terça-feira, maio 23, 2006

A "montra" vianense

Por vezes, convivemos à nossa volta com verdadeiros exemplares da nossa vasta cultura que, em muitas ocasiões, nem lhes dedicamos muito apreço. É usual, sobretudo no período anual das férias, visitar-mos este ou aquele país; este ou aquele monumento. Normalmente são-nos apresentados como os “ex libris” desses locais, a quem se tecem rasgados elogios; quer associados a grandes factos ou feitos históricos, quer mesmo ligados a grandes simbolismos culturais geracionais.
Quantos de nós já terão passado pelo gigantesco monumento de Alhambra, situado em Granada – Espanha e desconhece o emblemático e majestoso mosteiro cisterciense de Alcobaça? Quantas pessoas terão visitado a catedral de Compostela e nunca visitaram o secular interior da Sé de Braga? Muitas, com certeza!
Pois é, por vezes passa-se este fenómeno, onde a proximidade acaba por provocar o efeito inverso, ou seja, a ausência de curiosidade na sua visita, ou mesmo, alguma falta de interesse.
No passado fim-de-semana apercebi-me de algo parecido. Já me desloquei à bonita cidade de Viana do Castelo por diversas vezes. Normalmente em passeio domingueiro ou mesmo, para desfrutar de algum sol junto às praias da sua envolvente.
Viana do Lima, nome pelo qual um grande amigo meu tem por hábito chamar-lhe, tem um património cultural vasto, não estivéssemos nós no coração do Alto Minho! Todavia, muito poucos saberão que nesta cidade se situa uma das maiores e mais bem sucedidas indústrias da construção naval – os famosos “Estaleiros Navais de Viana”, nome pelo qual esta indústria náutica é conhecida.
Foi daqui que saíram grandes embarcações. Aqui se edificam e consertam muitos cruzadores transatlânticos, com destinos muito diversificados, quer em aplicações militares, quer mesmo na indústria piscatória do “fiel amigo” bacalhau.
Numa hábil e fantástica forma de homenagear esta indústria naval, os vianenses atiraram “mãos à obra” e, a uma embarcação emblemática abandonada como o “Gil Eannes” transformaram-na num autêntico museu naval ao ar livre! Este gigante dos mares, cansado de tantas vagas ter recortado, precisava agora de mostrar ao mundo toda a sua imponência, beleza e encanto que o envolvem.
A restauração e a possibilidade de visitas públicas foi a melhor forma de o apresentar ao mundo. No seu interior não faltam os quartos e beliches; as cozinhas e padarias; as enfermarias e as casas de máquinas. Tudo foi pensado. Até a máquina do “Raio X” por lá marca presença! Admiráveis as comunicações da época e as cartas marítimas! O pormenor da ementa do dia não passa igualmente despercebido. Que organização aquela!
Assim, aproveitando algo já desactivado, aqui está uma boa forma de promoção, exposta neste verdadeiro exemplar, transformado numa autêntica “montra” daquilo que de bom se produz por aquelas terras de Viana do Lima! Às vezes não é importante apenas ter ideias. É igualmente significativo colocá-las disponíveis e em prática! Parabéns pela brilhante ideia, vianenses!

2 comentários:

Anónimo disse...

Sem esquecer que além de ter sido transformado em museu, parte do "Gil Eanes" serve ainda de pousada da juventude! Uma excelente ideia para atrair jovens de todo o país e não só para aquelas paragens!

Anónimo disse...

Sofia, de facto assim é. A chegada de muitos juvens acaba por ser muito importante, ajudando a dinamizar ainda mais aquela fantástica ideia.