As assimetrias geográficas e o país a dois tempos – o da interioridade e o da urbanidade – acabaram por provocar em Portugal, durante algumas décadas, um profundo atraso junto das populações que habitavam esse interior rural, apresentando-se à época, profundamente deficitário em serviços essenciais, barrando-lhes o acesso a determinados meios, sobretudo de comunicação e de informação.
Foi por causa dessas assimetrias então vividas, que muito tardiamente comecei a ser um consumidor de televisão, sobretudo se me comparar com outras crianças da minha idade e que habitavam em outras latitudes territoriais.
Este impedimento precoce permitiu que mais tarde, eu olhasse para o fenómeno televisivo de uma forma mais consciente, mais adulta e com um espírito crítico e capacidade de escolha um pouco diferenciados. Cedo ganhei uma grande empatia pelos “Telejornais” que ainda hoje se posicionam nos meus “tops” de audiência.
Como me lembro ver um “Telejornal” com a duração de trinta minutos, comportando, apesar do tempo exíguo, várias rubricas: as notícias propriamente ditas, o desporto e, no final, lá vinha o meteorologista Anthímio de Azevedo a elucidar-nos sobre as previsões do estado tempo. Tudo isto, na época, servia na plenitude, para formar e informar os portugueses.
Como a geografia territorial de Portugal não se alterou e como a população decresceu grandemente, não consigo arranjar uma explicação aceitável (eu disse aceitável!) para que hoje em dia, os tais “Telejornais”, agora já sem a familiar e mítica figura do Anthímio, demorem uma hora ou mais a serem apresentados!
Às vezes dou comigo a pensar: se calhar, nos tais tempos de que falei no início, andávamos mesmo mal informados! Mas depois, reflicto de novo: será que a televisão, para além de formar e informar, não estará agora também a deformar a cabeça das pessoas?
Desde os meus primeiros passos dados nos bancos do “liceu”, onde me iniciei nestas andanças do estudo de fenómenos relacionados com a comunicação humana (jornalismo), que o meu professor se fartava de dizer que, a notícia não era “o cão que mordeu o homem” mas sim “o homem que mordeu o cão”!
Partindo desta premissa, agora percebo então a eternidade dos “Telejornais”! É notícia, o médico palestiniano que dá consultas em Vila Real; é notícia, a Dra. Fátima Felgueiras que vai fazer a sua oração a Fátima; é notícia o menino que nunca terá visto televisão nem homens negros mas que adora o Mantorras! Tudo isto é notícia, imaginem!
Mas ninguém se importa aprofundar porque é que é preciso virem médicos estrangeiros para trabalhar em Portugal, quando os temos cá ou podíamos ter; ninguém quer saber como é que a Senhora Presidente organizou tamanha excursão e quem a pagou e, finalmente, o tal menino já se “assustou” com o Mantorras e nunca mais ninguém ouviu falar dele!
Afinal, de lá para cá já tudo se inverteu. O tal "cão" passou a atacar fortemente o homem. Só espero que não nos ataque a todos, para que não nos transformemos numa sociedade totalmente “enraivecida”!...
Foi por causa dessas assimetrias então vividas, que muito tardiamente comecei a ser um consumidor de televisão, sobretudo se me comparar com outras crianças da minha idade e que habitavam em outras latitudes territoriais.
Este impedimento precoce permitiu que mais tarde, eu olhasse para o fenómeno televisivo de uma forma mais consciente, mais adulta e com um espírito crítico e capacidade de escolha um pouco diferenciados. Cedo ganhei uma grande empatia pelos “Telejornais” que ainda hoje se posicionam nos meus “tops” de audiência.
Como me lembro ver um “Telejornal” com a duração de trinta minutos, comportando, apesar do tempo exíguo, várias rubricas: as notícias propriamente ditas, o desporto e, no final, lá vinha o meteorologista Anthímio de Azevedo a elucidar-nos sobre as previsões do estado tempo. Tudo isto, na época, servia na plenitude, para formar e informar os portugueses.
Como a geografia territorial de Portugal não se alterou e como a população decresceu grandemente, não consigo arranjar uma explicação aceitável (eu disse aceitável!) para que hoje em dia, os tais “Telejornais”, agora já sem a familiar e mítica figura do Anthímio, demorem uma hora ou mais a serem apresentados!
Às vezes dou comigo a pensar: se calhar, nos tais tempos de que falei no início, andávamos mesmo mal informados! Mas depois, reflicto de novo: será que a televisão, para além de formar e informar, não estará agora também a deformar a cabeça das pessoas?
Desde os meus primeiros passos dados nos bancos do “liceu”, onde me iniciei nestas andanças do estudo de fenómenos relacionados com a comunicação humana (jornalismo), que o meu professor se fartava de dizer que, a notícia não era “o cão que mordeu o homem” mas sim “o homem que mordeu o cão”!
Partindo desta premissa, agora percebo então a eternidade dos “Telejornais”! É notícia, o médico palestiniano que dá consultas em Vila Real; é notícia, a Dra. Fátima Felgueiras que vai fazer a sua oração a Fátima; é notícia o menino que nunca terá visto televisão nem homens negros mas que adora o Mantorras! Tudo isto é notícia, imaginem!
Mas ninguém se importa aprofundar porque é que é preciso virem médicos estrangeiros para trabalhar em Portugal, quando os temos cá ou podíamos ter; ninguém quer saber como é que a Senhora Presidente organizou tamanha excursão e quem a pagou e, finalmente, o tal menino já se “assustou” com o Mantorras e nunca mais ninguém ouviu falar dele!
Afinal, de lá para cá já tudo se inverteu. O tal "cão" passou a atacar fortemente o homem. Só espero que não nos ataque a todos, para que não nos transformemos numa sociedade totalmente “enraivecida”!...
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