No passado fim-de-semana, inserido nas festas académicas da queima das fitas, que por estas bandas se designa por “Enterro da gata”, tive a oportunidade de assistir a um dos vários concertos do programa festivo. Nessa noite, sábado, a “ementa” oferecia-me um espectáculo, cujo cabeça de cartaz se chamava Pedro Abrunhosa.
Este músico de inegáveis capacidades e recursos quis converter-se, em determinados momentos, num cantor de intervenção, usando e abusando de um palavreado muito pouco apropriado e nada aconselhado para aquele lugar, sobretudo porque o espectáculo era dirigido aos “homens do amanhã” como ele próprio apelidou muitas vezes junto da plateia que o seguia.
Já assisti a concertos com grandes cantores de intervenção assumidos, como Sérgio Godinho, Fausto ou o saudoso Zeca Afonso. Nunca estes arautos da nossa música de intervenção se terão socorrido de tamanhas banalidades ou mesmo ordinarices para atingirem os seus intentos como o fez naquela noite Abrunhosa! Mas conseguiram! Esta é a prova de que nem sempre o ridículo é valorizado, graças a Deus!
Interroguemo-nos então, como terá acontecido a assunção vertiginosa do cantor Pedro Abrunhosa? Como ela foi possível? Por um lado, graças à montagem de um incisivo plano de marketing, usando e abusando do culto imagético de um vulgar cantor, envolto em artefactos e gestos inusuais ao comum dos cidadãos. Quem não se lembra do seu estiloso chapéu “bizantino” e das suas vestes arábicas? Isto para já não falar da sua “cegueira” permanente, combatendo-a com os inseparáveis óculos escuros!
Este contestatário cantor emerge em 1994, no seio de uma sociedade portuguesa cansada da governação política existente, onde a contestação social engrossava, culminando no famoso bloqueio ocorrido na Ponte 25 de Abril em Lisboa, onde a ele se lhe associou.
E o que fez ele, daí para cá, em favor da ponte e dos seus utentes? Que eu saiba, nada, embora os aumentos das portagens se tenham alterado vezes sem conta. Pois é, só que agora a sua contestação já não lhe dá visibilidade. Então socorre-se de outros artefactos e de outros públicos-alvo. E quem são os mais manipuláveis e permissivos? Os jovens; aqueles que olham o futuro com algum descrédito e receio.
Em dado momento do concerto, tive a consciência plena de que não fazia parte daquele numeroso grupo. Em uníssono Abrunhosa vociferava a palavra “cãos”, numa alusão clara aos ministros que governam o país, pasme-se! Por momentos ainda pensei que ele não soubesse formular o plural de cães mas, percebi de imediato o seu propósito!
Depois, voltou-se contra o imperialismo americano e apelou de novo à plateia a repetir “caos na América, caos na América, caos na América”, pondo-a em delírio! Pensei para mim, mas afinal, onde estou eu? Por momentos senti-me deslocado e envergonhado, abanando a cabeça em sinal de discórdia!
Não sou pró ou anti americano. Nunca fui. Agora sou abertamente anti qualquer tipo de caos: na América, em Africa, na Ásia, na Europa ou mesmo na cabeça do senhor Abrunhosa! Ah, sou com certeza anti populismos saloios!
Há pessoas que, pelo seu mediatismo e pela importância que determinados grupos lhes dedicam, deviam ter mais respeito por alguns valores ou então, deviam procurar utilizar uma pedagogia mais atenta e acertada quando se dirigem às massas. É que a enxurrada do “tudo vale” começa a estar demasiado gasta!
Este músico de inegáveis capacidades e recursos quis converter-se, em determinados momentos, num cantor de intervenção, usando e abusando de um palavreado muito pouco apropriado e nada aconselhado para aquele lugar, sobretudo porque o espectáculo era dirigido aos “homens do amanhã” como ele próprio apelidou muitas vezes junto da plateia que o seguia.
Já assisti a concertos com grandes cantores de intervenção assumidos, como Sérgio Godinho, Fausto ou o saudoso Zeca Afonso. Nunca estes arautos da nossa música de intervenção se terão socorrido de tamanhas banalidades ou mesmo ordinarices para atingirem os seus intentos como o fez naquela noite Abrunhosa! Mas conseguiram! Esta é a prova de que nem sempre o ridículo é valorizado, graças a Deus!
Interroguemo-nos então, como terá acontecido a assunção vertiginosa do cantor Pedro Abrunhosa? Como ela foi possível? Por um lado, graças à montagem de um incisivo plano de marketing, usando e abusando do culto imagético de um vulgar cantor, envolto em artefactos e gestos inusuais ao comum dos cidadãos. Quem não se lembra do seu estiloso chapéu “bizantino” e das suas vestes arábicas? Isto para já não falar da sua “cegueira” permanente, combatendo-a com os inseparáveis óculos escuros!
Este contestatário cantor emerge em 1994, no seio de uma sociedade portuguesa cansada da governação política existente, onde a contestação social engrossava, culminando no famoso bloqueio ocorrido na Ponte 25 de Abril em Lisboa, onde a ele se lhe associou.
E o que fez ele, daí para cá, em favor da ponte e dos seus utentes? Que eu saiba, nada, embora os aumentos das portagens se tenham alterado vezes sem conta. Pois é, só que agora a sua contestação já não lhe dá visibilidade. Então socorre-se de outros artefactos e de outros públicos-alvo. E quem são os mais manipuláveis e permissivos? Os jovens; aqueles que olham o futuro com algum descrédito e receio.
Em dado momento do concerto, tive a consciência plena de que não fazia parte daquele numeroso grupo. Em uníssono Abrunhosa vociferava a palavra “cãos”, numa alusão clara aos ministros que governam o país, pasme-se! Por momentos ainda pensei que ele não soubesse formular o plural de cães mas, percebi de imediato o seu propósito!
Depois, voltou-se contra o imperialismo americano e apelou de novo à plateia a repetir “caos na América, caos na América, caos na América”, pondo-a em delírio! Pensei para mim, mas afinal, onde estou eu? Por momentos senti-me deslocado e envergonhado, abanando a cabeça em sinal de discórdia!
Não sou pró ou anti americano. Nunca fui. Agora sou abertamente anti qualquer tipo de caos: na América, em Africa, na Ásia, na Europa ou mesmo na cabeça do senhor Abrunhosa! Ah, sou com certeza anti populismos saloios!
Há pessoas que, pelo seu mediatismo e pela importância que determinados grupos lhes dedicam, deviam ter mais respeito por alguns valores ou então, deviam procurar utilizar uma pedagogia mais atenta e acertada quando se dirigem às massas. É que a enxurrada do “tudo vale” começa a estar demasiado gasta!
2 comentários:
Sou fã de Pedro Abrunhosa. Sempre fui, desde o seu aparecimento à uns anos atrás. Foi por isso com prazer que fui assistir a mais um concerto dele neste Enterro da Gata.Mais do que um concerto, o que Pedro Abrunhosa nos apresenta é um espectáculo, uma encenação,são boas canções rodeadas de algum show-off.Nada mais do que isso. As roupas, os óculos, as palavras fortes que permeiam as canções, tudo isso faz parte de um espectáculo a meu ver bem montado. Sou contra quaquer tipo de incitamento à violência mas quanto a mim não faz mal nenhum acordar um pouco as conciências dos ditos "homens de amanhã", provavelmente já meio adormecidas pelas cervejas a mais, mas enfim...Pedro Abrunhosa podia perfeitamente cantar as suas músicas já de sucesso, que toda a gente conhece e canta de cor, receber o seu cachet e ir embora todo contente. Mas não. Aproveita, a meu ver bem, a visibilidade que tem para chamar a atenção daquilo que está mal por este país e pelo mundo. Presume-se que os jovens adultos, "homens de amanhã" que assistiram ao concerto têm já uma cabecinha para pensar e para daí tirarem as suas próprias conclusões quanto àquilo que ouvem. Mas eu cá acho que, tal como eu, foram lá mas é para curtir a música e as boas companhias ;)
Tenho dito :)!
Beijinhos
Olá Sofia:
A Revolução de Abril trouxe-nos isto: o pluralismo! E é este pluralismo verificado também na música que engrandece a nossa cultura e o nosso ser.
Mesmo não concordando com o que se diz no "permeio" das tais "boas canções" não deixo de achar pertinente a tua opinião, de a valorizar e de contigo concordar quando afirmas que muitos lá foram para "curtir as músicas, as boas companhias" e, porque não, as boas "paisagens", nomeadamente os "pães com chouriço"! Esses sim, são os verdadeiros exemplares da nossa portugalidade! Essa é que é essa! E esta hein?...
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