Ontem, tive uma visita inesperada. O carteiro decidiu deixar na minha caixa de correio um cartão envolvido num envelope. Inicialmente até pensei que fosse de Boas Festas mas, interroguei-me acerca desta ideia, se a quadra natalícia há muito que tinha passado?
Quando abri o envelope, ao olhar para o cartão, deparei-me com dois rostos, muito arranjadinhos, com operações de cosmética a preceito, transbordando felicidade, com gestos de grande harmonia. Ele, num primeiro plano, com ar bem disposto e confiante; ela, num plano lateral, ligeiramente atrás, com o braço esquerdo sobre o ombro dele, sugerindo tratar-se de uma família feliz, ordeira e realizada. Ora, família com tantos e tamanhos predicados só me poderia fazer lembrar uma: a “Sagrada Família”!
Pensei, reflecti e, confesso que era mesmo esta família que eu pensava ver! Mas, interrogava-me eu novamente: onde estarão afinal, os restantes elementos? O que seria feito do “menino” (Joãozinho) e do burro!
Desisti desta ideia. Achei que poderia ser outra coisa. Por momentos, terei pensado que me encontrava na Idade Média. É que, ultimamente, tenho ouvido falar tanto no papel do “ouvidor” que me imaginei novamente perante a corte e a família real, mostrando-me o cartão, o rosto do nosso rei “lavrador”, D. Dinis, ladeado pela sua esposa, a rainha Santa Isabel! Mas… afinal o nosso rei não tinha coroa! E a nossa rainha não trazia flores no regaço! Pensei de novo: Será que não se trata antes de el-rei D. João I, a quem a pátria portuguesa tanto deve, pelos feitos históricos conseguidos na Batalha de Aljubarrota? A minha ideia tomava cada vez mais consistência, ao ver uma mulher de semblante sorridente, com traços faciais de felicidade! A associar a tudo isto, nova ideia me surgiu entretanto! Como o nosso rei viajava muito pelo estrangeiro, esta é, com certeza, a sua esposa: a bonita rainha de origem britânica, D. Filipa de Lencastre!
Depois de todas estas visões que por momentos tive, uma luz me levou a pensar: se a imprensa foi inventada por Gutemberg em 1455, como pode este documento comprovadamente impresso, ser anterior a esta data?
Foi a partir desta altura de maior lucidez que me apercebi que, afinal, estava no século XXI, em Portugal, em plena campanha para as presidenciais, onde tudo vale. Neste "certame", o homo sapiens dá lugar ao homo “aparencis” ou “ilusonis”, em que republicanos se confundem com monárquicos, agnósticos se confundem com católicos, nomes como Soares se confundem com Narcisos. No final, restam-me duas consolações: a confusão não chegará a todos, felizmente e o carteiro não voltará. Se voltar, que me traga tulipas porque não gosto de narcisos!
Quando abri o envelope, ao olhar para o cartão, deparei-me com dois rostos, muito arranjadinhos, com operações de cosmética a preceito, transbordando felicidade, com gestos de grande harmonia. Ele, num primeiro plano, com ar bem disposto e confiante; ela, num plano lateral, ligeiramente atrás, com o braço esquerdo sobre o ombro dele, sugerindo tratar-se de uma família feliz, ordeira e realizada. Ora, família com tantos e tamanhos predicados só me poderia fazer lembrar uma: a “Sagrada Família”!
Pensei, reflecti e, confesso que era mesmo esta família que eu pensava ver! Mas, interrogava-me eu novamente: onde estarão afinal, os restantes elementos? O que seria feito do “menino” (Joãozinho) e do burro!
Desisti desta ideia. Achei que poderia ser outra coisa. Por momentos, terei pensado que me encontrava na Idade Média. É que, ultimamente, tenho ouvido falar tanto no papel do “ouvidor” que me imaginei novamente perante a corte e a família real, mostrando-me o cartão, o rosto do nosso rei “lavrador”, D. Dinis, ladeado pela sua esposa, a rainha Santa Isabel! Mas… afinal o nosso rei não tinha coroa! E a nossa rainha não trazia flores no regaço! Pensei de novo: Será que não se trata antes de el-rei D. João I, a quem a pátria portuguesa tanto deve, pelos feitos históricos conseguidos na Batalha de Aljubarrota? A minha ideia tomava cada vez mais consistência, ao ver uma mulher de semblante sorridente, com traços faciais de felicidade! A associar a tudo isto, nova ideia me surgiu entretanto! Como o nosso rei viajava muito pelo estrangeiro, esta é, com certeza, a sua esposa: a bonita rainha de origem britânica, D. Filipa de Lencastre!
Depois de todas estas visões que por momentos tive, uma luz me levou a pensar: se a imprensa foi inventada por Gutemberg em 1455, como pode este documento comprovadamente impresso, ser anterior a esta data?
Foi a partir desta altura de maior lucidez que me apercebi que, afinal, estava no século XXI, em Portugal, em plena campanha para as presidenciais, onde tudo vale. Neste "certame", o homo sapiens dá lugar ao homo “aparencis” ou “ilusonis”, em que republicanos se confundem com monárquicos, agnósticos se confundem com católicos, nomes como Soares se confundem com Narcisos. No final, restam-me duas consolações: a confusão não chegará a todos, felizmente e o carteiro não voltará. Se voltar, que me traga tulipas porque não gosto de narcisos!
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