segunda-feira, fevereiro 20, 2006

As "cruzadas" do terrorismo

É frequente ouvir dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras. Eu acrescentaria que ela é capaz de gerar igualmente mil e uma manifestações populares, pelo que se vê hoje em dia! Manifestações compreensivas, por vezes, mas outras, completamente descabidas e despidas de qualquer fundamento. Falo, claro está, das reacções últimas que os “cartoons” publicados por alguns jornais, sobre o profeta Maomé, e que despoletaram um verdadeiro estado de histeria, destruição e ódio, junto da vasta comunidade muçulmana dispersa pelas mais variadas latitudes.
Sem querer usar de um qualquer chauvinismo primário, gostaria de reflectir, tentando saber como é que reagiria o mundo muçulmano se, cidadãos ocidentais, colocassem em locais importantes e emblemáticos do Islão, engenhos explosivos e os fizessem explodir, provocando neles, milhares de mortos? Como reagiriam se, em áreas populosas como Jacarta, Islamabad ou Damasco, “terroristas” ocidentais colocassem nas respectivas linhas de metro ou de comboio, potentes bombas destruidores, capazes de assassinar centenas ou milhares de pessoas inocentes e indefesas?
Pois é; se meia dúzia de caricaturas, fazendo jus ao mais nobre direito – o da liberdade de expressão - despoletaram tamanho alarido, provocando tanto ódio, tanta ira e tanta raiva para com tudo aquilo que é ocidental, eu imagino o que teria acontecido se os tais defensores do profeta tivessem sido atacados à porta dos seus próprios “aposentos”, como sucedeu nos ataques terroristas sobre as torres gémeas, em Nova York e, posteriormente, na estação de caminho de ferro de Atocha, em Madrid?
Há muito que acho estas manifestações completamente descabidas, orquestradas e alheias de qualquer fundamento ou razão; senão vejamos: elas começaram por ser organizadas junto das embaixadas da Dinamarca e da Noruega, países onde foram inicialmente publicadas as caricaturas. Se estivermos atentos às imagens que ultimamente nos vão chegando através dos vários e insuspeitos canais de televisão, elas mostram-nos o alastrar das manifestações a outros países muçulmanos, num verdadeiro efeito de “multiplicação dos pães” e, ao mesmo tempo, a ira e o ódio voltam-se contra outros países como Israel, Estados Unidos e Inglaterra. Porquê esta nova vaga revoltosa, agora contra estes países se eles não estiveram envolvidos nas tais publicações?
A Europa e a sua sociedade há muito que se tornaram num vasto espaço laico, com uma efectiva separação entre o Estado e a Igreja. Ora, para uma salutar convivência entre o mundo muçulmano e o mundo ocidental, aquele terá de seguir as pisadas deste. Caso contrário arrisca-se a um hermetismo civilizacional, provocando clivagens cada vez mais acentuadas e insaráveis no dia a dia das sociedades envolvidas.
É aqui, a meu ver, que reside o cerne do problema. É o ódio de estimação para com os judeus e seus aliados e, ao mesmo tempo, é a existência de um forte poder teocrático, dominado por "Ayatollah's", "Sheikh's" e "Imã's" a decidirem o destino desses países, confundindo e fundindo aspectos políticos e religiosos num só. A coabitação entre os poderes religioso e político são uma realidade, provocando junto das classes mais vulneráveis e carentes, facilmente manipuláveis, verdadeiros estados de “paralisia intelectual”, levando-as a cometer gigantescas acções terroristas, a troco da tão propalada e sempre prometida, salvação eterna. Eterna ou efémera, ela está ali à distância de um “clic”. É só accioná-la!
Contrariamente ao que vi expresso há dias num “slogan” muçulmano – “morte à liberdade” – eu preferia que eles eternizassem a morte com vida, em vez de eternizarem a vida com as horrendas mortes!

4 comentários:

Anónimo disse...

Ké passa Férnando?
Fôs-te vítima de retaliação?


(.>

Anónimo disse...

"No passa nada"!
Não percebi a "retaliação", muito menos quem a escreve!

Anónimo disse...

Então nem a frase galega, nem a assinatura te são familiares?
O artigo está interessante.
Gostei
Bjs

Anónimo disse...

Pela frase galega quase lá cheguei logo. Mas, a "retaliação" não percebi.
Agora, visto bem, a assinatura assemelha-se, mas tem um (.) a mais.
E depois, um "anónimo" mandar-me beijinhos....:)
Dá para desconfiar!
Beijinhos e obrigado pelas palavras simpáticas!