quinta-feira, janeiro 12, 2006

"Lapsus mentalis"

O efeito galopante que a globalização provoca nas sociedades contemporâneas oferece-nos um conhecimento diversificado de acontecimentos e de pessoas, à escala mundial. Este fenómeno, iniciado em finais do século passado, causado sobretudo pela introdução de novas técnicas e tecnologias, postas ao serviço da comunicação humana, nomeadamente com a inclusão da internet, permitem hoje, tal como afirmava MacLuhan, que estejamos perante uma verdadeira “aldeia global”, onde nos sintamos, não como cidadãos de um qualquer país, antes sim, como cidadãos do mundo.
É comum, quando assistimos a um qualquer programa televisivo à escala planetária, sobretudo aqueles de carácter informativo, identificar determinadas pessoas que neles aparecem. Quem não consegue reconhecer pessoas como Nelson Mandela, Bill Clinton ou Fidel Castro? Contudo, nem sempre identificamos e conhecemos o nosso próprio vizinho que, diariamente, entra na mesma porta do prédio que habitamos.
Se à escala mundial, reconhecemos pessoas com as quais nunca privámos nem nunca nos foram apresentadas, como é possível ao político e candidato Mário Soares desconhecer o nome do candidato seu opositor, Cavaco Silva? Dizia ele há dias, vociferando num discurso inflamado, após horas antes ter despromovido o major Valentim Loureiro a capitão, que “…esse candidato, cujo nome não me recordo…”. Bem sei que esse desconhecimento foi um jogo meramente retórico; todavia, atrever-me-ia a considerá-lo antes, como um jogo de muito baixo nível político! Se o “combate político” é isto, prefiro que não haja combates!
Um homem que convida outro para a festa do seu aniversário, um homem que se intitula pai da liberdade e da democracia, um homem que apregoa por aí possuir um humanismo fora do comum, como pôde ter semelhante tirada? Este senhor, ao que parece, deve pensar que ainda vivemos à luz de uma qualquer monarquia constitucional, onde ele, o iluminado, tudo sabe, tudo fez e tudo pode e a quem o país tudo deve.
Como é possível, um político com o nome que Mário Soares diz ter, descer o nível da sua linguagem e dos seus (não) argumentos? Pelos vistos, na sua análise, nos seus propósitos e nas suas promessas, tudo vale! Se calhar, é por comportamentos destes que a abstenção se situa nos valores que todos conhecemos.
Se os agentes políticos servissem o país em vez de se servirem dele, com toda a certeza que não discutiam o que estava mal mas sim, enumeravam tudo aquilo que de bom tinham feito. Nesse dia, eu votava. Assim, com esta “bipolarização”, com apenas dois candidatos (Cavaco e os anti Cavaco), guardo-me para outras batalhas. Quem sabe, com a evolução da democracia, um dia possamos votar contra este ou aquele candidato. Nessa altura, com toda a certeza que a taxa de abstenção descerá e eu redimir-me-ei, votando em todos eles!...

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