quinta-feira, janeiro 19, 2006

As "damas de companhia"

Hoje, à semelhança daquilo que os nossos candidatos presidenciais nos vão oferecendo diariamente, apetece-me imitá-los, brincando um pouquinho com os números. Brincar não diria, diria sim, apelar à imaginação sobre o que nos é fornecido pelo dia a dia das várias “máquinas” de campanha.
Através das estatísticas que ciclicamente nos são apresentadas e pelos vários censos que ocorrem no nosso país, Portugal terá, cerca de dez milhões de habitantes. Bom, até aqui, penso que haverá um consenso generalizado! Todavia, com o decorrer da campanha e a avaliar pelos números que nos são fornecidos, estes elementos devem estar errados.
Num dia, comenta-se que Cavaco Silva, num determinado jantar no distrito de Aveiro, terá tido nesse repasto cerca de quatro mil comensais. Olhando o candidato do lado e segundo a sua campanha, Mário Soares congrega numa sua acção em Viana do Castelo, a maior manifestação de apoio prestada ao longo desta jornada. Por seu turno, o “staff” de Manuel Alegre, sem querer ficar atrás, refere que conta com largos milhares de apoiantes em Évora, terra de gente de trabalho e de esperança. Ora, Jerónimo de Sousa, por si só, consegue juntar no pavilhão Atlântico, em Lisboa, mais de vinte mil fervorosos simpatizantes. Não se querendo ficar na cauda, Francisco Louça diz em Setúbal, que a sua candidatura excede claramente as expectativas mais optimistas sobre a adesão popular.
Ora, se em todos os lugares por onde as várias caravanas passaram a adesão foi e é assim tão grande, com tantos milhares de pessoas na rua, então, estaremos na presença de um verdadeiro fenómeno populacional! Ou os tais censos ou estatísticas estão definitivamente errados e urge corrigi-los de imediato, ou então, Portugal não terá dez milhões mas sim uns vinte ou trinta milhões! É que, se a segunda hipótese for a verdadeira, corremos o risco de estas eleições não se revestirem de um carácter vinculativo uma vez que, muito menos de 50% dos tais milhões de eleitores, votarão!
Afinal, já valeu a pena. Esta campanha já me trouxe uma grande alegria: já não estamos na cauda da Europa! Pelo menos em eleitores! E eu que pensava que o interior português estava a ficar desertificado! Puro engano! Que felicidade me invade ao ver por lá tantas "damas de companhia"!

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