quarta-feira, novembro 09, 2005

Todos diferentes, mas todos iguais!

Muito se tem escrito e discutido sobre a Administração Pública e a sua organização mas, valendo-me daquilo que vem sendo dito e feito pelos dirigentes que nela se inserem, para além de quase nada ser e ter sido feito, o pouco que se faz, afigura-se completamente contraproducente, descabido de oportunidade e de interesse pela causa pública.
Façamos uma pequena viagem. De quatro em quatro anos, os portugueses são chamados às urnas para elegerem os seus representantes na Assembleia da República e, à sombra do sistema semi-presidencialista que nos rege, o resultado destas eleições reflecte-se na escolha que o Presidente da República faz, relativamente ao chefe do governo a empossar. Por seu lado, este escolhe os seus ministros e estes os secretários de estado. Até aqui, nada me oferece quaisquer dúvidas.
Acontece que, com a queda ou alteração verificada nos diversos governos, por uma qualquer causa, provocando por vezes mudanças na “cor política” dos mesmos, foi-se instituindo que os Directores Gerais, os gestores das empresas públicas ou de outras cujo capital público é maioritário, são usualmente alvos de substituição. A explicação dada é sempre a mesma, independentemente da cor política que a profere – a da confiança política ou da falta dela.
E eu que pensava que as pessoas iam para cargos desta natureza a coberto da sua invulgar capacidade, da sua extraordinária organização e métodos de trabalho onde o seu “curriculum vitae” coarctaria uma qualquer suspeição. Puro engano! A politização destes cargos é completamente nefasta e inimiga de um desenvolvimento de base, sustentado e de qualidade que se pretende ver implementado.
Até aqui, todos os governos dos mais diversos quadrantes e cores têm vindo a ter comportamentos muito semelhantes. Ainda há dias, o porta-voz do actual governo explicava o inexplicável, relativamente à substituição do dirigente do Instituto Nacional de Estatística.
Face a isto e como será bom de ver, o “deficit” e o desemprego no futuro vão baixar, a empregabilidade sobe e todo um conjunto de dados irão ser “pintados”, não conforme a realidade existente, antes sim, conforme a cor política que predomina!
Afinal, numa coisa eu vejo finalmente coerência em todos os governos: nos tais “jobs for the boys”! Todos diferentes, mas todos iguais!
Os vários responsáveis políticos têm um fortíssimo exemplo, com provas dadas de bem servir e de bem gerir, personificado no Director Executivo da TAP – Fernando Pinto, que tem vindo a resistir aos sucessivos governos e interesses. E se os vários governantes e dirigentes lhe seguissem o caminho?

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