terça-feira, junho 13, 2006

Baila comigo!...

Sou um ouvinte assíduo da rádio. Em função daquilo que procuro e do horário em que estou sintonizado, assim escolho a minha estação radiofónica. No entanto, a minha opção volta-se quase sempre para rádios nacionais, em detrimento das estações locais.
No que concerne aos jornais diários, passa-se o mesmo: gosto de ler notícias mais abrangentes e tratadas com maior profundidade. É certo que esta minha afirmação poderá chocar muitos destes profissionais mas… confesso que não tenho assim muita pachorra e paciência para ler, muitas vezes, as notícias lá da “paróquia” ou então aquelas que são encomendadas por algum personagem importante lá do “burgo”. O meu interesse busca outros objectivos.
Ora, se aquilo que me leva a procurar mais os media nacionais que os locais são os motivos que atrás evidenciei, há coisas para as quais não consigo ter uma explicação sustentada. Logo pela manhã, sintonizo a Antena 1 e lá vem o sempre alegre António Macedo a dar conta do trânsito em Lisboa. Diz-me ele, de ar alegre, que o trânsito se encontra congestionado na Calçada de Carriche, associando-lhe um rol infindável de locais com mais complicações de tráfego: a Avenida Padre Cruz; o IC 19; a Rotunda do Marquês; as Amoreiras; o “garrafão” de acesso à Ponte 25 de Abril, entre muitos outros.
Como se esta “viagem” não bastasse, lá me oferece ele outra! Esta rumo a norte, em direcção à cidade do Porto. Ouvem-se mais nomes e outros locais com trânsito difícil. É a Ponte da Arrábida; é a Circunvalação e o Amial, é a Ponte do Freixo, é o nó de Bonjóia ou a Avenida AIP.
Ora, tratando-se de uma rádio nacional, o que me dizem todos estes nomes ou locais, situados nestas duas cidades, se eu e a maioria dos portugueses dificilmente lá passaremos diariamente? Que importância terá tudo isto para a generalidade dos portugueses?
Se o objectivo é informar sobre problemas de trânsito, porque não fazem então referência a problemas idênticos na Avenida Luísa Todi, em Setúbal; na Rotunda do Sá de Miranda, em Braga; na Praça da Sé, na Guarda; na Avenida Abade de Baçal, em Bragança ou na Avenida Carvalho Araújo, em Vila Real? Se uma rádio nacional terá ou teria de fazer eco do trânsito, faria todo o sentido que o fizesse a nível nacional ou não?
Com o canal público de televisão passa-se o mesmo, embora com outros contornos. Desde jovem que fui habituado a assistir em directo, ao desfile das marchas populares em Lisboa. Se é certo que os festejos do Santo António são sempre uma data importante, com direito a feriado e tudo, então e em Castelo Branco, Beja ou Faro também não haverá essas datas festivas locais, como sucede em Lisboa? E onde está a tal cobertura televisiva nacional?
Para quem não sabe, em Vila Real, o Santo António também é dia 13 de Junho e também há festejos! Eu sei que no Porto, em Braga e em Évora, o São João também se comemora anualmente, no dia 24 de Junho, com grande pompa e igualmente com direito a feriado! Acreditem que é verdade! E onde estão então essas tais transmissões?
Concordo que devemos divulgar a cultura portuguesa mas, devemos fazê-lo na sua plenitude e não usar de um certo “etnocentrismo alfacinha”. Por favor, não nos macem mais com essas noites longas de desfiles ou então, bailemos todos!...

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