sexta-feira, novembro 11, 2005

Paz à liberdade

Passa hoje o trigésimo aniversário da independência de Angola. Muitos foram os angolanos que, nesse longuínquo dia, tanta esperança depositaram num futuro que julgavam auspicioso.
Os acordos de Alvor assinados em 1975, entre uma delegação portuguesa e uma “troika” angolana composta por elementos dos partidos MPLA, FNLA e UNITA, auguravam então um futuro promissor para aquele imenso e rico país africano.
Todavia, as lutas fratricidas pelo poder, a falta de respeito pelos direitos e valores de cada um, provocaram, ao longo dos anos, uma forte instabilidade social, tornando os meios de produção incapazes na resposta às necessidades das populações. A fome, a miséria e a falta de capacidade produtiva vieram para ficar!
A coesão interna, em momento algum terá sido sentida e a guerra civil foi o passo seguinte. As lutas partidárias foram intensas e o “vale tudo” imperou num misto de desordem, de caos e de anarquia.
A forte pressão externa, com o inevitável jogo de interesses, foi outro pólo de rebelião. Países vizinhos como a África do Sul e outros como os Estados Unidos e a União Soviética, tinham como objectivo o domínio de diversas explorações como é o caso dos diamantes, ou mesmo o domínio político estratégico, levado a cabo sobretudo pelas duas grandes potencias.
Fazendo uma curta viagem histórica, será bom de ver que o MPLA não terá tido “engenho nem arte” para dar ao povo angolano aquilo pelo qual este tanto havia lutado: a liberdade e a igualdade nas oportunidades que Agostinho Neto tanto defendeu!
Este partido, fortemente ajudado pela URSS de Leonid Brejnev e por Cuba de Fidel Castro, impediu o caminho do país rumo à implantação de uma verdadeira democracia. O mais caricato de tudo isto é que, “El Comandante” enviou mesmo um forte contingente de tropas para aí maquinar e “desenvolver” um país, com um único objectivo: a implantação de um regime político de cariz marxista-leninista, o que veio a suceder.
Por outro lado, a África do Sul, posicionada mesmo ali ao lado interessava-se pelos diamantes da Jamba. E como obtê-los? Financiando a UNITA de Jonas Savimbi. Os americanos, atrás dos interesses estratégicos, não poderiam ficar aquém dos anseios da URSS e, vai daí, lançam igualmente uma forte ajuda à UNITA. Como é bom de ver, o puzzle estava mais uma vez montado rumo a uma “guerra-fria” entre americanos e soviéticos mas fora dos seus respectivos países, como havia sucedido em outras paragens.
A todas estas convulsões não terá sido também alheio a falta de ideias e de soluções adequadas à situação vivida, por parte da delegação portuguesa que participou nos acordos para a independência. Esta delegação não terá previsto, projectado e pensado o melhor para aquele país. Liberdade sim mas em paz!
Com erros e falhanços, com interesses e vontades, com riqueza e pobreza, com corrupção e lealdade, coabitam hoje os milhões de angolanos num renovado clima de esperança, tal como há trinta anos. Afinal, é com paz que a liberdade se consolida e ela estava ali tão perto!...

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