De repente, o meu país virou oásis! Nos tempos da ditadura fascista dizia-se que o Dr. Oliveira Salazar baseava a sua orientação política sob três premissas importantes a saber: Deus, Pátria e Família. Hoje, a esta trilogia, eu acrescentaria o Futebol!
Portugal é hoje um país mergulhado numa profunda crise económica, política e social, arrastando consigo imensas dificuldades. Mas, o que importa isto? O que interessa é viver o momento; é consumir aquilo que meia dúzia de interessados querem que consumamos. O deficit, os problemas sociais, os incêndios, a reforma da Administração Pública, as manifestações por melhores condições de vida, os insultos e as agressões nas escolas, tudo isto por estes dias, não interessa!
No passado domingo, senti-me um profundo idiota! Os três canais televisivos generalistas que existem em Portugal, em todos enfadava o mesmo assunto ao longo do dia: o jogo de futebol entre Portugal e Angola.
As televisões e os seus profissionais esgrimiam-se para dar o primeiro plano, para contar a melhor história, apresentar o melhor comentário e trazer a figura mais marcante e emblemática. Durante o dia todo assim foi, com directos e mais directos, bandeiras e mais bandeiras soltando “vivas” em todas as direcções.
Por momentos senti-me feliz, imaginado que finalmente, a tal época dos incêndios tinha desaparecido; o encerramento das maternidades já não era relevante; o líder da Al Qaeda no Iraque, Abu Musab al Zarqawi, já não é notícia e em Timor, a tal rebelião iniciada há dias, parou para que o jogo fosse transmitido! Para quem se lembra, isto fazia lembrar aquela paródia do Raul Solnado “à porta da guerra”!
Como apaixonado do desporto rei, também eu me senti “fulminado” por tão gigantesca promoção televisiva e há hora certa, lá estava eu, de olhos esbugalhados, a olhar o pequeno ecrã. Pacote de batata frita numa mão, o comando e uma "Bohemia" na outra, posicionava-me a preceito para saltar de alegria com os golos da minha selecção. Confesso cegamente que pensei que isso fosse acontecer, sobretudo porque o adversário a isso me levava a pensar!
Mas, à medida que o jogo ia decorrendo, a ânsia e a esperança iam-se dissipando, vendo alguns protagonistas, arrastarem a sua vaidosa vulgaridade em campo! Pensei para mim, será que não lhes deram as melhores condições de preparação? Será que o hotel de estágio não era sossegado? Será que lhes faltaram com alguma coisa?
Afinal… as minhas preocupações não passavam de um imaginário. Instalaram-se no melhor que havia, gastaram o mais que puderam, gozaram como e com quem quiseram e, no final, na hora de retribuírem com o seu esforço, acabam por dizer que “o mais importante eram os três pontos!”.
Não, para mim isso não é o mais importante. Para mim, é a espectacularidade que os leva a estar lá! Não é dizerem que foi um jogo de elevada dificuldade, porque isso já não pega! Será que Angola é um sério candidato ao título e eu não sei? Pelas palavras de alguns intervenientes proferidas no final do jogo, até parecia que tinham feito o jogo das suas vidas!
O que mais doeu foi a análise feita pelo senhor primeiro-ministro dizendo que tinha sido um “bom jogo”. Por estas palavras eu percebo então o que é um bom governo! Lá diz o ditado: “pela aragem se vê quem vai na carruagem!”...
Portugal é hoje um país mergulhado numa profunda crise económica, política e social, arrastando consigo imensas dificuldades. Mas, o que importa isto? O que interessa é viver o momento; é consumir aquilo que meia dúzia de interessados querem que consumamos. O deficit, os problemas sociais, os incêndios, a reforma da Administração Pública, as manifestações por melhores condições de vida, os insultos e as agressões nas escolas, tudo isto por estes dias, não interessa!
No passado domingo, senti-me um profundo idiota! Os três canais televisivos generalistas que existem em Portugal, em todos enfadava o mesmo assunto ao longo do dia: o jogo de futebol entre Portugal e Angola.
As televisões e os seus profissionais esgrimiam-se para dar o primeiro plano, para contar a melhor história, apresentar o melhor comentário e trazer a figura mais marcante e emblemática. Durante o dia todo assim foi, com directos e mais directos, bandeiras e mais bandeiras soltando “vivas” em todas as direcções.
Por momentos senti-me feliz, imaginado que finalmente, a tal época dos incêndios tinha desaparecido; o encerramento das maternidades já não era relevante; o líder da Al Qaeda no Iraque, Abu Musab al Zarqawi, já não é notícia e em Timor, a tal rebelião iniciada há dias, parou para que o jogo fosse transmitido! Para quem se lembra, isto fazia lembrar aquela paródia do Raul Solnado “à porta da guerra”!
Como apaixonado do desporto rei, também eu me senti “fulminado” por tão gigantesca promoção televisiva e há hora certa, lá estava eu, de olhos esbugalhados, a olhar o pequeno ecrã. Pacote de batata frita numa mão, o comando e uma "Bohemia" na outra, posicionava-me a preceito para saltar de alegria com os golos da minha selecção. Confesso cegamente que pensei que isso fosse acontecer, sobretudo porque o adversário a isso me levava a pensar!
Mas, à medida que o jogo ia decorrendo, a ânsia e a esperança iam-se dissipando, vendo alguns protagonistas, arrastarem a sua vaidosa vulgaridade em campo! Pensei para mim, será que não lhes deram as melhores condições de preparação? Será que o hotel de estágio não era sossegado? Será que lhes faltaram com alguma coisa?
Afinal… as minhas preocupações não passavam de um imaginário. Instalaram-se no melhor que havia, gastaram o mais que puderam, gozaram como e com quem quiseram e, no final, na hora de retribuírem com o seu esforço, acabam por dizer que “o mais importante eram os três pontos!”.
Não, para mim isso não é o mais importante. Para mim, é a espectacularidade que os leva a estar lá! Não é dizerem que foi um jogo de elevada dificuldade, porque isso já não pega! Será que Angola é um sério candidato ao título e eu não sei? Pelas palavras de alguns intervenientes proferidas no final do jogo, até parecia que tinham feito o jogo das suas vidas!
O que mais doeu foi a análise feita pelo senhor primeiro-ministro dizendo que tinha sido um “bom jogo”. Por estas palavras eu percebo então o que é um bom governo! Lá diz o ditado: “pela aragem se vê quem vai na carruagem!”...
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