quinta-feira, junho 22, 2006

A "azia" e os sais de fruta!...

Sou daqueles portugueses que me interrogo frequentemente sobre o que é ser português? Esta dúvida ocorre-me sempre que Portugal é representado num qualquer certame supranacional, de índole política, económica, social ou mesmo desportiva.
Pegando neste último indicador – o desportivo, não me estou a ver, por exemplo, por motivos profissionais, a radicar-me num qualquer país, mesmo lusófono, aí obter a sua nacionalidade e disputar jogos, defendendo as suas cores. Não, definitivamente não faria isso!
Ora, como não faria isso e como costumo usar de uma total coerência nas minhas reflexões e nos meus pensamentos, nunca fui adepto da presença de elementos não portugueses nas nossas selecções nacionais, independentemente de se tratar de elementos muito válidos ou mesmo verdadeiros “magos” dessa modalidade.
Foi por isso, que sempre me opus à entrada dos brasileiros Deco e de Luís Felipe Scolari na selecção nacional de futebol, e de outros, em outras modalidades como o voleibol, o basquetebol, o andebol e até o atletismo.
A mim não me custa absolutamente nada admitir a genialidade de alguns ou mesmo os seus méritos e capacidades. Faço-o sem quaisquer problemas ou “azias”! Graças a Francis Obikwelu, Portugal entrou na restrita lista de países com um dos maiores velocistas mundiais. Com Alexander Donner, o andebol em Portugal evoluiu enormemente! Com Mike Plowden e outros, o basquetebol luso pôde voar mais alto! Os casos mais mediáticos centram-se em Deco, futebolista de inegáveis recursos e em Scolari, conceituado técnico brasileiro, habituado a mencionar no seu vasto curriculum, diversos troféus que não estão ao alcance de muitos!
Uma coisa é a coerência das ideias que defendemos e desejamos. Outra é o reconhecimento do valor das pessoas em apreço. Há ainda muita gente em Portugal que vê de forma ofuscada o grande trabalho desenvolvido por Scolari à frente da selecção de todos nós.
Confesso-me um crítico de Scolari mas, não me custa nada admitir que o sucesso o tem acompanhado. E quais os ingredientes do sucesso? Trabalho e capacidade, essencialmente! Se me questionarem sobres as suas escolhas para o Mundial da Alemanha, estou abertamente contra as suas opções. Se me questionarem sobre os objectivos a atingir, na altura em que escrevo este texto, eles estão completamente intocáveis!
Por alguma crítica que venho lendo sobre a selecção de todos nós, sinto numa pequena franja da população, um certo desejo com sabor a fracasso, coisa que não entendo, sinceramente!
Se abriram excepções sobre a nacionalidade de técnicos e atletas que nos representam, devemos estar com eles e apoiá-los! A vitória deles é a nossa vitória! Apenas lhes devemos pedir comportamentos tão básicos como empenho, dedicação e vontade em dar o máximo.
Por aqui concluo que, quase todas as doenças têm um qualquer analgésico capaz para as combater. Todavia, para uma doença chamada “clubite”, receio que os sais de fruta habituais não sejam suficientemente eficazes. Mesmo que estes sejam agora de venda livre nas farmácias e sem receita médica!...

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