Num artigo publicado há já alguns anos pelo sociólogo António Barreto, a propósito da mudança social ocorrida no nosso país, entre as décadas de sessenta e de noventa do século XX, este sociólogo aí fazia menção e deixava bem vincado o crescente e devastador fluxo migratório de pessoas para aglomerados populacionais de grandes dimensões, posicionados junto ao litoral português.
Aquilo que inicialmente terá sido um sintoma de modernidade e de mais valia, uma vez que as populações buscavam aí melhores condições de vida; visto aos dias de hoje, tal movimento migratório desenfreado acabou por provocar um nefasto e desastroso resultado no seio das regiões interiores.
A dicotomia entre o interior e o litoral tornou-se cada vez mais disforme e assimétrica. Assistimos assim ao germinar de um Portugal a dois tempos: o do interior e o do litoral.
E o que se tem feito para inverter esta situação? Nada ou quase nada. Apenas meras operações de cosmética. As grandes construções ou eventos nacionais decorrem praticamente, ou na capital, ou nas tais cidades situadas junto ao litoral. O Centro Cultural de Belém, a Expo 98, o Euro 2004, o Metro e a Casa da Música no Porto são os exemplos mais evidentes.
Como pode a classe dirigente de um país apelar à adesão de um povo, relativamente ao apoio no Euro 2004 se este evento apenas ficou sedeado em zonas litorais do país?
Porque não se construiu um qualquer estádio de futebol numa qualquer cidade interior? Nunca defendi que fosse em Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora ou Beja. Qualquer uma delas o poderia fazer. Apenas defendi que essas populações também tinham esse direito uma vez que, para além de comungarem da mesma identidade, são igualmente contribuintes e pautam-se também pelos mesmos deveres de cidadania!
Tive conversas com amigos onde, à altura esgrimi as minhas ideias. Muitos diziam: “e depois o que fazemos aos estádios que ficarão vazios e sem ocupação?”. Argumento nada mais vazio e oco pois, o estádio do Algarve, em dois anos, apenas recebeu dois jogos: um como “casa emprestada” do Estoril e outro da selecção nacional. E, pelo que sei, também os estádios de Aveiro e de Leiria estão constantemente “às moscas”, para não falar de outros!
Embora tenhamos cometido erros no passado, era imperioso precaver e inverter o futuro. Mas o que se está a preparar para o imediato? A construção do Aeroporto da Ota e do TGV. Resumindo, mais do mesmo!
Não podemos lembrar-nos do interior apenas de quatro em quatro anos, em época de eleições; não podemos lembra-nos do interior apenas para falar das “SCUT’s”. O interior é muito mais que isso e não pode servir de joguete de interesses políticos ou quaisquer outros. É urgente que se definam objectivos claros capazes de inverter esta “litoralização” desenfreada.
Afinal, quando Deus criou e distribuiu o sol, fê-lo de forma harmoniosa e para todos, embora em momentos diferentes! Mas fê-lo!...
Aquilo que inicialmente terá sido um sintoma de modernidade e de mais valia, uma vez que as populações buscavam aí melhores condições de vida; visto aos dias de hoje, tal movimento migratório desenfreado acabou por provocar um nefasto e desastroso resultado no seio das regiões interiores.
A dicotomia entre o interior e o litoral tornou-se cada vez mais disforme e assimétrica. Assistimos assim ao germinar de um Portugal a dois tempos: o do interior e o do litoral.
E o que se tem feito para inverter esta situação? Nada ou quase nada. Apenas meras operações de cosmética. As grandes construções ou eventos nacionais decorrem praticamente, ou na capital, ou nas tais cidades situadas junto ao litoral. O Centro Cultural de Belém, a Expo 98, o Euro 2004, o Metro e a Casa da Música no Porto são os exemplos mais evidentes.
Como pode a classe dirigente de um país apelar à adesão de um povo, relativamente ao apoio no Euro 2004 se este evento apenas ficou sedeado em zonas litorais do país?
Porque não se construiu um qualquer estádio de futebol numa qualquer cidade interior? Nunca defendi que fosse em Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora ou Beja. Qualquer uma delas o poderia fazer. Apenas defendi que essas populações também tinham esse direito uma vez que, para além de comungarem da mesma identidade, são igualmente contribuintes e pautam-se também pelos mesmos deveres de cidadania!
Tive conversas com amigos onde, à altura esgrimi as minhas ideias. Muitos diziam: “e depois o que fazemos aos estádios que ficarão vazios e sem ocupação?”. Argumento nada mais vazio e oco pois, o estádio do Algarve, em dois anos, apenas recebeu dois jogos: um como “casa emprestada” do Estoril e outro da selecção nacional. E, pelo que sei, também os estádios de Aveiro e de Leiria estão constantemente “às moscas”, para não falar de outros!
Embora tenhamos cometido erros no passado, era imperioso precaver e inverter o futuro. Mas o que se está a preparar para o imediato? A construção do Aeroporto da Ota e do TGV. Resumindo, mais do mesmo!
Não podemos lembrar-nos do interior apenas de quatro em quatro anos, em época de eleições; não podemos lembra-nos do interior apenas para falar das “SCUT’s”. O interior é muito mais que isso e não pode servir de joguete de interesses políticos ou quaisquer outros. É urgente que se definam objectivos claros capazes de inverter esta “litoralização” desenfreada.
Afinal, quando Deus criou e distribuiu o sol, fê-lo de forma harmoniosa e para todos, embora em momentos diferentes! Mas fê-lo!...
Sem comentários:
Enviar um comentário