
Ontem, em ambiente de pré-campanha eleitoral para as eleições presidenciais, ouvi o Dr. Mário Soares defender, em Foz Côa, a reabertura da linha de caminho de ferro, entre o Pocinho e Barca D’Alva, percurso esse que se encontra encerrado e atirado ao abandono há já alguns anos.Dizia ele que foi no tempo dos governos do Professor Cavaco Silva que essa linha foi encerrada, levando ao isolamento das pessoas e ao impedimento na utilização desse incomparável meio de transporte, tão do agrado das populações locais e mesmo dos muitos turistas que costumam aportar a essa apetecida região.
Pois é, embora o candidato Soares se tenha esquecido de dizer que, nessa mesma altura era ele próprio o “Presidente de todos os Portugueses”, a ideia parece-me muito justa e muito a propósito, a avaliar pelo abandono frequente e por alguma falta ideias e de iniciativas que impossibilitam a promoção e o desenvolvimento desta região, “Património da Humanidade”.
Quero aqui dizer o quão benéfico será a reabertura da totalidade da Linha do Douro, entre o Porto e Barca D’Alva, reparando uma decisão política, outrora tomada de forma errada e leviana.
Embora já por diversas vezes tenha tido o privilégio de viajar entre o Porto e a bonita e pacata vila do Pinhão, há algum tempo, tive a oportunidade de prolongar um pouco mais o meu percurso e decidi viajar até ao “terminus” da actual linha - o Pocinho.
Como é lindo o Douro e a sua envolvente! Como são belos os socalcos e as videiras neles pendurados! Como são dourados os cachos que se “bronzeiam” naquelas íngremes encostas! Ali, até as águas esperam pacatamente por alguém que lhes dê utilidade, onde são bem visíveis autênticas obras de arte esculpidas com o reflexo que a paisagem nelas provoca!
Para a “pintura” ficar completa, torna-se necessário fazer menção ao serpentear da linha-férrea que, por entre vales e túneis, faz ziguezaguear o comboio, transportando passageiros comuns e turistas; alegrias e tristezas; leva e traz pessoas, num rodopio infatigável, bem característico da modernidade dos dias de hoje.
É igualmente este comboio que permite levar este “postal ilustrado” até aos mais variados lugares, espalhados pelos diversos continentes, sempre ajudado pelo olhar frenético dos turistas, de binóculos e máquinas fotográficas em punho. Os flashes e os sons típicos da língua de Shakespeare confundem-se: “Beautiful, this is nice!”; “Marvellous!” são algumas das frases mais frequentes, atiradas pelos turistas, envolvidos e cobertos por uma áurea de espanto e de incredulidade.
Mesmo que estas imagens, para além de outras condicionantes, sejam sempre a visão do próprio autor, com toda a subjectividade a elas inerentes, qualquer olhar, qualquer enquadramento ou qualquer tomada de vista conseguida durante este percurso, terá sempre como resultado um fascinante e maravilhoso quadro, de um requintado naturalismo vivo, bem ao gosto e estilo de um Gauguin ou de um Vincent Van Gogh.
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