quarta-feira, novembro 16, 2005

A "família Scolari"

Durante alguns anos, a propósito de um projecto de estudo em que me encontrava envolvido, procurei aprofundar alguns conhecimentos em diversas áreas, no âmbito da História Universal. Ao longo desse trabalho de investigação tomei conhecimento e “contacto” com a existência de diversas famílias valorosas e proeminentes: quer no seu tempo, quer nos vários propósitos ou domínios das suas acções.
Lembro-me frequentemente dos italianos “Médici”, nobre família florentina de mercadores e banqueiros; dos russos “Romanov”, poderosa família de imperadores e dos “Gandhi”, destemida e valorosa família indiana. Todas estas famílias estarão, com certeza, associadas a um rol infinito de muitas outras que terão tido igualmente a sua importância nos mais variados quadrantes.
Uma da qual não tinha qualquer conhecimento nem estudo sobre a sua existência, era a "família Scolari”. E em que domínio se destaca então este “agregado”? No domínio do futebol! Ela é um grupo muito “sui generis”. Não possui um núcleo como as anteriores e é encabeçada por Scolari, seleccionador nacional de futebol.
Este devia ter como objectivo, após analisar um conjunto de jogos, proceder à escolha dos melhores atletas. Pois é, só que, o propósito previsto vem sendo deturpado há já algum tempo. O senhor Scolari, a coberto de uns quantos, convoca quem muito bem lhe apetece, debaixo da capa da escolha pessoal. Depois, vem pedir apoio do público à tal equipa que ele apelida de “todos nós” quando ela é apenas e só engendrada por ele.
O seleccionador nacional atinge o caricato quando diz que há um “lobby” contra este ou aquele atleta. Como será possível que, num estádio quase cheio, apenas o “sargentão” não veja aquilo que a todos parece obvio? Ora, se quase toda a assistência assobia constantemente este ou aquele atleta é porque a sua contestação lá terá o seu fundamento! Comparo esta “miopia” àquele soldado que, em plena parada militar, vai com o passo trocado, no meio de várias centenas. Afinal, quem terá de mudar o passo e tomar o rumo certo? É que assim, até fico meio confuso!...
Voltando às minhas “famílias”, é por demais evidente que este brasileiro desenvolveu um trabalho meritório à frente da selecção nacional. Inquestionável! Todavia, o espírito familiar com que convoca determinados atletas deixa muito a desejar e a explicar. Porque se convocam atletas para actuar fora das suas posições habituais? Porque se convocam jogadores que são suplentes nos seus clubes ou são de equipas “B”? Porque se deixou de convocar jogadores com um vasto “curriculum” e que outrora eram elementos assíduos nas convocações?
O conceito de selecção, como a própria palavra significa, pressupõe a nobre tarefa da escolha dos melhores, para com eles formar uma verdadeira equipa e não uma qualquer agremiação familiar. Enquanto assim não for atropelam-se os interesses nacionais e, já estou mesmo a ver a “família Scolari” a ser assobiada num qualquer palco por terras bávaras. Se assim for, que assim não seja!...

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