadeiro herói!”, dirão eles. E o que diria aquela criancinha que com ele entrou, minutos antes em campo de mão dada? Da que eu me safei, pensará para os seus botões!
É que este astro francês, para amedrontar os adversários é há muito, um useiro desta “arte”. Já o experimentou na Liga dos Campeões, então ao serviço da Juventus e no Mundial de França, em 1998. No total, recheou a sua carreira com catorze cartões vermelhos. Se é já um “habitué” destas lides guerreiras e grosseiras, porquê a distinção atribuída?
Com este acto, a FIFA mostrou ao mundo como este organismo é gerido e quais os valores que quer ver defendidos para o desporto. Se se premeiam agressões e actos de verdadeiro pugilato, então qualquer dia lá teremos nós de ver os atletas “equipados a rigor” com capacete, olmo e escudo em punho, não vá o diabo tecê-las!
A expressão gestual que Zidane mostrava ao mundo, aquando da marcação de um qualquer golo, manifestando-se de dedos abertos e mão direita no ar, eram gestos demonstrativos do seu ar superior e arrogante, bem ao estilo hitleriano. Felizmente que, em termos de resultado, escreveu-se direito por linhas direitas!
Se Cristiano Ronaldo não venceu o troféu de melhor atleta jovem por se “atirar demasiado para a piscina”, como muitos diziam, que dizer da coroação do francês perante tamanho acto bárbaro?
Felizmente que há coisas que não se compram e situações que não se repõem. E ainda bem! A idade chega a todos! Todavia, infelizmente, “os donos da bola”, os tais das grandes decisões e distinções, são quase sempre os mesmos. E, enquanto assim for, lá vou eu ter de ver o futebol mesclado de pugilismo e, num certame deste teor, serem galardoados actos de verdadeira selvajaria.

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