quinta-feira, abril 06, 2006

"O trigo e o joio"

Sempre que abro um qualquer jornal diário; sintonizo à hora certa um noticiário radiofónico; ou assisto à informação televisiva diária, sou confrontado pela generalidade da Comunicação Social, para além das habituais parangonas cor-de-rosa e do sensacionalismo que estas arrastam, com um flagelo diário cada vez mais enraizado na nossa sociedade: os maus-tratos.
É o cônjuge que há muito perdeu o encanto pela sua “cara-metade” (se é que algum dia o teve), partindo para a agressão física; são os pais que maltratam os filhos, espancando-os e violentando-os até à morte; são os filhos que abandonam os pais, estes com idade avançada, desprotegidos e que já não lhes despertam socialmente qualquer interesse; são os jovens alunos que na escola ofendem e agridem os seus professores, são etnias e nacionalismos que renascem de um passado não muito longínquo. É este o retrato social com que vamos convivendo.
Para onde caminhamos, afinal? Numa sociedade dita evoluída, virada para o século XXI, como muitos apregoam; que consegue semear no mesmo terreno valores de um grande civismo, de uma grande igualdade, pautando-se por aquela prerrogativa magna e tão badalada chamada Estado de Direito.
No entanto, lá vem mais um dia em que um grupo de jovens adolescentes, cuja vida não lhes sorriu à nascença, encontrando-se à guarda de uma qualquer instituição de solidariedade social, decidem atacar e matar transeuntes que vagueiam pela rua, abandonados que foram pela sua condição ou pelo seu “fado”.
Ou então, é a criança que depois de adoptada por uma família de elevados princípios, o tal Estado de Direito decide “condená-la à morte”, entregando-a aos seus familiares biológicos, sem que estes apresentem quaisquer credenciais válidas, capazes de proporcionar à jovem uma vida próspera, como qualquer criança merece! Estes dois casos são, por assim dizer, um pequeno cartão de visita de uma infindável lista.
Choca-me a violência. Dito assim, acho que não seriam necessárias mais palavras. Todavia, choca-me duplamente a violência infligida sobre as crianças, sobretudo quando esta violência se reveste de contornos macabros e de uma malvadez pouco usual na sociedade onde me insiro.
Não sou defensor da pena de morte cega, nada disso! Aliás, comungo da ideia de que o Homem foi feito para viver e não para morrer às mãos das suas próprias leis.
Assim sendo, o que fazer com este número crescente de prevaricadores? Que destino a dar a quem comete tão hediondos actos? Tenho muitas dificuldades, perante estas horrorosas situações, em testemunhar a favor de um qualquer destes “espécimes”, sobretudo quando estes carrascos são os próprios progenitores ou seus descendentes.
Pelo mais que leia, pela maior boa vontade que exista, pelas mais tresloucadas ideias que nos passem pela mente, não têm explicação comportamentos deste calibre. Uma sociedade moderna quer-se tolerante e compreensiva, é certo! Todavia, não devemos permitir que alguns grãos de joio estraguem a nossa imensa ceara de trigo. Ou então, lá teremos nós de o ir mondando de tempos a tempos!... Mas como?

Sem comentários: