sexta-feira, março 31, 2006

"O pavão não perdeu a pena"!

“O pavão perdeu a pena”! Este bem poderia ser o mote utilizado na poesia trovadoresca, com aplicação numa qualquer cantiga de amigo ou de amor, à boa maneira provençal; canções que se revelaram muito úteis e marcantes nos vastos reportórios medievais.
Mas, afinal, o “trovador” deste blog, embora passe por uma fase de grandes movimentações profissionais, ainda não perdeu a pena, que é como quem diz, ainda não perdeu o gosto em “dar ao dedo”!
A generalidade das pessoas, nasce num espaço físico, onde nele se forma, evolui e se afeiçoa, aí adquirindo capacidades e afectos muitas vezes difíceis de superar. Frequentemente, é usual mudarmo-nos, sobretudo quando a nossa condição social ou o nosso estado civil são alterados. Mas há outras causas!
Na vida como na profissão: quantos de nós, em função de novos desafios que se afiguram; da renovada complexidade e exigência do dia a dia; do ajuste e da procura de melhores condições, nos propomos a mudar de espaço de trabalho, ou mesmo de profissão, movidos por esse tal anseio da realização ou estimulados por um melhor e mais eficaz desempenho?
Já por diversas vezes senti na pele mudanças a este nível: de cidade, de profissão, de casa (de estado civil ainda não!). Daí que hoje possa, neste campo, retirar algumas ilações. Contudo, mesmo depois de alguma experiência, não imaginava que os laços profissionais criados e as nossas práticas diárias ocupassem de uma forma tão vincada a nossa mente.
Há dias, mudei de instalações no meu local de trabalho. Embora as mudanças não tenham envolvido grandes distâncias, é notório agora, no novo gabinete, um ambiente e uma paisagem diferentes; o computador tem programas e ferramentas igualmente diferentes; o parque de estacionamento é outro; já não tenho disponível a amabilidade do António, que no bar, me preparava pela manhã, o meu pão com manteiga aquecido e o meu galão morno, como só ele sabia; é o restaurante que fica fora de mão, enfim… tanta coisa que muda e nós não nos apercebemos!
Mas, com todas estas mudanças, o teclado continua operacional e os dedos saltitam de tecla em tecla, na ânsia de melhor retratar e relatar as ocorrências do nosso quotidiano. E ainda bem que assim é! Citando uma ideia de Garrett expressa no livro “Viagens na minha terra”, continuarei por aqui a prometer que “de tudo quanto vir e ouvir, pensar e sentir, se há-de fazer crónica”.

2 comentários:

Anónimo disse...

Ainda bem que a mudança de espaço não lhe mudou a vontade de continuar essa partilha de textos bem escritos e actuais.
Quanto ao pequeno almoço, uma sugestão: pense em começar a tomá-lo em casa, a dois... Verá que nunca mais se lembra do pão do António.

Anónimo disse...

Meu caro "anonymous": deixe-me, antes de mais, agradecer-lhe as suas palavras simpáticas, capazes de provocar uma vontade ainda maior na partilha de muitas das minhas ideias ou convicções aqui neste espaço.
Relativamente ao pequeno almoço, não me custa a crer que deve ter razão naquilo que diz. Só que, a minha cama, pela manhã é tão ciumenta! Não quer que eu a abandone cedo!:)
E a dois não poderá ser porque moro sozinho.
Mas registo as suas ideias com muito agrado e muita atenção.