segunda-feira, abril 10, 2006

"Yo no soy coglioni"!...

Em tempos, tive a oportunidade de me insurgir contra certos populismos utilizados por alguns políticos portugueses, cuja postura em nada dignificava quer as suas ideias, quer o seu discurso. Afinal, o aparecimento destes fenómenos, envoltos numa dialéctica de vulgaridades, acabam por se generalizar no seio da classe política, tornando-se num acontecimento supranacional.
Como acontece ciclicamente com a generalidade dos países livres, a Itália passou por estes dias, por um conturbado e acalorado período de campanha eleitoral. Este país já nos habituou às suas infindáveis listas de partidos candidatos, sobretudo no período do pós guerra. No entanto, nesta campanha, a direita e a esquerda decidiram encetar esforços, unindo-se no seu seio, apresentando listas fortes, coesas e unificadas.
A campanha foi dura e por vezes, mesmo insultuosa. Na ala direita, Berlusconi, um magnata poderoso e popular, dono e controlador da generalidade dos media transalpinos. Na ala esquerda, Romano Prodi, antigo Presidente da Comissão Europeia e antigo Primeiro-ministro. Todos eles prometeram o “mundo e a teia” aos italianos, não se importando com o ridicularizar de algumas afirmações.
Com o avançar da campanha e à falta de mais promessas e de mais temas de mentira, eis que ambos embarcam numa toada de insultos, utilizando para tal, uma linguagem muito pouco aconselhada para candidatos a tão nobres e elevados cargos. Por um lado é Prodi que acusa Berlusconi de se agarrar aos números como os bêbados se agarram aos candeeiros. Por outro, é Berlusconi que apelida todos os italianos que não votem nele de “coglioni” - termo vernáculo que significa testículo, num claro insulto à ala esquerda italiana!
Onde o palavreado político chegou! Onde a luta política bateu! E eu pensava que isto era apenas um flagelo português! Afinal, a globalização escusava de ter chegado tão longe!
Já alguém terá imaginado, agora pegando na ideia do senhor Berlusconi, em que todos aqueles que não votam nele são “coglioni”, como seriam conotados pelo Dr. Francisco Louçã (líder do Bloco de Esquerda), os cerca de 95% dos portugueses? Sim, porque se apenas 5% dos votantes votavam nele!... É caso para dizer, “yo no soy coglioni”!...

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