Há uns anos, acabado de chegar a Paris para uma curta estadia turística, decidi começar o meu périplo pela "cidade luz" com uma pequena viagem junto à margem esquerda do rio Sena. O autocarro foi o transporte escolhido para melhor poder desfrutar das fantásticas paisagens apresentadas em meu redor.
Lá como cá. Quando me sentei no interior do meu transporte, uma senhora simpaticamente me interpelou, interrogando-me sobre a minha nacionalidade. Prontamente e sem quaisquer rodeios lhe respondi que era português. Sem pestanejar, esta gaulesa num tom sorridente e quiçá, com algum desdém, tenta repetir a informação que lhe acabava de fornecer. Admirada com a minha proveniência, lança-me num instante e com um olhar sarcástico e “amarelado”, uma frase lapidar: “ah, les petits portugais!”.
Sinceramente não entendi muito bem a utilização do termo “petits”. Pensei então para comigo: será que é por Portugal ser constituído por uma área territorial exígua? Será que é por os lusitanos serem de baixa compleição física?
Para conseguir uma resposta a estas questões eu não dispunha de elementos afirmativos! Se esta senhora se reportava ao território nacional, o que diria ela sobre os holandeses, belgas, luxemburgueses, austríacos, suíços e outros? Por outro lado, pelo que vi no Museu do Homem, não me parece que o tamanho corporal dos europeus seja assim tão diferenciado, para os portugueses serem apelidados de “petits”!
Por estes dias, os vários “media” portugueses, encarregaram-se de me dar, finalmente, a tal resposta que há muito desejava! Através deles, a generalidade da população portuguesa, tomava conhecimento que o governo canadiano se preparava para devolver à procedência cerca de dez mil emigrantes nacionais aí radicados. À semelhança da tal senhora francesa, também o poder político canadiano olha Portugal e os portugueses de uma forma sobranceira, como um espaço e uma sociedade insignificantes, sem projecção, cuja localização geográfica se situará algures, lá pela Europa!
Nunca visitei o Canadá. Confesso que terei dificuldades em algum dia o fazer, receando por lá encontrar uma “espaçosa” canadiana, atirando-me à cara com a mesma pergunta e no mesmo tom da francesa que atrás fiz alusão.
Acho uma verdadeira falta de respeito a medida que o governo canadiano tomou, sobretudo na facilidade e no rapidismo com que o fez. É certo que não concordo com a emigração ilegal. É igualmente certo que as pessoas quando partem, rumo a um qualquer lugar, devem antes de tudo, inteirarem-se sobre as regras que aí vigoram. Contudo, quando nos encontramos inseridos numa sociedade evoluída, com contornos complexos, envolvendo sentimentos e laços profundos, há que saber utilizar uma certa diplomacia, racionalidade e um bom senso bem característico do novo “homo humanus”. Afinal, há ou não humanismo?
Convém não esquecer que estamos perante mudanças familiares estruturais. Tratam-se de alterações profundas que envolvem muitas famílias e, as mudanças a fazer, requerem tempo. Os investimentos aí feitos precisam de ser rentabilizados, a vida escolar das crianças precisa de um rumo; precisa de ser normalizada e a estabilidade emocional das pessoas envolvidas precisa ser relevada e tomada em conta.
Aproveitando este “feito heróico” dos canadianos, e se os imitássemos, repatriando a todos quantos por cá andam? Se são poucos, pouco se perderia; todavia, se o número for elevado, sempre chamaria a atenção da distraída opinião pública mundial.
Por este andar, apetece-me agora inverter o termo e dizer, “les petits canadiens”, agora não pelo território nem pela sua envergadura física, antes sim, pela pequenez das decisões e atitudes tomadas.
Lá como cá. Quando me sentei no interior do meu transporte, uma senhora simpaticamente me interpelou, interrogando-me sobre a minha nacionalidade. Prontamente e sem quaisquer rodeios lhe respondi que era português. Sem pestanejar, esta gaulesa num tom sorridente e quiçá, com algum desdém, tenta repetir a informação que lhe acabava de fornecer. Admirada com a minha proveniência, lança-me num instante e com um olhar sarcástico e “amarelado”, uma frase lapidar: “ah, les petits portugais!”.
Sinceramente não entendi muito bem a utilização do termo “petits”. Pensei então para comigo: será que é por Portugal ser constituído por uma área territorial exígua? Será que é por os lusitanos serem de baixa compleição física?
Para conseguir uma resposta a estas questões eu não dispunha de elementos afirmativos! Se esta senhora se reportava ao território nacional, o que diria ela sobre os holandeses, belgas, luxemburgueses, austríacos, suíços e outros? Por outro lado, pelo que vi no Museu do Homem, não me parece que o tamanho corporal dos europeus seja assim tão diferenciado, para os portugueses serem apelidados de “petits”!
Por estes dias, os vários “media” portugueses, encarregaram-se de me dar, finalmente, a tal resposta que há muito desejava! Através deles, a generalidade da população portuguesa, tomava conhecimento que o governo canadiano se preparava para devolver à procedência cerca de dez mil emigrantes nacionais aí radicados. À semelhança da tal senhora francesa, também o poder político canadiano olha Portugal e os portugueses de uma forma sobranceira, como um espaço e uma sociedade insignificantes, sem projecção, cuja localização geográfica se situará algures, lá pela Europa!
Nunca visitei o Canadá. Confesso que terei dificuldades em algum dia o fazer, receando por lá encontrar uma “espaçosa” canadiana, atirando-me à cara com a mesma pergunta e no mesmo tom da francesa que atrás fiz alusão.
Acho uma verdadeira falta de respeito a medida que o governo canadiano tomou, sobretudo na facilidade e no rapidismo com que o fez. É certo que não concordo com a emigração ilegal. É igualmente certo que as pessoas quando partem, rumo a um qualquer lugar, devem antes de tudo, inteirarem-se sobre as regras que aí vigoram. Contudo, quando nos encontramos inseridos numa sociedade evoluída, com contornos complexos, envolvendo sentimentos e laços profundos, há que saber utilizar uma certa diplomacia, racionalidade e um bom senso bem característico do novo “homo humanus”. Afinal, há ou não humanismo?
Convém não esquecer que estamos perante mudanças familiares estruturais. Tratam-se de alterações profundas que envolvem muitas famílias e, as mudanças a fazer, requerem tempo. Os investimentos aí feitos precisam de ser rentabilizados, a vida escolar das crianças precisa de um rumo; precisa de ser normalizada e a estabilidade emocional das pessoas envolvidas precisa ser relevada e tomada em conta.
Aproveitando este “feito heróico” dos canadianos, e se os imitássemos, repatriando a todos quantos por cá andam? Se são poucos, pouco se perderia; todavia, se o número for elevado, sempre chamaria a atenção da distraída opinião pública mundial.
Por este andar, apetece-me agora inverter o termo e dizer, “les petits canadiens”, agora não pelo território nem pela sua envergadura física, antes sim, pela pequenez das decisões e atitudes tomadas.
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