terça-feira, fevereiro 14, 2006

"Day after"

Alegrem-se meus amigos, hoje é o dia dos namorados!
Ai é, dirão os mais distraídos! Sim porque por esta altura, mesmo distraídos, é quase impossível o cidadão comum não reparar no que se festeja! Não é que, com este dia e com este festejo, o relacionamento entre os vários pares passe a “rolar” melhor, nada disso! O mais importante é que festejemos o dia e, afinal, qual a melhor solução para o fazer? Comprando meus amigos e amigas, comprando! Se nos deixámos há muito subjugar por essa “sociedade do consumo imediato”, há que gastar, não importa quanto, importa sim o gesto festivo!
É por isso que hoje em dia, qualquer situação é passível de ser vulgarizada e ter um momento próprio: é o dia do pai, o dia da mãe, o dia do filho, o dia do idoso, o dia do ambiente, o dia sem carros… meu Deus, tantos dias e, afinal, o ano apenas tem 365!... E se tivesse mais?
Com tantos momentos dedicados a tantas coisas que convivem e atormentam as sociedades contemporâneas, pensava eu que o mundo passava a ser melhor, os casais ou pares se relacionavam e eram mais compreensivos e amigos entre si; os velhinhos tinham um melhor tratamento por parte da sociedade em geral; o ambiente era melhor preservado; os carros passavam a circular menos vezes, enfim… tanta coisa melhorava!
Mas… afinal não! O dia é apenas mais um. O que muda fortemente é a incessante procura desenfreada dos grandes centros comerciais, na busca do tal cartão postal com a melhor frase, não importa escrita por quem nem em que circunstâncias; é o arranjo de flores mais sumptuoso e engalanado, não importa com que mãos foi feito; é a prenda mais adequada para a situação que cada um quer (re)viver; é a procura do restaurante mais chique e delicado, enfim, tantas procuras!...
E que consequências? Afinal o que resta no “day after”? Mais do mesmo. Para além da tal sensação da carteira semi-vazia, muitos dos casais “festejantes” permanecerão mais 365 desavindos; os pais e as mães continuam na sua labuta frenética; o ambiente permanecerá maltratado e os carros continuam a poluir em “excesso de velocidade”! Perdão, queria dizer 364 dias, porque há um que é o dia do festejo!
Se calhar, era preferível não festejar apenas um, antes sim, festejar o ano todo. Talvez a carteira não se esvaziasse tanto e o amor, a compreensão e o carinho nutridos pelo próximo imperassem no seio desta nossa sociedade consumista. Afinal, não é possível fazer “Natal” sempre que o Homem quiser?
Hoje é a minha vez de pedir desculpas meus caros e caras amigas! Eu sei e reconheço que, no seio de tudo isto, haverá honrosas e saudáveis excepções!... Afinal, não é a excepção que legitima a regra?

6 comentários:

Anónimo disse...

Subscrevo completamente :)!

Anónimo disse...

Oh, well Sophia: nice to see you again!
Kisses

Anónimo disse...

Concordo plenamente e obrigada pela excepção.
Bjokinhas

Anónimo disse...

Claro que concordo consigo, mas permita-me mais uma achega: muitas destas celebrações resultam de um "parolismo" muito nosso. De facto, grande parte dos "dia de..." são importações que pouca, ou nenhuma, aderência tem à nossa tradição. É o dia da das bruxas, o dia de acção de graças, etc. Celebremos o S. Martinho, o dia de Reis e muitos outros que fazem parte da nossa tradição.
A propósito: não temos nós um santo casamenteiro? Ou será que o casamento é incompatível com o namoro? Eu namoro diariamente há 18 anos!

Anónimo disse...

Meu caro "anónimo":
De facto tem toda a razão em tudo o que afirma, sobretudo no que se refere ao dia das bruxas. Por paradoxal que pareça, quem o divulga e difunde anualmente é um padre - o tal Fontes!
Em relação ao namoro, é pá, grande namoro! 18 anos! Guiness, Guiness e já! Será que a Senhora Sua Esposa, perdão a sua namorada, também viverá esta efusão toda?
Se assim é, vou aderir ao tal santo casamenteiro, de nome S. Gonçalo, que por sinal, ainda não o conheço! Mas já ouvi falar dele e, pelo que dizem, é boa pessoa!!!
Brincadeira!
Um abraço meu amigo!

Anónimo disse...

Olá Inês: As excepções são o melhor que há nas regras. Gosto sempre que os meus amigos/as façam parte, sobretudo daquelas a que fiz alusão.
Beijokas e muitas excepções!:)