sexta-feira, abril 07, 2006

"Homo Tecnologicus"

É usual conotarem as pessoas que estudam, investigam ou se especializam em História, como seres profundamente sabedores das numerosas e marcantes datas que compõem a evolução do Homem, ao longo do seu percurso histórico.
Ora, esta ideia não tem assim um grande fundamento, senão vejamos: os especialistas desta área, quando necessitam, costumam socorrer-se de pequenos manuais especializados, cujo conteúdo é composto por um conjunto imenso de datas importantes, vividas pelo Homem, ao longo do seu processo evolutivo.
Em muitas outras áreas do saber passa-se o mesmo. Quantos matemáticos trotearão hoje e de cor a velhinha tabuada? Obviamente que se socorrem de ferramentas como as máquinas de calcular científicas, capazes de com elas conseguirem uma resposta consentânea com as suas necessidades.
Na Química passa-se o mesmo. Quantos estudiosos desta área saberão todos os símbolos químicos e a composição molecular de cada elemento que faz parte da famosa tabela periódica? Ora, se a tabela existe, alguma funcionalidade terá que ter! Com as pessoas que se interessam pelas coisas da escrita, acontece o mesmo. Quantas delas não usam o tão conhecido prontuário ortográfico para dissipar no imediato qualquer dúvida?
O Homem, ao longo do seu processo evolutivo, habituou-se a criar ferramentas capazes de responder a um quotidiano cada vez mais rápido e exigente. Por isso, o recurso a este tipo de instrumentos ou de manuais não é sinónimo de ignorância ou preguiça intelectual; antes sim, um bom exemplo de rentabilização das capacidades que a evolução técnica e tecnológica nos oferece.
Este assunto é aqui aflorado por causa de alguns concursos televisivos, onde a cultura geral se torna tema dominante. Lá em casa, todos ousam achar saber a resposta certa sobre todos os assuntos. Só que, nem sempre a sua resposta corresponde à verdade! Há inclusive alguns telespectadores que se mostram muito espantados quando um qualquer graduado em História não sabe uma determinada data! A mim causa-me espanto o espanto demonstrado por essas mesmas pessoas!
Afigura-se-me complicado imaginar que um estudioso da História não saiba o que se comemora no dia cinco de Outubro. Não me cai igualmente muito bem que um matemático não saiba o valor de “pi”; que um químico desconheça o símbolo químico da água ou que um graduado em linguística não distinga um concelho enquanto espaço territorial, de um conselho dado a alguém.
Já não me espanta, que não se saiba em que dia se iniciou o Concílio de Trento; a raíz quadrada de 12.345; o símbolo químico do “disprósio” ou se se deve dizer perca ou perda. Se vivemos numa sociedade em constante evolução, devemos saber acompanhá-la, utilizando tudo aquilo que de benéfico ela nos disponibiliza. Já alguém imaginou se o Homem pré-histórico não tivesse feito uso do fogo? Talvez ainda hoje vivêssemos na idade das trevas!

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