sexta-feira, novembro 25, 2005

O "choque" de forma "chique"!

Desde há uns meses, quando o Dr. António Vitorino elaborou o actual programa de governo, que ouço falar do “choque tecnológico”. Inicialmente, até achei uma media extremamente válida e muito a preceito, relativamente à realidade e às necessidades do país. Ao mesmo tempo, o actual primeiro-ministro usava e abusava, com a promessa que ia fazendo aos portugueses, acenando-lhes com a criação de centenas de milhar de novos postos de trabalho. Ora, com a proficuidade e uma boa aplicação do tão badalado “choque”, o combate ao desemprego tornar-se-ia, a meu ver, uma realidade! A esse respeito, muita campanha se fez, muitas linhas se escreveram e, até hoje, o que se fez? Ou ando mal informado, ou então, apetece-me responder: para além do grande mediatismo de ontem, nada!
Para cúmulo de tudo isto, o lançamento para a Comunicação Social do tal “choque” feito pelo governo, surge uns dias após a renúncia ao cargo do seu responsável. Eu questiono, como poderão ser implementadas medidas se o mentor dessas mesmas medidas já não lidera o projecto?
Depois, eu pensava que o “choque”, entre outras coisas, iria promover o emprego, por exemplo, com a adopção de medidas de suavização de impostos, junto das empresas criadoras de emprego; com a implementação de técnicas e de tecnologias inovadoras na generalidade da produção nacional; que se iriam criar estágios profissionais, não para ocupar os “tempos livres” dos desempregados mas sim, proporcionar a quem procura emprego, o tão desejado trabalho, agora com argumentos mais valiosos.
Afinal, o que foi que o senhor primeiro-ministro disse ontem? Que o “choque tecnológico” consistiria, essencialmente, no “aumento do número de licenciados”. Não senhor primeiro-ministro! Nós não estamos nos anos sessenta, onde o país tinha apenas cerca de trinta mil licenciados e todos empregados. Nós hoje, temos mais de cinquenta mil licenciados, em diversas áreas do saber mas, com uma grande diferença: estão todos no desemprego, todos! Por isso, é urgente e prioritário dar uma ocupação a quem já tem essa mesma graduação.
Mas ontem, penso que o mais importante, tal como tinha acontecido dias antes com o projecto da Ota, foi o “show off” com que a medida foi apresentada à Comunicação Social. O cuidado no convite endereçado aos diversos media, objectivando uma cobertura e divulgação exaustivas; o “palanque” minuciosamente montado a preceito, com o habitual “teleponto”, não fosse o senhor primeiro-ministro esquecer-se das habituais banalidades e o que restou? Pouco ou nada.
Por outro lado, pela evolução partidária e social que a História nos mostra, evolução verificada sobretudo nos últimos dois séculos, é justo pensar que os governos ideologicamente posicionados à esquerda se encontram mais próximos e mais sensíveis aos problemas sociais. Isto é um facto. Todavia, pelo seu habitual comportamento, este primeiro-ministro preocupa-se mais com o visual (também rima com social), do que na aplicação efectiva das verdadeiras medidas. Afinal, quem disse que uma imagem sempre vale mais que mil palavras?

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