quinta-feira, março 23, 2006

"As armas e os barões silenciados"!...

A palavra terrorismo é um conceito que está hoje em dia bem presente no quotidiano das pessoas. Ultimamente, esta prática encontra-se associada essencialmente a grupos muçulmanos, em resultado dos vários ataques que cirurgicamente desenvolvem junto de interesses ocidentais, achando-os lesivos à sua própria condição.
Estes ataques vêm sendo perpetrados por países cuja consolidação e estabilidade política é pura ficção; onde as crenças e o fanatismo se encontram fortemente enraizados em alguns dos diversos sectores dessas mesmas sociedades.
Assim dito e à primeira vista, parece que este flagelo do terrorismo prolifera unicamente no seio de países de orientação islâmica. Todavia, a História mostra-nos algo inverso. Traz-nos à memória a formação de grupos terroristas num contexto europeu, bem no coração do “velho continente”. Talvez sob a influência do “sucesso” conseguido aquando do assalto à aldeia olímpica, nos jogos Olímpicos de Munique, em 1972 ou, em grande medida, provocado pelo descontentamento social crescente, causado em grande parte pela crise petrolífera que assolou a Europa na década de 70, alguns grupos terroristas formados por europeus, acabam por emergir no meio desta conjuntura.
Quem não se lembrará do grupo alemão “Baader Meinhof”, responsável pelo rapto de ilustres industrias ligados a grandes grupos económicos? O mesmo sucedeu em Itália com o aparecimento das “Brigadas Vermelhas”, autores, entre outros actos, do prolongado rapto e assassinato do então primeiro-ministro italiano, Aldo Moro.
Se nestes dois casos o poder político se mostrou incapaz para dar uma solução a um terrorismo emergente, casos houve em que, os tais grupos terroristas coabitavam e apareciam associados a grupos políticos. Foi o que aconteceu com o IRA, na Irlanda do Norte, associado ao "Shin Fein" e com a ETA, em Espanha, associada ao "Herri Batasuna".
Pela inoperacionalidade demonstrada, há muito que alemães e italianos se encontram desmembrados e sem capacidade operacional e organizativa. No caso do IRA, na Irlanda, o som dos explosivos que tanto sangue fizera correr, matando e semeando pânico e tristeza junto das populações, deu há já algum tempo, lugar ao som dos elaborados discursos e do diálogo.
Passadas algumas décadas e com quase um milhar de mortes no seu “curriculum”, parece que a ETA segue os passos dos anteriores grupos, rumo a um “cessar-fogo”, sem tréguas e sem cedências por parte do poder político. Mais uma vez, os ideais democráticos imperaram e o conceito de uma Europa unida parece não contemplar no seu renovado espaço, divisionismo nem separatismo.
Este é, sem sombra de dúvidas, um grande passo em frente rumo a uma paz há muito desejada. Os Bascos merecem e a generalidade dos europeus há muito que sonham com ela. Se as armas do terrorismo se calam, cantemos agora nós!

Sem comentários: