Vista de Mogadouro coberto de neve
Parque Natural do Douro Internacional
Os pauliteiros de MirandaJá por diversas vezes aqui aflorei o problema da interioridade portuguesa e o esquecimento que assiduamente é reservado a estes lugares. Todavia, mesmo com algum desinteresse por parte do poder político, o nordeste transmontano continua lindo, sobretudo aos olhos de quem por ali passa!
Durante a época carnavalesca tive a oportunidade de fazer um curto périplo pelo planalto mirandês, onde tive o privilégio de contactar com paisagens, com gentes, com hábitos, com práticas… tanta coisa! Não é que tivesse visto coisas completamente novas, longe disso, mas o trato recebido e a forma simpática com que fui abordado pelas pessoas aí residentes, será sempre um motivo de registo e de grande orgulho!
A neve começou por dar as primeiras pinceladas num imenso “quadro naturalista”, cobrindo os vários lugares por onde passei, com aquele manto branco que perpassa tantas vezes o nosso imaginário quotidiano! Mogadouro era um lugar frio mas belo! Ao longe, as chaminés que se perfilavam no horizonte, tentavam em vão, pincelar e amenizar todo aquele infindável manto com outros tons, tarefa titânica para tamanha beleza!
A caminho de Miranda do Douro, o horizonte empolgava-se, agora num misto contrastante de sol e de neve, mais parecendo um “quente e frio” servido numa qualquer geladaria. O cuidado na estrada era muito, não fosse o meu transporte abalroar toda aquela beleza que me foi servida, ali, sem custos nem gastos; gratuitamente!
Mais à frente, um curto desvio leva-me à barragem do Picote, para um primeiro contacto com a natureza selvagem. As aves que sobrevoavam a paisagem ajudavam agora a formar um quadro diferente: sem neve mas com o Parque Natural do Douro Internacional ali bem presente e deitado a meus pés! À medida que a minha viagem avançava, os “quadros” fundiam-se, construindo diante dos meus olhos e ao ar livre, um autêntico “museu de pintura natural”.
Chegado a Miranda, vem a procura dos locais normalmente mais conhecidos e apetecidos: solta-se então um “olha ali a Sé!”; “que linda a rua da Costanilha!”. E lá vou eu, calçada abaixo em direcção ao centro histórico, onde me espera o lindíssimo e muito bem conseguido “Museu da Terra”. Parabéns Miranda, pela espantosa promoção da vossa terra e da vossa gente que ali fazem! São trajes; são alfaias agrícolas; são práticas retratadas por imagens e corpos ali recriados; é o interior das casas com toda a sua envolvente: os quartos com os antigos lavatórios; as camas ladeadas com os tradicionais baús das roupas; a cozinha com o velho louceiro, a sala… tudo, tudo ali cabe!
Ali ao lado, um restaurante chamava por mim. Sem saber, acabava de entrar numa autêntica “feira gastronómica”. A alheira e outros enchidos, o borrego, o cabrito e a inevitável “posta lá da terra” que é como quem diz, à mirandesa, marcaram presença no meu repasto! "Coma que é tudo cá da terra", atiravam-me de imediato! Está à vista, respondia eu!
Conquistado pela paisagem, conquistado pela comida, eis-me novamente à procura de mais motivos de interesse. E que tal uma viagem de barco, Douro acima, em pleno Parque Natural do Douro Internacional? Vamos a isso, pensei logo! Se no início eu conseguia adjectivar a beleza que a neve me conseguia transmitir, aqui afigura-se-me uma tarefa mais difícil. O encanto é tal que eu não serei capaz de o retratar por palavras. E, há falta delas, socorro-me de imagens fotográficas que fiz, as quais, melhor do que eu, poderão atestar na perfeição, todo o meu desmesurado encanto.
Afinal, mesmo que Miranda esteja a trezentos quilómetros do Porto, servida por estradas que mais parecem magras e infindáveis serpentes; mesmo que a desertificação se “sente à mesa” do mais abnegado mirandês, por lá não faltam muitos e diversificados motivos de interesse. Adaptando um verso de Vinicius de Moraes, apetece-me dizer que “Trás-os-Montes continua lindo; lindo de morrer; lindo de viver; lindo, lindo!...”!
Durante a época carnavalesca tive a oportunidade de fazer um curto périplo pelo planalto mirandês, onde tive o privilégio de contactar com paisagens, com gentes, com hábitos, com práticas… tanta coisa! Não é que tivesse visto coisas completamente novas, longe disso, mas o trato recebido e a forma simpática com que fui abordado pelas pessoas aí residentes, será sempre um motivo de registo e de grande orgulho!
A neve começou por dar as primeiras pinceladas num imenso “quadro naturalista”, cobrindo os vários lugares por onde passei, com aquele manto branco que perpassa tantas vezes o nosso imaginário quotidiano! Mogadouro era um lugar frio mas belo! Ao longe, as chaminés que se perfilavam no horizonte, tentavam em vão, pincelar e amenizar todo aquele infindável manto com outros tons, tarefa titânica para tamanha beleza!
A caminho de Miranda do Douro, o horizonte empolgava-se, agora num misto contrastante de sol e de neve, mais parecendo um “quente e frio” servido numa qualquer geladaria. O cuidado na estrada era muito, não fosse o meu transporte abalroar toda aquela beleza que me foi servida, ali, sem custos nem gastos; gratuitamente!
Mais à frente, um curto desvio leva-me à barragem do Picote, para um primeiro contacto com a natureza selvagem. As aves que sobrevoavam a paisagem ajudavam agora a formar um quadro diferente: sem neve mas com o Parque Natural do Douro Internacional ali bem presente e deitado a meus pés! À medida que a minha viagem avançava, os “quadros” fundiam-se, construindo diante dos meus olhos e ao ar livre, um autêntico “museu de pintura natural”.
Chegado a Miranda, vem a procura dos locais normalmente mais conhecidos e apetecidos: solta-se então um “olha ali a Sé!”; “que linda a rua da Costanilha!”. E lá vou eu, calçada abaixo em direcção ao centro histórico, onde me espera o lindíssimo e muito bem conseguido “Museu da Terra”. Parabéns Miranda, pela espantosa promoção da vossa terra e da vossa gente que ali fazem! São trajes; são alfaias agrícolas; são práticas retratadas por imagens e corpos ali recriados; é o interior das casas com toda a sua envolvente: os quartos com os antigos lavatórios; as camas ladeadas com os tradicionais baús das roupas; a cozinha com o velho louceiro, a sala… tudo, tudo ali cabe!
Ali ao lado, um restaurante chamava por mim. Sem saber, acabava de entrar numa autêntica “feira gastronómica”. A alheira e outros enchidos, o borrego, o cabrito e a inevitável “posta lá da terra” que é como quem diz, à mirandesa, marcaram presença no meu repasto! "Coma que é tudo cá da terra", atiravam-me de imediato! Está à vista, respondia eu!
Conquistado pela paisagem, conquistado pela comida, eis-me novamente à procura de mais motivos de interesse. E que tal uma viagem de barco, Douro acima, em pleno Parque Natural do Douro Internacional? Vamos a isso, pensei logo! Se no início eu conseguia adjectivar a beleza que a neve me conseguia transmitir, aqui afigura-se-me uma tarefa mais difícil. O encanto é tal que eu não serei capaz de o retratar por palavras. E, há falta delas, socorro-me de imagens fotográficas que fiz, as quais, melhor do que eu, poderão atestar na perfeição, todo o meu desmesurado encanto.
Afinal, mesmo que Miranda esteja a trezentos quilómetros do Porto, servida por estradas que mais parecem magras e infindáveis serpentes; mesmo que a desertificação se “sente à mesa” do mais abnegado mirandês, por lá não faltam muitos e diversificados motivos de interesse. Adaptando um verso de Vinicius de Moraes, apetece-me dizer que “Trás-os-Montes continua lindo; lindo de morrer; lindo de viver; lindo, lindo!...”!
2 comentários:
Um texto lindo com imagens a combinar...gostei muito!
Beijinhos
Olá Sofia: obrigado pelas simpáticas palavras e pelo incentivo manifestado.
Beijinhos
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